Da Década!

“That bitch is a peacock in everything but beauty!” (snap fingers)

Publicado em Literatura por Tiago Lopes em fevereiro 5, 2010

Os caras de The Picture  Of Dorian Gray são os exemplos mais próximos de Sassy Black Woman que o século XIX pode oferecer.

Comemoremos a possibilidade de fotos inéditas!

Publicado em Literatura por Tiago Lopes em janeiro 28, 2010

“It is false because I write about them with steadfast love”. SNAP!

Depois do conjunto da obra, o melhor era a especulação. Desde que eu conheço o domador das hordas hostis, sr.  Alexis, as nossas primeiras conversas do ano sempre giram em torno do J.D., por conta do seu aniversário. Quando esse tópico surge, passamos ao menos 30 minutos ininterruptos especulando sobre o quê  ele estaria fazendo naquele momento, ou nas últimas décadas em que se endorizol. As especulações eram quase sempre as mesmas. As opiniões sobre tudo o que a gente conhecia do rapaz nunca mudaram. Como, por exemplo, a tradução do Pegador em português ter atraído todo tipo de pessoa errada para o livro, com aqueles palavrões brasileiros dando uma aura de febem ao Caufield. Só que, na conversa desse ano, eu apostei que ele não iria muito longe, e que eu sentiria muito, mas finalmente, as prováveis pilhas de manuscritos seriam publicadas. Taí, tô triste, mas é bonito o fato de que morreu de causas naturais, atravessou 4/5 do século XX e 1/10 do XXI, viu um tantão de coisas e estava só aguardando pela morte para ser conhecido como o dono de uma das melhores publicações póstumas de todos os tempo. Vai ser sim. É como um life extra para esse século que, por enquanto, só tem se mostrado gratuitamente mórbido.

p.s.: dude, se Salinger foi um bom educador, seus filhos deverão tentar manter o provável desejo do pai de deixar tudo como está. Caso Jay-Dee tenha autorizado a publicação, bem, a gente aprecia sob a sombra da legalidade e da integridade, o que é bom. Se não, e ainda falhou em educar seus filhos à sua maneira, a apreciação será acompanhada de algum ínfimo peso na consciência. Daí que, se algo tão sensacional ou até mesmo melhor (quantas possibilidades bom Deus) que “Seymour: An Introduction” sair de tudo isso, as elocubrações devem perder o sentido. O que vai ser melhor pra todo mundo.

Being such a non-pillow right now

Publicado em tv por Tiago Lopes em janeiro 18, 2010

Alguém mais notou que o Grizz fez uma piada usando a George Eliot no ep de 30 Rock em que a Liz tá nos dirty thirties? E é a mesma piada que a Anna Faris faz usando o Evelyn Waugh em Lost In Translation? Tinha comprado Middlemarch uns três dias antes de assistir esse ep e acho que coincidências desse tipo são só o mundo falando em hebraico ecoado para você, dizendo que aprova, vai lá, lê Middlemarch. Caso alguém tenha visto o ep em que o James Franco aparece, é consenso geral que a piada do body pillow é das mais WOW da série né?

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Tão sensacionais quanto todos esses que merecidamente ocuparam o posto de melhores pt.III

Publicado em Cinema por Tiago Lopes em janeiro 11, 2010

Sei não, mas acho, que com esse aqui, o Kaufman esgotou a fonte. Esse filme é tratamento deluxe do tema >morte<. Creio que nenhuma das sensações suscitadas pelo medo do fim foram esquecidas aqui. Tudo o que todos falam e fazem no Synecdoche são só tentativas de fazer um drible maroto no medo todo. Todo mundo consegue, menos o Caden, que faz do que deveriam ser só uns breves segundos esporádicos dedicados à degustação do medo o projeto de toda a sua vida. Afora todos os longos monólogos sobre o major theme, gosto da coragem do moço em inserir piadas sensacionais nos momentos mais inapropriados, vide os closes nas capas dos livros de auto-ajuda durante o monólogo final. Aquilo lá é um dos equilíbrios mais bonitos de tragédia/comédia. Cabem trocentas interpretações simbólicas para essa escolha, todas válidas. Essa é, de longe, a melhor obra do Kaufman. Se vivo o Borges estivesse, levantaria felizão os dois thumbs. (e sim sim, esse filme tem o melhor elenco feminino da década).

Tó aí outro grande pedaço de arte advindo do medo da morte. Esse aqui, ao contrário do de cima, não é só angústia  e se permite esboçar até uma solução. O mais diferente do Aronofsky, e seu melhor portanto. E, aos que não acharam, a explicação de tudo tá lá, inteirinha no roteiro.

Gosto muito, mas muito mesmo desse.  O mesmo tanto que gosto de todos os outros do Anderson. Tem aquela mancha lá que atende pelo inominável nome de *blip*, brazilian singer/songwriter que Jesus! conseguiu fazer o papel de background mais incômodo de todos os tempos. Mas quem se incomoda tanto com isso quando o Bill Murray tá sendo irresponsável o tempo todo, enquanto a Cate Blachett está inacreditavelmente bonita? E a sequência toda envolvendo os piratas foi das mais divertidas de se assistir nessa década. E aquele Zombies disparado perto do fim faz esquecer todos os “zero a zero, você venceu/passe amanhã e pegue o que é seu”.

Só pra constar: o Winterbottom é um diretor que merece figurar entre os nomes do A-team como todos os que estão lá justamente (assim como todos os diretores citados nessa lista). Assim como o Tristram Shandy, ele fez uns outros três filmes da mesma qualidade para ocupar essa lista, cada um mais diferente que o outro (Code 46, 24 Hour Party People e In This World pululam aqui). Só que esse é a adaptação de um dos melhores livros de todos os tempos, e um tão infilmável que até conseguiu uma adaptação bem próxima do material original, só porque o Winterbottom teve a idéia genial de se ater ao principal da obra: o humor e a auto-referência à maneira de se construir a obra. E os narizes também.

Todo mundo gostou que só quando saiu, ninguém lembrou depois. :( Vi de novo esses dias e ainda continua sensacional, um dos grandes do Neil Jordan, tão massa quanto The End Of Affair. Para preencher esse último lugar, considerei três possibilidades similares, porque Ireland-themed-movies são uma das coisas mais bacanas do cinema RBD da Europa: The Wind That Shakes the Barley e Blood Sunday foram as outras opções. Tão ótimos quanto o escolhido, mas sérios demais. Breakfast foi mesmo uma das abordagens mais originais da questão toda.

Acho uma tremenda de uma contribuição prum cânone que contêm Altman, Kubrick, Pontencorvo, Fuller, Nichols, Resnais e Copolla. Sam Mendes e O. Russell (com Três Reis) são uns novatos que devem encher de orgulho os tiozão.

Tá vendo a tagline? É bem isso mesmo. O Shane Carruth fez em sua estréia um filme tão genial (o uso dessa palavra aqui é sempre abalizado, nunca gratuito) que deve ter gastado todos os continues de uma possível promissora carreira como cineasta só nesse aqui. É tanto que, mesmo quase seis anos depois da sua estréia, sua página no IMDB continua sem qualquer atualização. E tanto esforço colocado num só filme apenas para espanar anos de vícios de má-ficção de cima desse roteiro. Por isso, Primer pode passar a impressão de ser um documentário hiper-realista sobre as experiências de um grupo de cientistas, em que você não tem o direito de interferir no que está assistindo, nem os personagens sentem a menor obrigação de explicar o que está se passando, porque, entre eles, qualquer explicação é desncessária. Quem assiste, tem que se esforçar para tentar alcançar o mesmo nível. Essa equiparação de conhecimento é a mesma coisa que a busca pela empatia necessária para se extrair o máximo da experiência de ver um filme. O fato de Primer ter instigado essa vontade em seu mais elevado grau o torna um dos exemplos mais completos de cinema. Melhor ainda que os personagens sejam gênios: a equiparação demanda múltiplas assistidas. Se você ainda não leu por aí que Primer é sobre *******, só vai notar que é o que é próximo dos créditos finais, e vai ser uma das sensações mais massas que um pode sentir depois de ver um filme.

Esse é o mais diferente de todos do P.T. Anderson. Todas as tramas sensacionais que criou existem só para tentar tornar menos óbvia a obsessão com a questão paterna que ele expõe rasgadamente em seus filmes. Hard Eight: reflexo de um pai melhor em estranhos. Boogie Nights: ausência de qualquer atitude paterna (esse só precisa de um take pra mostrar a que talvez seja a principal causa do comportamendo do Diggler: quando a sua mãe grita quando ele avisa que vai embora, o pai é mostrado rapidamente sentado na beira da cama, chorando e impassivo. Mãe castradora + pai ausente = a porn star is born). Magnolia: como os maiores erros de três pais (Jason Robbards, Philip Baker Hall e Michael Bowen [pai do quiz kid]) influenciaram negativamente a vida de todos os seus descendentes de maneira tão pesada, que nem os unrelateds que se aproximaram conseguiram ficar imunes. Mas em todos esses, ocupando sempre um pequeno segundo plano, há uma história sincera de… errr… amor. Não importa a sujeira em que seus personagens estejam envolvidos, o amor vai lá e redime uma penca de coisas. Daí que ele fez Punch Drunk-Love pra expiar em um só filme todo esse romantismo que antes só nascia do pecado. Criou um dos filmes mais puramente românticos do cinema. Ela de vermelho, ele de azul. Ele se envolvendo em brigas como um guri de oito anos para provar que a ama. Ela aceitando todos os defeitos dele, sem nenhum julgamento. Eles se encontrando no meio do caminho. O P.T. só tratou de deixar as coisas um tanto mais estranhas que o comum (a trilha sonora imprevisível, o bonito uso de “lens flare”) para evitar que se pensasse que tudo isso é clichê. Nem é. São as coisas onipresentes mesmo em todo o processo de ajuntamento de seres, expostas de maneira única. Só para se ter uma idéia de quanto o Punch Drunk-Love é expiação, o There Will Be Blood não tem uma nesga de qualquer sentimento similar, nem em 15° plano. E o father issues nesse foi explorado da maneira mais escancarada e absoluta possível. Um carola tortinho e genial demais esse Anderson.

Aquela sequência da pedra caindo no fundo da piscina é clássica demais. Esse é o meu filme  favorito de one-last-job. O mais bem atuado, com o Ben Kingsley sendo freakin’ scary e o Ray Winstone distribuindo carisma a granel; e o mais bem escrito e dirido. Birth, o filme posterior do Jonathan Glazer, é tão sensacional (e completamente diferente) quanto esse.

Faz um tempo desde que eu vi esse pela última vez. Mas vale a mesma desculpa para justificar refilmagens já usada a favor de Funny Games: essa história é sensacional demais e deveria ser refilmada toda vez que uma significativa invenção tecnológica no campo fosse desenvolvida. Ainda quero ver a versão 3-D Imax desse.

Tão sensacionais quanto todos esses que merecidamente ocuparam o posto de melhores pt.II

Publicado em Cinema por Tiago Lopes em janeiro 4, 2010

David O. Russel nunca decepcionou as tias que deve ter. Filmografia toda massa, os elencos tudo bullet proof, os roteiros passando ao largo das obviedades. Se só fez Huckabees em toda essa década, fez tão bem feito que pode ser visto ao menos uma vez por ano, sem passar qualquer sensação de reprise.

Quando vi pela primeira vez, ri bastante e achava que era a comédia mais estranha e rápida e inteligente que eu já tinha visto na minha então adolescente vida (George Clooney tão patetão [estranho], aquele discurso que ele faz na convenção, enganando as audiências todas, elevando as emoções baratas das tias, pra depois jogas as véias no “WTF”  e animar repentinamente os ensejos anti-cafonas das pessoas de bem [genial]). Ai vi mais filmes na vida e acho que esse tá lá no alto escalão das screwball comedies, e uma kind of unique, já que tem aquela piada engraçadona do Cedric, the Entertainer (i’m gonna nail your ass!) que eu curto que só.

É o melhor filme italiano da década, baseado nuns 10 que eu vi. E posso dizer na quebrada das certezas que esse é um dos meus favoritos de todos los tiempos. Pelo seguinte: quando um filme sabe que vai durar por mais de cinco horas, tem que que ter estofo, tem que ter malemolência. Esse tem tudo isso, mais Jasmine Trinca. Esse aqui usou como ponto de partida o início da fase Fonzie de dois irmãos, por isso o título. Mas o filme segue os dois até a velhice (quando pode), só mostrando os turning points definitivos desse grande palco que é a vida né Hebe. O genial aqui é como ele cria de maneira sensacionalmente natural os diálogos desses encontros. Exemplo maior é como cada um conhece suas futuras senhoras. Em 10 linhas de diálogo, de uma conversa bem banal, você já prevê os jantares de fim de ano em família, a formatura dos rebentos, os cuddling time. É um filme bonitão, de vera.

A edição que foi feita nesse filme só existe nele. Os cortes são tão abruptos e só acontecem depois das piadas,  que é pra deixar geral engasgada. Foi aqui que comecei a gostar de vera da Jennifer Jason Leigh, lembrar de todos os 10 últimos filmes que ela fez, assistir a última temporada de Weeds  (tremendo sacrifício) só pra ver a cara de recently awake que ela faz o tempo inteiro. E Nicole Kidman tá tão bonita nesse, tão ALCANÇÁVEL.

Ainda é meu Pixar favorito, mesmo com toda a ameaça posterior a esse posto. Sei tudo decorado desse, dublado e legendado :D

There, i said it. E nem é pra preencher cota, nem pra PRESTIGIAR. É porque o Jorge Furtado me parece ser o único cineasta brasileiro que já leu outros livros além dos da library thing do renato russo. E nem adianta falar dos atos escusos dessa pessoa pra tentar denegrir o trabalho massa do rapaz. Pô, sabe montar um roteiro com enredo! Conta aí nas mãos do lula quantos filmes bananões cê viu nessa década com enredo. Melhor, desde sempre?

Melhor capítulo da melhor trilogia do decênio (podia ser a próxima alcunha da casa né? “Do Decênio!”). Tudo bem que é sempre bom ver um filme de roubo sofisticado por dentro e por fora, com um roteiro intrincado movimentado pessoas bem vestidas em cenários bonitões. Ocean’s 12 só garante os dois últimos, mas o jeito “na marra” como as coisas se desenrolam aqui (a briga no trem pela mala, as mutretas óbvias pra ferrar os 11 no ínicio do filme) são até uma novidade no gênero, on top DAQUELA piada da Julia Roberts (imortal demais) e de uma coisa jamais feita em filmes do gênero: mostrar como os gatunos gastaram os diñeiros afanados. E a melhor trilha sonora da década enfeitando tudo.

Quero nem entrar na discussão do W.A. dos nowadays, porque, no mínimo, acho tudo bacana. Mas Scoop feat. Scarlett Johansson numa das atuações mais tetéias de se ver. O ser humano tem que sapecar um cinco estrelas nesse filme, nem que seja só pela presença goofy da Shangri-Lá das poluções noturnas.

BALLS all over it.

Quando eu vi pela primeira vez, só conseguia lembrar do David Lean. Achei uma homenagem bonita à TRADIÇÃO do cinema. Desde o início, o Fincher fica piscando pra gente que é essa a intenção inicial, com um ripoff sincero de uma cenas icônicas aí (lembro agora da trilha de Days Of Heaven, do Lawrence da Arábia na motoca). Nenhum filme foi tão necessariamente quadrado como esse nesses tempos últimos. E ainda me pergunto como as pessoas se impressionaram pouco com o desenrolar da premissa desse filme. Adaptado, vá lá, mas tão bem escrito e filmado gents.

Tão sensacionais quanto todos esses que merecidamente ocuparam o posto de melhores pt.I

Publicado em Cinema por Tiago Lopes em janeiro 2, 2010

O melhor dos raros westerns que apareceram nesses últimos dez anos. Sem qualquer vontade de reinventar o triciclo, seguiu fielmente tudo o que deve ser seguido para se criar um WESTERN. O herói, o vilão, o senso familiar, tudo estritamente dentro dos seus limites clássicos. Até o figurino foi criado para ecoar os trapos bem cortados que o John Wayne & co. já usaram tantas vezes.

Esse aqui eu consegui assistir na última sessão do último dia em que foi exibido no cinema local. Já entrei na sala com a vontade de aproveitar tudo em um grau bastante alto porque era o meu primeiro Altman em película, plus, AQUELE fator. Tratei meus olhos como um pimp trata sua bitch: de maneira cruel e exagerada. Passei o filme inteiro tentando prestar atenção em todos os detalhes da tela, enquanto chorava em umas partes bonitas. Ao final, sentia que uma dor de cabeça tentava se fazer notar mais que a sensação de “cristo! que massa” que eu passei a semana toda curtindo. No ano seguinte, outros dois morreram e achei exagerada a atenção que eles receberam, pouco dada a alguém consistentemente melhor como o Altman.

Tão exato e estranho e sensacional que o único porém que incomoda enquanto se assiste é o fato de ser pouco conhecido. Nada legal falar de qualquer ponto da história, até dizer que segue caninamente a cartilha do noir já é entregar alguma coisa, mesmo que a graça de todo clássico desse gênero nunca seja o segredo mesmo (yep, this here -> classic stuff).

Melhor vídeoclip da década. E se aquela sequência da dança nas taças do II estivesse nesse, toda a graça da MTV estaria ripada em duas horas de unstoppable awesomeness.

Quando eu vi pela primeira vez, achei difícil distinguir onde o Sorkin e o Nichols começavam e terminavam ao longo desse filme, já que os trabalhos dos dois seguem parâmetros bem definidos e, anteriormente, com pouquíssimas áreas de intersecção. Vi de novo e notei que a novidade é fazer safadeza e boa política se cruzarem de uma maneira crível e aproveitável. Tem também os 100% de acerto das piadas.

O mais massa desse é a cenografia escolhida para fazer com que a tentativa de se estabelecer o tempo em que se passa a ação leve em consideração ao menos um século inteiro. Tem também a história, que se esforça para passar uma MENSAGEM, mas que o diretor fez por bem em minar o tom de parábola. The Zombies e Evelyn Waugh all over it. E uma sequência de tiroteio no final melhor que todas as de Public Enemies.

Há uns posts atrás, justifico esse aqui.

O Daniel Burman tem um timming pra piada que é bacana demais porque elas sempre surgem de lugar nenhum. Não existe uma preparação ou um acúmulo de sequências que vá descambar em um RISO SINCERO. Quando provoca, é inesperadamente, às vezes em um momento deveras inconveniente. E ele ainda tá lá, no seleto grupo composto pelo Anderson e pelo Baumbach, como uma das pessoas que melhor soube tratar da famiglia como tema na década que se foi. Assim = filmografia 100% aproveitável.

Como foi refilmado, e ainda assim continuei curtindo altos, acho que essa história é que nem aquela que serviu de base para His Girl Friday e The Front Page: tão massa que merecia uma refilmagem decente de quando em quando, sem qualquer prejuízo ao seu tchan original. E esse só está aqui por todos os outros Haneke’s foram bem lembrados.

Esse funciona melhor que os outros porque não desperta aquele questionamento estranho de “rá! nunca o Seth Rogen ia catar a mina de gray’s anatomy, nem se ela tivesse tomado três ypiócas e comido uma galinha a cabidela”. Ou “Steve Carrell e Catherine Keener? Get out of here!”. Além de ser ligeiramente mais engraçado que os anteriores do Apatow, ele conseguiu resumir malabaristicamente bem material para uns três filmes diferentes. As sub-tramas aqui são tão boas quanto a principal, mesmo sendo tantas.

Causa maior de arrependimento no porvir

Publicado em Sem-categoria por Tiago Lopes em dezembro 29, 2009

Nessa década, recorreu-se bastante à figura do anti-herói sob a justificativa de aproximar o homem comum do fruto da sua imaginação mais boazinha. O conceito já tenta apresentar a sua existência fazendo uso de um prefixo que quer eliminar sozinho a noção de “herói” acimentada por séculos altos nas cabeças das pessoas todas. Tá claro que chamar esse tipo de personagem de “anti-heroi” é insistir num equívoco besta. A noção limpa e esterilizada de “herói” é a noção correta e exata. Recorrer a um “anti” para denominar essas figuras que guardam características tortas – comportamento levemente heróico, mas um cheio de brechas, preenchidas por falhas comuns a gente comum – de um herói não só não é suficiente, como o uso indevido e exagerado do termo será visto pelos futuros autores de documentários da BBC sobre esses tempos que acabam de passar como um dos equívocos mais engraçados da humanidade. Tão engraçado quanto elogio ao Philip Roth pós-2004 e surgimento do viagra.

(O uso indevido da epifania em séries de tv também será devidamente condenado daqui a alguns decênios. Por enquanto, a gente segue gostando, se entretendo com o esforço dos roteiristas em criar enredos intrincados para, em segundos de expressão facial jizz in my pants, dar high-fives em toda a galera e proclamar o fim do dia).

Publicado em Sem-categoria por Tiago Lopes em dezembro 23, 2009

rá-rá

(daqui)

Q & A

Publicado em Cinema por Tiago Lopes em novembro 28, 2009

O quiz é daqui.

1) Second-favorite Coen Brothers movie.

O Brother, Where Art Thou?, depois de The Man Who Wasn’t There.

2) Movie seen only on home format that you would pay to see on the biggest movie screen possible? (Question submitted by Peter Nellhaus)

The Shining. Se eu tivesse uma lista de coisas essenciais para fazer antes de morrer, essa estaria entre elas.

3) Japan or France? (Question submitted by Bob Westal)

Não que eu me importe muito, mas França.

4) Favorite moment/line from a western.

Tudo de Once Upon A Time In The West. Um dos poucos filmes em que todos os frames e todos os diálogos foram lapidados à perfeição.

5) Of all the arts the movies draw upon to become what they are, which is the most important, or the one you value most?

Direção de fotografia.

6) Most misunderstood movie of the 2000s (The Naughties?).

It’s All About Love.

7) Name a filmmaker/actor/actress/film you once unashamedly loved who has fallen furthest in your esteem.

Se já curti altos, não deixo a chama apagar depois, por mais que o objeto de apreciação se esforce em me provar o contrário. Ia dizer Kate Hudson, mas a mina tá em Nine né? Já se redimiu.

8) Herbert Lom or Patrick Magee?

Patrick Magee. Trabalho com o Kubrick ainda está todo intacto.

9) Which is your least favorite David Lynch film (Submitted by Tony Dayoub)

Como a pergunta denota ao menos um pouco de favoritismo, Duna não conta. Então vai de Wild At Heart.

10) Gordon Willis or Conrad Hall? (Submitted by Peet Gelderblom)

Nem pisquei: Gordon Willis.

11) Second favorite Don Siegel movie.

Dirty Harry.

12) Last movie you saw on DVD/Blu-ray? In theaters?

DVD: Carnal Knowledge / Cinema: 2012

13) Which DVD in your private collection screams hardest to be replaced by a Blu-ray? (Submitted by Peet Gelderblom)

Once Upon A Time In The West :D

14) Eddie Deezen or Christopher Mintz-Plasse?

Minha geração tá mais bem servida: Christopher Mintz-Plasse.

15) Actor/actress who you feel automatically elevates whatever project they are in, or whom you would watch in virtually anything.

Daniel Day-Lewis.

16) Fight Club — yes or no?

HELL YEAH!

17) Teresa Wright or Olivia De Havilland?

Vi quase nada das duas, mas fico com a Teresa, por conta de Shadow of a Doubt.

18) Favorite moment/line from a film noir.

Clifton Webb all over Laura.

19) Best (or worst) death scene involving an obvious dummy substituting for a human or any other unsuccessful special effect(s)—see the wonderful blog Destructible Man for inspiration.

Qualquer morte filmada pelo Godard.

20) What’s the least you’ve spent on a film and still regretted it? (Submitted by Lucas McNelly)

Paguei só dois contos pra ver Lavoura Arcaica, mas jamais me arrependeria de pagar pouco, mesmo que fosse por um filme como esse.

21) Van Johnson or Van Heflin?

Nem conheço nada deles :(

22) Favorite Alan Rudolph film.

Trouble in Mind.

23) Name a documentary that you believe more people should see.

Err… Coutinho né? Tudão assim.

24) In deference to this quiz’s professor, name a favorite film which revolves around someone becoming stranded.

Interiors.

25) Is there a moment when your knowledge of film, or lack thereof, caused you an unusual degree of embarrassment and/or humiliation? If so, please share.

Ver Tropic Thunder no cinema e rir sozinho de 4/5 das piadas foi meio vergonhoso. Dizer que curto altos o Will Ferrell em certas companhias provoca uns “pfff” bem mocorongos também.

26) Ann Sheridan or Geraldine Fitzgerald? (Submitted by Larry Aydlette)

Sou burrão, nunca vi nada de nenhuma das duas.

27) Do you or any of your family members physically resemble movie actors or other notable figures in the film world? If so, who?

Aqui em casa, só meus gatos lembram gente famosa.

28) Is there a movie you have purposely avoided seeing? If so, why?

Tropa de Elite. Drogas, Rio de Janeiro, Wagner Moura. Pfff.

29) Movie with the most palpable or otherwise effective wintry atmosphere or ambience.

McCabe and Mrs. Miller.

30) Gerrit Graham or Jeffrey Jones?

Jeffrey Jones!!

31) The best cinematic antidote to a cultural stereotype (sexual, political, regional, whatever).

The Naked Kiss.

32) Second favorite John Wayne movie.

The Man Who Shot Liberty Valence, depois de Rio Bravo.

33) Favorite movie car chase.

Bullit, por ser tudo aquilo e pela ausência de trilha sonora. Death Proof, pela sexiness do grrrl power. We Own The Night, porque poucos citam.

34) In the spirit of His Girl Friday, propose a gender-switched remake of a classic or not-so-classic film. (Submitted by Patrick Robbins)

Jules et Jim, hã hã?

35) Barbara Rhoades or Barbara Feldon?

Também vi pouco dessas, mas Barbara Feldon ganha no beauty contest.

36) Favorite Andre De Toth movie.

Nunca vi nada dele :/

37) If you could take one filmmaker’s entire body of work and erase it from all time and memory, as if it had never happened, whose oeuvre would it be? (Submitted by Tom Sutpen)

James Cameron.

38) Name a film you actively hated when you first encountered it, only to see it again later in life and fall in love with it.

The Ice Storm.

39) Max Ophuls or Marcel Ophuls? (Submitted by Tom Sutpen)

Ambos ainda inéditos pra mim.

40) In which club would you most want an active membership, the Delta Tau Chi fraternity, the Cutters or the Warriors? And which member would you most resemble, either physically or in personality?

De nenhum desses, mas do The Dandies. Creio que o meu eu tá paralelo com o do Dick Dandelion.

41) Your favorite movie cliché.

Punch lines dos good guys.

42) Vincente Minnelli or Stanley Donen? (Submitted by Bob Westal)

Stanley Donen \o/

43) Favorite Christmas-themed horror movie or sequence.

Vale Bad Santa?

44) Favorite moment of self- or selfless sacrifice in a movie.

Self: Casablanca. Duh.

Selfless: Milo Minderbinder em Catch 22.

45) If you were the cinematic Spanish Inquisition, which movie cult (or cult movie) would you decimate? (Submitted by Bob Westal)

The Rocky Horror Picture Show. Uma bosta.

46) Caroline Munro or Veronica Carlson?

Tough choice, mas vou de Caroline pelo fator brunette.

47) Favorite eye-patch wearing director. (Submitted by Patty Cozzalio)

Passo.

48) Favorite ambiguous movie ending. (Original somewhat ambiguous submission—“Something about ambiguous movie endings!”– by Jim Emerson, who may have some inspiration of his own to offer you.)

2001: A Space Odissey. Putz, desde sempre questionando “what the eff was that”?

49) In giving thanks for the movies this year, what are you most thankful for?

Eu queria agradecer pela vontade de trabalhar do Soderbergh, mas não vi nenhum dos trinta e dez filmes que ele lançou em 2009.

50) George Kennedy or Alan North? (Submitted by Peet Gelderblom)

George Kennedy, por pegar uns papéis coadjuvantes essenciais.

Oh, the glory!

Publicado em Cinema, Literatura por Tiago Lopes em novembro 23, 2009

The Wall Street Journal: People have said “Blood Meridian” is unfilmable because of the sheer darkness and violence of the story.

Cormac McCarthy: That’s all crap. The fact that’s it’s a bleak and bloody story has nothing to do with whether or not you can put it on the screen. That’s not the issue. The issue is it would be very difficult to do and would require someone with a bountiful imagination and a lot of balls. But the payoff could be extraordinary.

–>Zíbia Gaspareto, bate um fio pro Sergio Leone agora!