“I LOOOOOVE WOODY ALLEN!”
Fiz uma resenha rápida de Juno antes de ontem para publicar no Disruptores. Mas só baby jesus sabe quando esse texto vai entrar no ar daquelas bandas e, depois da turnê diária nos blogs dos mais chegados, vi que todo mundo já postou algo sobre. Senti que ver a pré-estréia do filme as 22:30h de um domingo de carnaval não valeu muito em termos de novidade (o vi-primeiro-que-você me atinge tanto quanto vocês, ó leitores acusadores). Então, aqui vai minha contribuição para o sem-número de opiniões sobre esse filme. Só mais uma coisinha: o que eu queria realmente fazer aqui era pegar essa resenha e fazer toda uma comparação com Superbad, um dos meus favoritos do ano passado e que achei ligeiramente superior a Juno. Mas vou esperar pra revê-lo em dvd e dar meu parecer final sem nenhum arrependimento.
Garota de 16 anos engravida e decide doar seu bebê a um casal. E daí? Daí que você cruza quase duas horas de filme sem sequer pensar na gravidade (hãhã) da situação. Toda a tragédia é amortizada pela compreensão de pais atenciosos, bons amigos, um namorado relapso e um casal bem de vida que aceita adotar o bebê, tirando o peso da futura responsabilidade das costas de Juno. Isso tudo te ajuda a NÃO pensar, por um momento sequer, que engravidar aos 16 anos é um problema sério, mas achar que é tão repentino e fácil de se “remover” quanto uma espinha. E, mesmo com toda essa bizarra boa vontade das pessoas ao redor dela para não tornar as coisas mais difíceis, ela ainda atrai a atenção de quem não deveria, tornando tudo um pouco mais complicado. Mas só depois que o filme acaba é que todos esses problemas citados começam a se parecer com PROBLEMAS. Porque o mundinho indie que a Juno (logo, o filme) se abriga, deixa tudo mais leve. De roupas às citações musicais, posters cools espalhados por todos os quartos que aparecem no filme, os diálogos rápidos e quase sempre sarcásticos, até mesmo o fato de ela gostar de filmes trash a torna ligeiramente mais agradável do que outros personagens que tenham aparecido por ai durante o ano. E toda essa simpatia da moça parece incomodar algumas pessoas que insistem em criticar o filme pelo seu excesso de “indismo”, como se, ao assistir, por exemplo, Amadeus, fosse legítimo reclamar do excesso de “erudismo” do filme do Milos Forman (“ai, quantos espartilhos, muito violino, pra quê tanta peruquete?”). Não é a toa que o nome do filme é o mesmo de sua principal personagem, em nenhum momento você tem outra visão da ação a não ser a da Juno: os personagens secundários são apresentados por ela em frases rápidas, é ela quem vai numa clínica de aborto sozinha, é ela quem arranja o casal para adotar seu “it”, e a idéia de fazer sexo numa tarde entediante também foi dela. Nada mais justo que o filme esteja impregnado de JUNO e das coisas que ela mais gosta. E, admita, grande parte do que agrada a Juno cai bem no gosto de vocês, digníssimos leitores desse blog. Stooges, Patti Smith, Dario Argento. A garota possui boas credenciais e o filme só as torna mais visíveis para desviar a sua atenção de um par de tragédias que estão lá, mas não incomodam. Tornar desgraças aceitáveis é sim algo que mereça algum elogio.
P.S.: queria dizer que, apesar de todos os outros diálogos serem mais ixpertos, esse foi o que eu mais gostei e que, pra mim, resumiu bem o lance da tragédia undercover:
Pai da Juno: i thought you were the kind of girl who knew when to say when
Juno: i don’t know what kind of girl i am
Outra, o cara que faz o pai da Juno e que também atuou no Obrigado por Fumar é um dos meus atores favoritos ainda em atividade, e não foi preciso muito além dos três filmes do aranha, um filme mezzo (o único) dos Coen e esse par de ótimos filmes do Jason Reitman pra isso. J. K. Simmons também não precisou de muito tempo aparecendo nesses filmes para provar-se, ás vezes, mais válido do que toda a obra em que está atuando.

Gostei do que você disse sobre as pessoas que reclamam do excesso d e”indismo” de Juno. O pior é que o filme é um dos únicos dessa levada indie que, de certa forma, se justifica como tal.
“E toda essa simpatia da moça parece incomodar algumas pessoas que insistem em criticar o filme pelo seu excesso de “indismo”, como se, ao assistir, por exemplo, Amadeus, fosse legítimo reclamar do excesso de “erudismo” do filme do Milos Forman (“ai, quantos espartilhos, muito violino, pra quê tanta peruquete?”)” AMEI rs
Achei Juno adorável. Comédia light com um bom toque de drama, singelo e bonito e não enche o saco com questões moralistas, trata o assunto sem pretensão alguma, bem diferente da abordagem da maioria dos outros filmes.
Você nem falou da trilha sonora que foi a mais vendida durante semanas e fez Sea of Love a musica mais tocada da Cat power no last.fm.
A unica coisa que me irritou um pouco foi a quantidade de propaganda no filme:
tictac, mms, nike, gibson, harmonic, fender, e muitas outras.
rs
não vi o filme, mas a visita vale.
li cautelosamente. e decidi que preciso ver esse filme rápido. rs
belo blog, já sei que volterei mais vezes.
:)
ludy, ate ia falar da trilha, mas depois de passar uma semana ouvindo na varanda dos amigos e elogiar pra caraio e descobrir que meio mundo já faz isso também, fiquei com preguiça. notou as propagandas né? coisa de comuna isso aí (hehe).
karlinne, venha sempre, por favor. ainda invento um sistema que sirva cafezinho-cervejinha-salgadinho pra quem me agraciar com uma visita constantemente.
nada a ver com comunismo rsrsrs, mas porque me lembrou as novelas vendedoras de avon da globo. bjãooo