Da Década!

Os 10 melhores créditos de abertura na modesta opinião do Da Década!

Enviado em Cinema by Tiago Lopes em Abril 17th, 2008

Acho bacana quando a primeira coisa que aparece na tela já é algo que te prende a atenção de verdade. Tipo, você pagou pra ver um filme que ainda te faz o favor de te mostrar além do ordinário “a film by” e te dá uma abertura tão bem feita quanto o evento principal. Na sequência:

01 - Catch Me If You Can:

Gosto do Spilberg, apesar de nunca ter visto qualquer Indiana Jones, Tubarão, E.T. e só lembrar vagamente de A Lista de Schindler, mas gosto dos que eu vi e, de alguns, gosto ridicularmente mais, tipo Catch Me If You Can. Foi a partir de 2002 que o Spilberg voltou a pensar em cinema como entretenimento escapista (depois que se livrou do encosto do Kubrick em A.I.) tendo feito um perfeito exemplo disso no campo do suspense e da ficção científica com Minority Report e no da comédia, com Catch Me If You Can. E a abertura desse filme… ÓH BABY JESUS, genial! Conseguiu resumir toda a história do main event numa animação de quase três minutos com a ajuda de uma trilha que, mesmo depois das mais de duas horas de filme, ainda insiste em ficar soando e soando. Já foi devidamente homenageada pelos Simpsons.

02 - Psycho:

São só um monte de letras e traços going up and down the screen, mas é tãããão bom ficar vendo e vendo de novo. Creio eu que a graça toda está na sincronização da trilha sonora com o movimento dos caracteres, e eles, por serem somente brancos num fundo preto, fazem da idéia “menos é mais” algo ainda mais… er… sofisticado. Enfim, o cinema de Hitchcock é isso mesmo, tudo muito bonito e sofisticado e luxuoso, dos créditos iniciais até aos objetos mais desnecessário do cenário, passando por aquelas mulheres que são, assim, os melhores exemplos de God’s Creatures que já pisaram na Terra.

03 - Monty Python and The Holy Grail:

Uma das comédias que mais honra dá ao seu gênero só é uma dos melhores porque enfiou piada até nos créditos de abertura. E acho mesmo que esses três minutos de crédito possuem mais esforço de massa cinzenta do que toda a produção cinematográfica do, sei lá, oriente médio. E o melhor é que, não importa quantas vezes você veja, sempre vai ter uma piada escondida naquelas linhazinhas lá que você deixou passar.

04 - 007 - From Russia With Love:

Então, você sabe que o mundo tá solto na buraqueira quando confundem a burrice do último James Bond com “um tom realista, capaz de provocar uma profunda empatia”. Transformaram o Bond num estagiário de escritório de espionagem, que acha que pode fazer merda durante 2 horas de filme sob a desculpa de ser um novato. O Bond era um cara que nunca errava e, se errava, era por causa das Bad Bond Girls, logo, tava perdoado. E achei um desperdíçio de Eva Green, essas coisas a gente tem que racionalizar, mulher tipo Eva Green tá em falta hoje em dia, se vai usar, usa com consciência. Porra, tiraram até as mulheres dos créditos de abertura do Cassino Royale! Chamaram Chris Cornell pra fazer a música!! Relembramos, com From Russia With Love e seu erotismo exótico e lúdico, o que era um Bond de verdade.

05 - Fight Club:

Minino! É uma câmera passeando pelo cérebro do —–, passando pelos nervos, tecidos e o diabo, saindo pela testa, descendo pelo nariz e pela boca e se afastando pelo cano de uma arma, que estava dentro da boca do —–. Pá! É de um senso de urgência absurdo! Acho que nenhum outro filme da década de 90 teve tanta pressa em começar como esse. Não se contentando em começar com uma apresentação ordinária da narrativa, mas começar mostrando o ponto nelvrágico (oia!) dela. E nem é fazendo uso daquele picote de roteiro que bombou back in the 90’s, porque depois desse início, temos uma narrativa clássica, dividida em três atos e pá e talz. É só mesmo o senso de urgência. Óbvio que o cara que criou Vogue, uma lenda no mundo dos videoclipes, não ia deixar cair o nível. Óbvio.

06 - Barbarella:

Esse filme é uma mierda, mas a abertura… Te dá tudo o que o filme fica devendo e nem te faz perder duas horas da vida a troco de nada. Bah, mas é só a Jane Fonda se despindo. Amigo, em gravidade zero!! Depois que vi essa abertura, todas as mulheres que possuem um lugar cativo in the deepest corner of my mind passaram a se despir em gravidade zero: Mel Lisboa, Eva Green, Scarlett, Claudia Cardinale, todas flutuando de peito pra fora, dando oizinho de cima e tocando na minha cabeça com a ponta dos pés.

07 - Fahrenheit 451:

Errr… Na real esse aqui só tá na lista porque não tem créditos. A melhor idéia que essa adaptação da obra do Bradbury para o cinema mostrou foi a narração dos nomes que deveriam estar escritos como créditos de abertura. Como conta a história da extinção de livros, logo de palavras, o filme também não as possui. Grande sacada. Mas não teremos vídeo do youtube pra esse não, cacei e não achei. Mas achei um trailer americano supimpa, daqueles em que o narrador dá uma de histérico e fica gritando os nomes dos atores e as qualidades deles e quais sentimentos permeiam a trama do filme. Na tela:

08 - The Wild Bunch:

Preciso admitir que gosto muito dessa abertura só pela semiótica da coisa (e pelo design que é phueda). Perdão, perdão, não consigo achar outra desculpa. Tem a sequência de umas criancinhas inocentes jogando uns escorpiões indefesos num formigueiro que deve ser a Manhattan dos formigueiros, enquanto o Wild Bunch dá pinta pela primeira vez na cidade (todos os melhores westerns começam pelo começo: mostrando a chegada de forasteiros). Daí pra você imaginar que isso é só uma amostra de que a violência está arraigada no âmago do ser humano desde sempre e se manifesta de diferentes maneiras em diferentes idades é um pulo. Só não diz isso nos arredores de uma universidade, senão, sua masculinidade será alvo de desconfiância e de investidas gays ao mesmo tempo.

09 - The Shining:

Suspense é um gênero que de 10 em 10 anos faz algo realmente assustador, mas nos últimos 20 ninguém tem se esforçado muito. Para preencher o vácuo da falta de bons exemplares, sempre vejo O Iluminado. Porque nunca, NUNCA, esse filme vai deixar de ser fuckin’ creeping. E já começa te colocando no clima, quando põe de fundo AQUELA trilha enquanto mostra a feliz viagem da família do Jack, tranformando o “feliz” em “essa galera tá tão, mas tão fudida”. É o tipo de trilha que, posta acidentalmente num episódio de Teletubbies, mataria de susto toda uma geração de enfants indefesos.

10 - Qualquer filme do Woody, o Allen:

Porque é o território mais facilmente reconhecível, os mesmos caracteres brancos sobre um fundo preto desde 1969. Aí você sabe como o filme vai ser dependendo da música dos créditos: se for um jazz delicado, comédia dramática; ópera, drama; instrumental de bandolim, comédia descontraida; silêncio, drama com morte em família; música clássica, drama inspirado no teatro grego, and goes on and on. Esse link que tem aí é uma montagem com todos os títulos do Woody, fiz uma contagem e já vi 29 dos seus filmes. Tentei me lembrar de algum que, enquanto assistia, eu tenha achado um completo desperdício da minha juventude, mas não consegui e, a cada nome que passava, me lembrava exatamente de onde, quando e em que circunstâncias eu os vi e como todos me deram algum agradável senso de bem-estar depois do fim, que eu queria manter sempre. Quando eu crescer, quero ser igual a esse cara, de verdade.

2 Responses to 'Os 10 melhores créditos de abertura na modesta opinião do Da Década!'

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  1. Karlinne said, on Abril 20th, 2008 at 2:52 am

    Poxa, que inveja de ti, eu só vi 4 do W. Allen e me sentia fãzona. rs

  2. Lucena said, on Abril 20th, 2008 at 5:41 pm

    Quer ser um velhinho safado? Brinks ein rs
    bjs

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