30 de fevereiro
O dia 30 de fevereiro só existe em um único lugar: no inferno. Porque só lá que ninguém se sente sacaneado por alguém acrescentar um dia a mais num mês que, às vezes, chega a ter até 3 dias a menos que tantos outros. Daí que, por essa data só existir naquelas pradarias, ela é comemorada de uma maneira especial por lá, tipo um 4 de julho ou um 7 de setembro, só que com um dono-da-brincadeira bem mais humorado e com umas roupitchas mais pra Evil Dead e menos pra documentário do Michael Moore . As comemorações consistem em: toturar um a um, todos os pecadores que cruzaram com a morte e garantiram sauna de grátis, banho térmico e bronzeamento articial pra eternidade.
Os métodos de tortura costumavam variar de ano em ano. Mas, a partir de 1599, o dono-da-brincadeira achou a forma de tortura perfeita. Antes disso, uma das favoritas do Boss era apertar os mamilos dos torturados, assim ele sujava pouco e provocava tanta dor quando uma chicotada nos bagos (jack bauer e algozes do double-o-seven, aprendam com quem pratica muito antes do nascimento de baby jesus), mas todo mundo já sabia disso, e o fator expressão-de-supresa-na-cara-dos-bonzeados-for-a-lifetime desapareceu. Lá estava os demoniozinho, tudo feliz, “vou apertar teus mamilos” e o torturado jogando a cabeça por cima dos ombros e caindo num sono profundo ao som dessa ameaça. Mas, como eu ia dizendo, em 1599 foi criada a solução para todos os problemas de Satã, uma solução que vai durar, no mínimo, até a primeira fase do Apocalipse: a criação de Natal (a cidade, não o aniversário do Papai Noel [onde quem ganha o presente é VO-CÊ!]).
Depois que a cidade foi criada, e seus primeiros moradores foram morrendo, eles começaram a espalhar sua (de Natal) já arraigada má fama pelos corredores subterrâneos da Terra. O dono-da-brincadeira resolveu olhar por si mesmo, mas não aguentou cruzar com mais de 6 passantes e andar por mais de 2 ruelas (até porque não haviam mais do que 6 pessoas e 2 ruelas pra se ver naquela tempo, nesta cidade) sem sentir uma incontrolável vontade de inventar a maneira mais eficiente de eliminar “tudo” isso (e inventou, mas o poperô só foi usado no final dos 80’s, quando todo mundo já estava anestesiado contra seus efeitos devastadores). Ai, ele, o que veio pra matar, roubar, destruir e desvirginar a Cher, criou o tipo de tortura perfeita depois dessa rápida passagem pela so-called cidade do sol: perguntar a cada pecador o que ele iria querer no dia 30 de fevereiro, se uma apertada nos mamilos ou um breve passeio por Natal.
Os primeiros alvos da experiência foram muito bem enganados, e deixaram o algoz do pai de baby Jesus muito feliz, sadicamente feliz, com suas caras de decepção depois de um dia perambulando por Natal. A grande maioria preferia, inclusive, levar um squeeze-my-nipples do que andar de carroça por aquelas ruas excessivamente ensolaradas. Os séculos foram passando, os escritores ruins se multiplicando e nada mudou desde então. Aliás, houve uma mudança num pequeno detalhe. Em 1959, aquele que inspirou o melhor da Divina Comédia, via TV e teve a sua mais destrutiva idéia desde que inventou o pós-modernismo: se transformar em Chacrinha enquanto está apertando mamilos de toda uma gentalha. Tudo ficou pior pra quem pecava depois de 1959, ninguém sabia quais das duas opções eram mais terríveis, passar o dia 30 de fevereiro em Natal ou ter alguém cumprindo a seguinte esacala de maldade: “TEREZIIIIIINHA!!”; SQUEEZING-NIPPLES; RISADA SÁDICA (tipo a britney no início de gimme more). Morar em Natal provoca essa estranha sensação de ter alguém vestido de Chacrinha sempre apertando os seus mamilos, só que, ao invés de dor, tudo o que se sente é o tédio dos moradores do inferno pré-1599.
Depois do cafezinho…*
Pois é, só nessa semana vi dois filmes do Godard, porque estavam ao alcance e eu não tinha nada melhor pra fazer mesmo (a não ser tocar maracas com uma flor na boca, mas faltou o figurino necessário). Os filmes foram Bande à Part e Pierrot Le Fou. O único filme dele que tinha visto anteriormente foi o Acossado e, vendo mais esses dois, notei que todos os três possuem um mesmíssimo fiapo de trama: alguém sempre está correndo de alguma coisa. Há toda uma necessidade de mostrar pessoas correndo. Pra Godard, ao que parece, pessoas correndo são mais atraentes do que uma narrativa com começo, meio e fim. Aí ele sempre usa a mesma desculpa: alguém com uma arma está correndo atrás de um casal (ou de uma suruba implícita de dois caras e uma garota) por causa de grana.
Achei a correria de Acossado e Bande à Part toda besta e o final desses filmes me deixaram com uma sensação de vergonha alheia: no primeiro, foram os cortes que criaram toda a estética MTV que neguinho adora reclamar (explico mais sobre isso em outro post); no segundo, Godard criou a pior cena de morte por tiro da década (de 60), precedida da pior cena de perseguição. Não que esses filmes sejam completamente inúteis, ninguém faz história com obras completamente inúteis (tá, alguém vai lembrar de paulo coelho daqui há 50 anos?). Em Acossado, gostei de verdade de todas as cenas em que a Jean Seberg apareceu (mérito só dela), e o Bande à Part tem aquela cena da dança no bar, em que a Anna Karina coloca um chapéu e mexe os ombros de maneira delicada e fica toda bonita ao som de uma ótima música (tem isso também: Godard sempre acerta na trilha sonora). Essa sequência já é fácil uma das minhas favoritas.

Anna Karina (e dois roberts) arrepiando no dancefloor em Bande à Part
Mas queria mesmo falar do Pierrot Le Fou. Esse também tem pessoas correndo, e uma delas é o Jean Paul Belmondo (aquele em que o cigarro não é um opcional, veio de fábrica mesmo) e a outra é a Anna Karina. O filme é em cores, não um colorido tradicional, mas algo onde as roupas dos personagens combinam até com a maçaneta das portas. Tudo é muito bem iluminado e tudo salta (ploft!) aos olhos. E, quando o casal dá aquela paradinha pra descansar (sempre acontece), não falam pedantismos, mas coisas engraçadas de verdade, e todos os planos são absurdamente bonitos, principalmente os que enquadram a Anna Karina. Enfim, esse foi o primeiro filme do Godard que eu vi que me fez enxergar, finalmente, what the fuzz is all about, mesmo esse sofrendo da mesma deficiência dos anteriores: a quase completa ausência de enredo. Mas os diálogos são ótimos, qualquer coisa é motivo de (boa) piada, da trilha sonora às citações de escritores, e a Anna Karina está realmente linda nesse filme.

Anna Karina, em momento pré-vagaba, no filme Pierrot Le Fou
Se eu já citei esse major detalhe anteriormente e fico aqui me repetindo, é porque a grande graça do filme é essa mulher mesmo. E ela ainda dá uma de vagaba no final, só pra ficar mais memorável. Porque, assim, mulher coadjuvante em filme só é memorável mesmo quando dá uma de vagaba. A Claudia Cardinale era toda agradável em ERA UMA VEZ NO OESTE (grandes filmes merecem ser citados em caps lock), mas só se tornou memorável quando ficou vagaba e deu pro Henry Fonda, that lucky bastard.
*Ludy, obrigado pela ótima acolhida, os copos de café, os pãezinhos de queijo e a ida ao pitombeira e à gentilândia.
Why Not?

Da Década: o melhor em recepção calorosa!
Por que? Porque até o Zé Dirceu tem um. Difícil viver num mundo que você sabe que qualquer um tem, menos você. A moça da cigarreira da esquina tem um, onde conta os causos de sua atribulada vida nos fins de semana, quando os pedreiros recebem o deles e vão gastar em frente a banquinha dela. Tá lá: pedreirosmorram.blogspot.com. E também por causa de todo o tédio que essa cidade tem me provocado (calma natal, esse ainda não é um mérito seu). Reconheço que está sendo difícil terminar, ao menos, o primeiro post, com uma horda de ignóbeis bebendo e gritando dois andares abaixo e a minha bexiga incontrolável depois de meio litro de leite. Esses dois andares são responsáveis por todo um mísero traço de sanidade mental. Obrigado dois andares, you guys will be in my heart.
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Tô lá eu em toda mesa de bar (ou em outras mesas em que uma discussão sobre tal obra esteja em curso) dizendo que a cena daquele filme é a melhor da década. Achava que ninguém notava, mas notaram (é a graça de andar com pessoas civilizadas) e fizeram piada desse cacoete e eu nunca tive a oportunidade de dar a minha versão dos fatos (que, claro, é a melhor da década e mesmo assim, ninguém se interessa). Seguinte, quando eu leio, ou vejo ou ouço, algo de que gosto muito, tenho aquela vontade de extrair uma graça única dessa obra, algo que a diferencie das outras. Aí eu sempre destaco: o melhor 1° ato da década (Atonement), o melhor vocal de voz anasalada da década (Beyond The Horizon), o melhor filme de ficção científica feito-a-custo-de-puta-do-interior da década (Primer) e por aí vai. Eu nunca, nunca, repito justificativas. É mais ou menos isso aí. Durante a vida útil desse blog, sempre vai aparecer um da-década pra facilitar comparações e reduzir resenhas a aforismos.
Ainda espero algum filme ruim de uma Scarlett Johansson decadente e de peito de fora pra eu poder dizer que esse é o melhor filme-ruim-de-atriz-decadente-de-peito-de-fora da década. Não pense que esse título será dado a ela assim, sem maiores concorrentes. O páreo vai ser duro: quando a Scarlett estiver decadente, a Jennifer Connelly também vai estar, e a Monica Belucci, e a Bryce Dallas Howard, criando, assim, uma profusão de boobs out in the jungle. O páreo vai ser duro, duríssimo!
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Aqui, diferentemente daquele outro site, vou poder usar o pronome eu sempre que achar necessário. Eu eu eu eu eu eu. E sempre escrever o que eu (yeah!) quiser, e sempre esperar por comentários dirigidos somente a eu (alguém mais ouviu o baque que o corpo do Pasquale fez quando caiu no chão?).
Enfim, olá pessoas que foram agraciadas com o link desse digníssimo espaço, olá pessoas que, 5 anos depois da criação do mesmo, estão lendo todos os arquivos e decidiram começar pelo começo (ao contrário de Irreversível, Amnésia e desfiles de lingerie abrindo a temporada). Bem vindos.
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