Da Década!

A Quick One, While He’s Away

Publicado em Cinema por Tiago Lopes em Fevereiro 29, 2008

Lo Que Sea #2

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“It just came, you know. It started with that La Bamba riff.”

Bob, o Dylan, sobre Like a Rolling Stone.

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Ó, essa é uma imagem do George Clooney e da Frances McDormand em Burn After Reading, sucessor de No Country For Old Man na filmografia dos Coen Bros. Vai estrear em Cannes no dia 14 de maio, seguido de algumas das seguintes resenhas:

Burn After Reading

“É um Coen menor, na categoria de Intolerable Cruelty, mas não tem afiado quanto este, ainda que seja ligeiramente superior a The Lady Killers. Mas um deslize justificável depois do ainda retumbante sucesso de No Country…

- A.O. Scott, New York Times

“A violência aqui não é tão explícita quanto nos lixos anteriores saídos das mentes insanas daqueles pscicopatas travestidos de diretores de cinema, os irmãos Coen. Mas, ainda assim, é o que de mais brutal já se produziu na América desde Little Miss Sunshine: a humilhação é, aqui, o equivalente ao sangue espalhado nos corredores das escolas públicas americanas, de jovens que morreram por mãos de outros jovens que, por sua vez, se alimentam desse tipo de entretenimento, gerando com isso, um círculo semiótico vicioso, capaz de atingir até mesmo as mais altas esferas do Partido dos Trabalhadores”

-Arnaldo Jabor, O Globo

“Five Thousands Thumbs Up!”

-Roger Ebert, Chicago Sun-Times

“Olhar 43 pra peruca da Frances.”

-Te Dou Um Dado?

“E todo mundo dizendo que eles possuem uma carreira irregular. Onde raios se encontra o ‘irregular’ nessa filmografia? The Lady Killers foi a única refilmagem que eles fizeram, o que já os isenta de alguma culpa (go on, blame Alec Guiness). Todos os outros filmes são, no mínimo, ótimos. E por ‘ótimos’, em alguns casos, eu quero dizer ótimas comédias criadas com a mesma, digamos, leveza que se espera como resultado final. O que vale para The Private Life of Sherlock Holmes do Billy Wilder, ou Family Plot do Hitchcock, ou qualquer filme do Woody Allen chamado de ‘menor’ (à exceção de Shadows and Fog, que de ‘menor’ não tem nada, é ruim de doer mesmo, mas nada a ver com o fato da Madonna estar atuando, not at all).”

-Tiago Lopes, Da Década!

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Seguinte, todo mundo sabendo que a Scarlett vai gravar um disco (Anywhere I Lay My Head) de covers do Tom Waits, allright? Aí o Bowie, que tá numas ondas de se jogar pra cima da galera mais aparícia (Arcade Fire, TV on the Radio) pra capitalizar mais com a imagem deles e não fazer nada com sua carreira, já se auto-convidou(?) pra dar uma palhinha nesse disco. Além dele, o Nick Zinner, do YYY’s, e mais um povo who cares aí. Segunda a Scarlett, o Tom deu um two thumbs up pra coisa toda. Vô discordar do cara?

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Ah! O próximo filme do Woody Allen (o diretor mais odiado pelos atualizadores do imdb) vai ter o Larry David (um dos criadores de Seinfeld e dono de Curb Your Enthusiasm, tá bom né) e aquela dilícia da Evan Rachel Wood!! Uepa!

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Domingão, eu volto aqui com algo sobre LITERATURA, para deixar esse espaço mais diversificado. E também com a couple of lists. Vai lá naquela festinha lá de cima, vai. Vai que vai ser legal. Vai!

Don’t Follow Me On The Fuckin’ Twitter

Publicado em Oscar por Tiago Lopes em Fevereiro 26, 2008

Javier Pillow
Um dos itens de qualquer wishlist que eu venha a fazer na vida: um travesseiro de Anton Chigurh

O.k. o.k.! Falei que voltava na segunda e vocês acreditram né? Pois é, o Oscar esse ano foi até legal, mas custava dar a porra do prêmio de melhor direção pro PT? Esse ano SERIA a consagração das mentes mais tchans do cinema americano caso PT ganhasse por melhor direção, mas não rolou. Quando ele lançar um filme com personagens vestidos de cocô rosa, aí sim ele será premiado. Mas os Coen arrepiaram, como dito anteriormente. E Atonement só levou trilha sonora e The Counterfeiters levou o de melhor filme estrangeiro (não apostei isso aqui, mas na promoção do cinemark deve me deixar em vantagem).

Curti o fato do Bourne levar três estatuetas, foi o Retorno do Rei de 2008, leva muito prêmio só no terceiro que é pra não deixar passar em branco toda uma (ótima) trilogia. Mas o filme do namorado do Ben Affleck levou todos os técnicos que eu daria para No Country e There Will, as exceções foram direção de arte (o filme das giletadas levou) e fotografia, que o meu palpite foi right to the point.

A Tilda Swinton também foi um bom erro da minha parte, ela sempre aparece pouco nos filmes que faz, mas tem toda uma presença de anita quando dá as caras. E eu errei todos os prêmios que ninguém aposta (talvez por isso mesmo).

Vamos, então, aos melhores momentos da festa:

Melhor discurso:

*Ethan Coen, todo galadinho, ganhado o prêmio de melhor diretor: “I don’t have a lot to add to what I said earlier. Thank you”. Antes, ele havia dito “We, ah, uhn, thank you”.

Melhores reações:

*Frances McDormand assobiando no prêmio de melhor direção e chorando no de melhor filme.

*Seu Cormac McCarthy fazendo cara de “you go guys!!” quando foi anunciado o prêmio de melhor filme.

*Marion Cotillard, é bem aquilo que foi dito aqui.

*As moças que levaram o prêmio de melhor documentário de curta-metragem, Cynthia Wade e Vanessa Roth, realmente mostrando espanto por ganhar um oscar por um documentário, ainda por cima de curta-metragem!! Elas têm e o PT ainda não.

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Zóvens, o Disruptores está atualizado. Lá tem resenhas feitas por moi de Atonement, Juno e The Darjeeling Limited. Go there and make my day. E, se topar com um travesseiro de Anton Chigurh, compra pra eu?

Golden Butt

Publicado em Cinema, Oscar por Tiago Lopes em Fevereiro 22, 2008

Nem queria falar do Oscar porque todo mundo tá falando. E, se todo mundo tá falando do fidel, dos cartões corporativos, da britneyamyparis, seria uma injustiça deixar de abordar também esses temas tãããão importantes para a formação do ser humano enquanto débil. Masss, o ano passado foi todo bom, todo fantasticamente ótimo (é, fantasticamente mesmo). Todos os meus diretores americanos favoritos lançaram suas melhores obras (é o que dizem) numa mesma época e, os que não chegaram lá (Zodiac, The Darjeeling Limited) tem o meu apreço igualmente. Óbvio que There Will Be Blood será o melhor, o clássico, o renovador de estruturas, o pica grossa da temporada, óbvio. E No Country For Old Man também. Então, 2007 foi um ótimo ano.

A última vez que o cinema americano me deu tantas alegrias (uia!) de uma vez só foi na temporada de 1999-2001. Magnolia, American Beauty, Being John Malkovich, Fight Club, The Man Who Wasn’t There, O Brother Where Art Thou, The Royal Tenenbaums, The Sixth Sense, Almost Famous e um eventual ótimo filme do Woody Allen (Sweet and Lowdown, não viu? pois veja seu megana!). E, foi mais ou menos por essa época, com esses filmes, que eu notei o quanto eu gostava disso tudo, inclusive de acompanhar a papagaida toda que envolve a festinha particular, opremiomáximodocinema, a viadagem, o Oscar.

Então, esse ano vai ser dos Coen, porque são indicados ao Oscar desde 1997 e só levaram duas estatuetas (uma pra eles, por roteiro adaptado, e uma pra Frances McDormand, pra evitar inveja entre marido e mulé). Eles inclusive vêm preparando todo um visu respeitável desde o lançamento de No Country…, porque sabiam que subir em palanques seria o lamba-aeróbica deles em 2008. Veja que bigodes bem cortados:

Cormac MacCarthy & the Coen bros.
Cormac McCarthy, Ethan Coen e Joel Coen, três dos maiores >ponha aqui seu clichê favorito< vivos

Logo, os prêmios de melhor filme, ator coadjuvante, roteiro adaptado e melhor edição de som (difícil captar o barulho de uma arma com precisão) irão para No Country. Am I right? Ai você me pergunta e direção professor? E eu te digo que esse é do P.T. e ninguém passa a mão impregnada de suor frio naquele golden butt além dele. O Homem já foi indicado duas vezes por roteiro original (Boogie Nights e Magnolia) e nunca levou nada. Veja o resultado da preparação do cara pra ficar good looking: (PAUSA PARA MOMENTO NELSON RUBENS…)

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Enquanto procurava uma foto bacana do P.T. dei de cara com uma em que ele estava de mãos dadas com a Maya Rudolph. Fiz cara de oh-my-gosh-that-is-so-wild e fui pesquisar mais profundamente. Googlei e o que me aparece? “Rudolph and filmmaker Paul Thomas Anderson are in a relationship, and have a daughter”. Retomei minha expressão de espanto, só que dessa vez em caps lock e com duas exclamações (OH-MY-GOSH-THAT-IS-SO-WILD!!). Esse cara já pegou Fiona Apple e Aimee Mann, logo imaginava que a próxima seria, sei lá, Chan Marshall. Fui pesquisar mais a fundo (imdb) e descobri que ele curte pacas SNL, já tendo, inclusive, dirigido episódios desse que é o melhor programa de comédia das americas há mais de 30 anos. Já achava o Paul Thomas Anderson um diretor que, se fizesse um filme onde os personagens só vestissem cocô rosa, eu iria gostar. Mas além de ser so fuckin’ great o cara ainda tá pegando a minha atual comediante favorita. É aquela coisa, modelo de vida pros meus 30 anos de idade. (RETOMANDO A PROGRAMAÇÃO NORMAL…)

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Paul Thomas Anderson
Paul Thomas Anderson, THE motherfucker

Além de direção, There Will… vai levar melhor ator (porque Day-Lewis já tem um golden butt em casa e o Oscar tá precisando tirar o recorde do Jack Nicholson, que fica por ai dando vexame com essas porras de filmes de merda que anda fazendo), melhor direção de arte (difícil criar um poço de petróleo do nada), melhor fotografia (difícil extrair beleza de um poço de petróleo) e melhor edição.

Atonement vai ser o Babel desse ano (certeza que leva só trilha sonora), apesar de ser infinitamente superior ao filme cucaracha. Ou, posso estar muito enganado, vai papar geral e voltar pra casa com 5 golden butts. Juno leva roteiro original (jura?). Os prêmios de atriz e atriz coadjuvante também já estão nas mãos da Marion Cotillard e da Cate Blanchett (a não ser que o Oscar queira ficar zóven e revolucionário esse ano, ai é Ellen Page e Saoirse Ronan).

Agora vamos a categorias realmente imprevisíveis, aquelas onde a certeza não existe porque ninguém viu nada mesmo (acho que em todo bolão, esses prêmios deveriam ter peso II):

Documentário – Operation Homecoming: Writing the Wartime Experience
Documentário de curta-metragem – Salim Baba
Curta-metragem – The Tonto Woman
Curta-metragem de animação – I Met the Walrus

Meus critérios de seleção para essas categorias são os mais abalizados, sempre escolho os que tem o melhor título ou alguma coisa com “guerra” no meio.

Então, pra vocês que irão curtir o espetáculo na companhia de José Wilker, é bom não se concentrar muito no óculos que ele usa (vem de brinde junto com a melissinha da filha dele). Deve achar que é legal e pega bem (Zé, não é e não pega). As dublagens da grobo também são uma merda e a transmissão da festa só começa depois do bloody paredão. Pra quem vai ficar com o Rubens Ewald, o cara é uma besta, vai passar a noite se lamentando porque Atonement não ganhou nada e vai errar o nome de tooodos os filmes que irão passar naqueles clipes legais de homenagens (acho essas montagens de trechos de vários filmes o melhor da festa). E ladys, sem choro na hora do clipe do Heath Ledger. Segunda eu volto com quilos de olheiras pra fazer um balanço da premiação.

Kit Século XXI

Publicado em Sem-categoria por Tiago Lopes em Fevereiro 21, 2008

O vegetarianismo e o homossexualismo um dia virão numa mesma embalagem para alguns zóvens desse século, tipo “Kit Século XXI: inclui vegetarianismo & homossexualismo”*. Os novos adeptos dessas segmentações agora tão famosas insistem em tratar a sua adesão como se tivessem adquirido à última moda da novela das oito.

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Vendedora: pois não?

A cliente: você teria, por acaso, um vegetarianismo igual ao da camila pitanga? Aquele que ela usou quando fez um barraco no calçadão de copacabana?

V: temos sim, tamanhos p, m e g.

A c: amiga, então embala um “m” pra mim enquanto eu vou na loja aqui do lado saber se tem um homossexualismo igual ao do fábio assunção pra levar pro meu marido.

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Pendurar um sinal de néon verde no pescoço dizendo “sou vegan” não é menos ridículo do que sair por aí dizendo “sou hétero e curto uma vaquinha mal passada”, mas a primeira sentença tem ecoado bem mais que a segunda**. Assim, isso é um problema meu mesmo, achar que todo mundo deveria ser mais low-profile do que realmente é, e por “todo mundo” entenda essas pessoas que fazem paradas gays, festas pró-vegetarianismo, músicas pró-nazismo. Sacou a evolução? “Ai! Mas ele agora acha que ser vegetariano é ser nazista? Quanta ignorância!” Não é isso que eu acho, mas o nível de insitência em tentar se provar como tal desses três grupos de risco (e gritar isso até pra quem tá cagando pra esse tipo de informação) é muito, mas ridicularmente muito semelhante.

Acho que, de todas as manifestações de ponta de esquina pró-alguma coisa que já aconteceram na história, a única que não me parece uma completa perda de tempo (e cartolina) é aquela em que as mulheres queimavam sutiãs em praças públicas e todas usavam mini-saias e todas levantavam os braços e tudo ficava mais pra cima ainda, e isso devia ser legal de ver. E era realmente por uma boa causa. Taí, elas ganharam muita coisa. Em ordem crescente de importância: o tal do sufrágio, grey’s anatomy, sex and the city, desperate housewives e a Sofia Copolla (que, por sua vez, nos deu 5 irmãs de calcinha e uma Scarlett de calcinha).

Mas vocês vegetarianos, estão reinvidicando o quê quando colocam aquela folhinha ridícula em canto de foto de orkut? O direito legítimo de comprar um quilo de batata e de aspargos na feirinha? Quem te impede? Você pode alegar que está apenas se indentificando como um abraçador de árvores, mas o resto do mundo não coloca pedaços de carne em canto de foto. Comedores de folha, não é difícil ser discreto quanto a vossa condição. Eu mesmo tenho amigos vegetarianos que só fui descobrir a mudança quando estava na metade do prato de sopa de soja que me foi oferecido (muito boa, by the way). Ser discreto é tão fácil quanto montar uma banda de eletro-rock, basta querer. E porra! precisa daquela folhinha ridícula em canto de foto de orkut?

*o opcional disponível para a cidade de Natal é o “passeio no DoSol”.
**tenho medo de que, sei lá, daqui a 30 anos, será ao contrário, com a segunda setença acompanhada de um “oooohhh!! como você consegue!”. Por isso resolvi falar isso tudo.

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Agora, vamos a fotos de vegeterianas:

Natalie Portman
Natalie Portman

Naomi Watts
Naomi Watts

Bryce Dallas Howard
Bryce Dallas Howard

“I LOOOOOVE WOODY ALLEN!”

Publicado em Cinema por Tiago Lopes em Fevereiro 15, 2008

Fiz uma resenha rápida de Juno antes de ontem para publicar no Disruptores. Mas só baby jesus sabe quando esse texto vai entrar no ar daquelas bandas e, depois da turnê diária nos blogs dos mais chegados, vi que todo mundo já postou algo sobre. Senti que ver a pré-estréia do filme as 22:30h de um domingo de carnaval não valeu muito em termos de novidade (o vi-primeiro-que-você me atinge tanto quanto vocês, ó leitores acusadores). Então, aqui vai minha contribuição para o sem-número de opiniões sobre esse filme. Só mais uma coisinha: o que eu queria realmente fazer aqui era pegar essa resenha e fazer toda uma comparação com Superbad, um dos meus favoritos do ano passado e que achei ligeiramente superior a Juno. Mas vou esperar pra revê-lo em dvd e dar meu parecer final sem nenhum arrependimento.

juno.jpg

Garota de 16 anos engravida e decide doar seu bebê a um casal. E daí? Daí que você cruza quase duas horas de filme sem sequer pensar na gravidade (hãhã) da situação. Toda a tragédia é amortizada pela compreensão de pais atenciosos, bons amigos, um namorado relapso e um casal bem de vida que aceita adotar o bebê, tirando o peso da futura responsabilidade das costas de Juno. Isso tudo te ajuda a NÃO pensar, por um momento sequer, que engravidar aos 16 anos é um problema sério, mas achar que é tão repentino e fácil de se “remover” quanto uma espinha. E, mesmo com toda essa bizarra boa vontade das pessoas ao redor dela para não tornar as coisas mais difíceis, ela ainda atrai a atenção de quem não deveria, tornando tudo um pouco mais complicado. Mas só depois que o filme acaba é que todos esses problemas citados começam a se parecer com PROBLEMAS. Porque o mundinho indie que a Juno (logo, o filme) se abriga, deixa tudo mais leve. De roupas às citações musicais, posters cools espalhados por todos os quartos que aparecem no filme, os diálogos rápidos e quase sempre sarcásticos, até mesmo o fato de ela gostar de filmes trash a torna ligeiramente mais agradável do que outros personagens que tenham aparecido por ai durante o ano. E toda essa simpatia da moça parece incomodar algumas pessoas que insistem em criticar o filme pelo seu excesso de “indismo”, como se, ao assistir, por exemplo, Amadeus, fosse legítimo reclamar do excesso de “erudismo” do filme do Milos Forman (“ai, quantos espartilhos, muito violino, pra quê tanta peruquete?”). Não é a toa que o nome do filme é o mesmo de sua principal personagem, em nenhum momento você tem outra visão da ação a não ser a da Juno: os personagens secundários são apresentados por ela em frases rápidas, é ela quem vai numa clínica de aborto sozinha, é ela quem arranja o casal para adotar seu “it”, e a idéia de fazer sexo numa tarde entediante também foi dela. Nada mais justo que o filme esteja impregnado de JUNO e das coisas que ela mais gosta. E, admita, grande parte do que agrada a Juno cai bem no gosto de vocês, digníssimos leitores desse blog. Stooges, Patti Smith, Dario Argento. A garota possui boas credenciais e o filme só as torna mais visíveis para desviar a sua atenção de um par de tragédias que estão lá, mas não incomodam. Tornar desgraças aceitáveis é sim algo que mereça algum elogio.

 

P.S.: queria dizer que, apesar de todos os outros diálogos serem mais ixpertos, esse foi o que eu mais gostei e que, pra mim, resumiu bem o lance da tragédia undercover:

Pai da Juno: i thought you were the kind of girl who knew when to say when

Juno: i don’t know what kind of girl i am

Outra, o cara que faz o pai da Juno e que também atuou no Obrigado por Fumar é um dos meus atores favoritos ainda em atividade, e não foi preciso muito além dos três filmes do aranha, um filme mezzo (o único) dos Coen e esse par de ótimos filmes do Jason Reitman pra isso. J. K. Simmons também não precisou de muito tempo aparecendo nesses filmes para provar-se, ás vezes, mais válido do que toda a obra em que está atuando.

Morte Maligna!

Publicado em Cinema por Tiago Lopes em Fevereiro 15, 2008

evildead.jpg

Sabe o cinema né? Sabe aquelas imagens de certos filmes que foram tão originais que nunca irão cruzar a fronteira do memorável pro esquecível em sua cabecinha até o dia de sua morte né? Tipo um elevador se abrindo e enchendo um corredor de sangue, ou um cara se espancando num escritório e caindo em cima de todos os objetos ao redor, ou uma perseguição de carro sem nenhuma trilha sonora ou dublês ou algo que lembre que aquilo é um filme, ou… ou… ou… uma árvore possessa espancando e estuprando uma mulher. Fuck yeah! Onde, você se pergunta, onde é possível ver tamanha bestialidade?

Meu parcêro das quebrada Alexis veio com a idéia de compartilhar essa e outras pérolas do cinema longe de uma sala de… cinema, mas dentro de um bar, onde você terá acesso às maravilhas desse estabelecimento combinado com o melhor do porão da sétima arte (porão mesmo, daqueles que a escada range feito um pigarro e o demônio cobra US$ 10 mil, mais porcetagem na bilheteria, para fazer uma ponta piscou-perdeu). Depois da explanação da idéia e uns chopps para discuti-la com maior perícia, foi resolvido que o bar a abrigar esse primor de auspiciosidade será o bar do Moisés (leitor de Oscar Wilde e eventual “dude, or duderino, if you must”), e que o nome do programa será “Sessão Maldita da Tapiocaria” e decidimos também que o filme de estréia vai ser Evil Dead, obra essa que abriga a bestialidade descrita acima e tantas outras mais.

A sessão inaugural desse novíssimo empreendimento na cidade das little whores será nesse domingo, dia 17 de fevereiro, às 17:30h, na Tapiocaria, que fica dentro do Shopping do Artezenato, do lado do Praia Shopps. Segue o link do blog onde você poderá obter maiores informações. E tudo isso será de grátis, mas melhore e tome ao menos uma cerveja no bar do cara.

Num cinema perto de você…

Publicado em Cinema por Tiago Lopes em Fevereiro 12, 2008

O Barbeiro de Sevilha, versão cemitário do Alecrim

O BARBEIRO DE SEVILHA II: ATAQUE AO CEMITÉRIO DO ALECRIM!

I’m back nigga!

Publicado em Sem-categoria por Tiago Lopes em Fevereiro 12, 2008

Leitores e leitoras, tirem as lâminas do pulso e as facas do pescoço. Voltei, depois de percorrer todos os principais centros de folia do brazil-zil-zil durante o carnaval e ser abordado por diferentes aspirantes a blogueiros. Uma tal de Mel Lisboa (segundo meu assessor) me abordou na sapucaí dizendo “adoro seu blog! me ensina a blogar desse jeito vai” e eu não resisti e a levei para casa. Blogamos ensandecidamente até a quarta de cinzas e só paramos de postar porque meu assessor, que ficou amarrado numa coleira do lado de fora, já estava uivando de dor, provavelmente devido a fome, sede… esses problemas que atingem países de baixa blogularidade. Nos despedimos com a seguinte condição: ela comenta no meu e eu comento no dela. Sempre. Uma naughty girl essa Mel Lisboa. E ainda me propôs uma noite de postagens com mais três de suas amigas. Candidamente devasso esse convite.

Massss, não vos afobeis ainda caro leitor, leitora amiga. Esse post é só para acalmá-los sobre meu estado. Ainda não recuperei minhas forças de postagem por completo, essa Mel é uma insaciável. Mas vejam, observem bem o ambiente. Decidi mudar o layout, que já recebia reclamações por parte de assíduas frequentadoras deste espaço e me enfureceu quando notei que os posts sumiam à adição de novos. Agora você poderá ler tudo por aqui apenas adentrando o sítio, não sendo mais necessário o clique para disponibilizar o restante dos textos. Até quinta (vulgo depois de amanhã) compartilho algo de maior substância com vocês, para além de histórias da minha agitadíssima vida pessoal.

“depois das noites de postagens com o cara do Da Década!, fiquei tão… ah, sei lá, bateu uma vibe boa e escrevi um livro mesmo. ó!”
“Depois de noites de postagens com o cara do Da Década!, fiquei tão… aah, sei lá, bateu uma vibe boa e escrevi um livro mesmo. De figurinhas né! Ó!”

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