Golden Butt
Nem queria falar do Oscar porque todo mundo tá falando. E, se todo mundo tá falando do fidel, dos cartões corporativos, da britneyamyparis, seria uma injustiça deixar de abordar também esses temas tãããão importantes para a formação do ser humano enquanto débil. Masss, o ano passado foi todo bom, todo fantasticamente ótimo (é, fantasticamente mesmo). Todos os meus diretores americanos favoritos lançaram suas melhores obras (é o que dizem) numa mesma época e, os que não chegaram lá (Zodiac, The Darjeeling Limited) tem o meu apreço igualmente. Óbvio que There Will Be Blood será o melhor, o clássico, o renovador de estruturas, o pica grossa da temporada, óbvio. E No Country For Old Man também. Então, 2007 foi um ótimo ano.
A última vez que o cinema americano me deu tantas alegrias (uia!) de uma vez só foi na temporada de 1999-2001. Magnolia, American Beauty, Being John Malkovich, Fight Club, The Man Who Wasn’t There, O Brother Where Art Thou, The Royal Tenenbaums, The Sixth Sense, Almost Famous e um eventual ótimo filme do Woody Allen (Sweet and Lowdown, não viu? pois veja seu megana!). E, foi mais ou menos por essa época, com esses filmes, que eu notei o quanto eu gostava disso tudo, inclusive de acompanhar a papagaida toda que envolve a festinha particular, opremiomáximodocinema, a viadagem, o Oscar.
Então, esse ano vai ser dos Coen, porque são indicados ao Oscar desde 1997 e só levaram duas estatuetas (uma pra eles, por roteiro adaptado, e uma pra Frances McDormand, pra evitar inveja entre marido e mulé). Eles inclusive vêm preparando todo um visu respeitável desde o lançamento de No Country…, porque sabiam que subir em palanques seria o lamba-aeróbica deles em 2008. Veja que bigodes bem cortados:

Cormac McCarthy, Ethan Coen e Joel Coen, três dos maiores >ponha aqui seu clichê favorito< vivos
Logo, os prêmios de melhor filme, ator coadjuvante, roteiro adaptado e melhor edição de som (difícil captar o barulho de uma arma com precisão) irão para No Country. Am I right? Ai você me pergunta e direção professor? E eu te digo que esse é do P.T. e ninguém passa a mão impregnada de suor frio naquele golden butt além dele. O Homem já foi indicado duas vezes por roteiro original (Boogie Nights e Magnolia) e nunca levou nada. Veja o resultado da preparação do cara pra ficar good looking: (PAUSA PARA MOMENTO NELSON RUBENS…)
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Enquanto procurava uma foto bacana do P.T. dei de cara com uma em que ele estava de mãos dadas com a Maya Rudolph. Fiz cara de oh-my-gosh-that-is-so-wild e fui pesquisar mais profundamente. Googlei e o que me aparece? “Rudolph and filmmaker Paul Thomas Anderson are in a relationship, and have a daughter”. Retomei minha expressão de espanto, só que dessa vez em caps lock e com duas exclamações (OH-MY-GOSH-THAT-IS-SO-WILD!!). Esse cara já pegou Fiona Apple e Aimee Mann, logo imaginava que a próxima seria, sei lá, Chan Marshall. Fui pesquisar mais a fundo (imdb) e descobri que ele curte pacas SNL, já tendo, inclusive, dirigido episódios desse que é o melhor programa de comédia das americas há mais de 30 anos. Já achava o Paul Thomas Anderson um diretor que, se fizesse um filme onde os personagens só vestissem cocô rosa, eu iria gostar. Mas além de ser so fuckin’ great o cara ainda tá pegando a minha atual comediante favorita. É aquela coisa, modelo de vida pros meus 30 anos de idade. (RETOMANDO A PROGRAMAÇÃO NORMAL…)
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Paul Thomas Anderson, THE motherfucker
Além de direção, There Will… vai levar melhor ator (porque Day-Lewis já tem um golden butt em casa e o Oscar tá precisando tirar o recorde do Jack Nicholson, que fica por ai dando vexame com essas porras de filmes de merda que anda fazendo), melhor direção de arte (difícil criar um poço de petróleo do nada), melhor fotografia (difícil extrair beleza de um poço de petróleo) e melhor edição.
Atonement vai ser o Babel desse ano (certeza que leva só trilha sonora), apesar de ser infinitamente superior ao filme cucaracha. Ou, posso estar muito enganado, vai papar geral e voltar pra casa com 5 golden butts. Juno leva roteiro original (jura?). Os prêmios de atriz e atriz coadjuvante também já estão nas mãos da Marion Cotillard e da Cate Blanchett (a não ser que o Oscar queira ficar zóven e revolucionário esse ano, ai é Ellen Page e Saoirse Ronan).
Agora vamos a categorias realmente imprevisíveis, aquelas onde a certeza não existe porque ninguém viu nada mesmo (acho que em todo bolão, esses prêmios deveriam ter peso II):
Documentário – Operation Homecoming: Writing the Wartime Experience Documentário de curta-metragem – Salim Baba Curta-metragem – The Tonto Woman Curta-metragem de animação – I Met the WalrusMeus critérios de seleção para essas categorias são os mais abalizados, sempre escolho os que tem o melhor título ou alguma coisa com “guerra” no meio.
Então, pra vocês que irão curtir o espetáculo na companhia de José Wilker, é bom não se concentrar muito no óculos que ele usa (vem de brinde junto com a melissinha da filha dele). Deve achar que é legal e pega bem (Zé, não é e não pega). As dublagens da grobo também são uma merda e a transmissão da festa só começa depois do bloody paredão. Pra quem vai ficar com o Rubens Ewald, o cara é uma besta, vai passar a noite se lamentando porque Atonement não ganhou nada e vai errar o nome de tooodos os filmes que irão passar naqueles clipes legais de homenagens (acho essas montagens de trechos de vários filmes o melhor da festa). E ladys, sem choro na hora do clipe do Heath Ledger. Segunda eu volto com quilos de olheiras pra fazer um balanço da premiação.
Parabéns, você ganhou uma citação em meu blog!
Sobre o oscar, cito o grande grande grande Jerry Seinfeld, no episódio sobre a corrida com o chefe da Elaine: “I choose not to run!!”.
Legal saber dessa fofoca sobre o P.T. Graças a Deus ele desviou da Cat Power que não chega a ser tão chata quanto a Fionna Apple, mas chega perto. Bem perto…