Aê! Tô só sendo fútil aqui…
Meô, o que são essas caralhas de snapshot? Troço chato e incômodo quando não usado com uma certa moderação, que é o que se espera das pessoas as quais você dá alguma atenção e vai lá e lê o blog ou o site. Mas aí a setinha do mouse vai batendo em nomes que possuem uns links em anexo e os snapshots vão explodindo na tua cara, pá pá pá, deixando o computador mais lento (ao menos o da empresaque paga o meu salário) e me deixando desnorteado…
(você, que usa snapshot em excesso, está me chamando de idiota nesse momento, porque estou aqui, humildemente, dizendo que seu excesso de snapshot me deixa desnorteado quando estou lendo o seu texto, mas é de uma obviedade absurda essa constatação: se o snapshot que você colocou está entre a minha vista e o seu texto, contra a minha vontade, óbvio que eu vou me sentir desnorteado, o máximo que posso fazer é mover o mouse, mas a setinha vai cair, invariavelmente, em cima de outro snapshot, que vai aparecer quando o anterior ainda não se escafedeu, piorando o meu estado de confusão e me fazendo desistir de ler o restante do que poderia ter sido um bom texto, caso o seu próprio autor permitisse a sua leitura)
…já que você não consegue enxergar o que quer ler, só o snapshot mostrando o site linkado em tamanho reduzidamente idiota. Pior invenção dos últimos meses.
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Devido a minha já bem desenvolvida capacidade de imaginar com facilidade certas coisas que se mostram num contexto subjetivo, tudo o que você colocar numa dessas janelas de conversa, eu vou te imaginar fazendo, caso eu te conheça (e eu geralmente te conheço, não costumo conhecer estranhos por esses meios, só abri uma única exceção ¬¬). Então, se você põe um “kkkkkkkkkk” eu vou te imaginar soltando sons e fazendo expressões faciais correspondentes à onomatopéia que você acabou de reproduzir. No caso de “bwabwabwbwba”, certeza que você está dando aquelas risadas que vêm com saliva em excesso de brinde, na minha cibernética cara. Que raios de risada é essa? Você, quando pode usar a internet para esconder o seu pior defeito, deixa-o mais explícito ainda inventendo uma onomatopéia absurda para dizer que é uma daquelas pessoas que riem cuspindo na cara do interlocutor? Sério mesmo que cê vai continuar usando isso? A correta é mesmo a clássica “hahahaha”: você só precisa teclar repetidas vezes em apenas duas teclas, que estão próximas no teclado. Caso você queira dar uma risada de maneira kinky, põe “hihihihihihihi”; e se a piada do outro falhou miseravelmente, coloca um “pfffffff” mesmo, piada ruim merece cuspida de escárnio na cara.
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Daqui a alguns anos, será lançado o primeiro livro mostrando trocas de correspondência virtual entre dois grandes ecritores do nosso tempo. Mas pode demorar de verdade, já que o mercado editorial não tem lançado muitos produtos desse calibre, que bombava back in the 70’s. Mas vai ser legal quando sair o “Logs e Messenger de X e Y: susceptibilidades da vida de dois grandes conhecedores do nosso tempo”. E acho mesmo que essas compilações irão evitar maiores edições, para deixar tudo mais real e condizente com o espírito de nossa época, e lá estarão vários “LOL”, “BRB”, “bwabwbwbwa”, etc. Não acho que será agradável ler que escritor X, depois de elevar a língua portuguesa a um novo patamar; e escritor Y, depois de renovar a escrita vigente, tenham usado onomatopéias de risada com cuspe e falavam de tremendas bobagens como o filme da tela quente de hoje, o piti dado pelos chefes em determinado momento do chat, comentários sobre a ida ao cinema pra ver “dois filhos de francisco” por falta de algo melhor e dizeres vulgares sobre qualquer protagonista da novela das oito. Se for sobre a Betty Faria então, capaz do livro explodir na minha cara espontaneamente.
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Amigos linkados no meu blogroll, atualizem com mais frequência vossos blogs. Eu sei que esse mesmo não possui uma escala disciplinada de postagens, mas todos vocês aí possuem um pc em casa, alguns até mesmo dentro do próprio quarto! Será que é pedir demais que vocês me entretenham com uma maior frequência?
It’s Moustache Day! (I)
Seguinte: almejo um bigode como alguns de vocês aí almejam a invenção de uma máquina que possibilita o deslocamento gratuito e instantâneo no tempo e espaço para todos os festivais de verão dos Euá e da Europa. Houve uma época em que eles (os bigodes, não o Reading) eram meio que obrigatórios nos melhores círculos sociais, juntamente de portentosos chapéus-coco, e gostaria de ter frequentado esses círculos. Mas sequer teria a oportunidade de ser defenestrado dos mesmos por má-conduta, já que não entraria em nenhum porque, aos 20 anos de idade, possuo apenas uma leve penugem no lugar onde deveria existir um vistoso e bem cortado moustache.
Então decidi falar de grandes homens (“grande” no sentido de contribuições abstratas ["abstratas" no sentido de "não inventamos a brastemp, mas colocamos uns discos, uns livros e mais uns filmes aí na praça"] e indispensáveis para a humanidade) que possuem, ou possuíram, um bigode que é alvo de minha imberbe e saudável inveja. Toda segunda-feira você irá encontrar aqui, nesse garboso espaço, uma imagem mais breves impressões da minha pessoa sobre esses exemplares mantenedores de tão estranha, mas fascinante manifestação do tecido epitelial. Até o meu próprio bigode decidir aparecer das profundas de meu ser, irei manter essa categoria de posts, esperando ansiosamente pelo dia em que irei encerrá-la com uma imagem do meu eu sustendando, entre o empinado nariz e boca ligeiramente aberta, um orgulho de bigode.
Para inaugurar esta sessão,
Stephen Malkmus:
Adotou o moustache já distante do ápice que a exposição de sua imagem atingiu (que nem é tão ápice assim), quando estava à frente do Pavement. Agora, com o The Jicks e um ótimo-e-indispensável disco discretamente difícil recém-lançado – Real Emotional Trash -, o Stephen Malkmus dá início ao cultivo do bigode, em detrimento dos porcos e feios objetos que o substituíram em nosso tempo (tatuagens, piercings). Ainda faz uso de umas roupas que procuram emular o espírito da época em que o bigode era lei, para explicitar a elegância de ambos.
Memoráveis sentenças proferidas sob o bigode:
“are you just a present waiting to be opened up and parceled out again?“
“the torture of the with expressway at 5 pm on friday gives you some idea of how rejection makes me feel“
Ambas saídas de “Gardenia“, faixa 5 do disco Real Emotional Trash .
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Na próxima semana: Daniel Plainview e a estreita relação entre bigode, virgindade na terceira idade e maldade humana.
de um ensaio sobre Quevedo
“Para a glória, dizia eu, não é indispensável que um escritor se mostre sentimental, mas é indispensável que sua obra, ou alguma circunstância biográfica, estimule o patético.”
-Jorge Luís, o Borges, falando a real e eu, humildemente, cumprindo.
2 de 3
Todos os Belos Cavalos e A Travessia são os dois primeiros terços da Trilogia da Fronteira, do Cormac McCarthy. O segundo não continua a história do primeiro, mas apresenta uma nova que, em diversos pontos, é semelhante a Todos os Belos Cavalos, que começa com a fuga de John Grady e seu bróder Rawlins para o México. Mas, antes desse começo, tem um anterior, que é o começo mesmo do livro, o que é dito nas primeiras páginas, não o início do enredo. E só esse começo foi o suficiente para me fazer fechar o livro, sair da minha cama e passear pela casa fazendo cara de ansioso e dizendo pra quem estiver por perto “esse cara é muito massa, muito mesmo, yu-hú!” (em outras casas eu diria “esse cara é muito foda, putaquepariu, foda pra caralho”, mas não falo palvrões na minha casa porque acho feio e recebi uma educação cristã). E, se eu fizer o esforço de interromper uma ótima e inédita leitura pra ficar zanzando feito um disléxico pela casa, é porque o autor realmente causou um impacto. Can’t explain, mas sempre faço isso quando acabo de ler um troço muito massa: fico ansioso e saio andando pela casa, às vezes vestindo só um lençol, vou em busca de um copo d’água e da primeira pessoa que estiver na minha frente só pra comunicar a descoberta phoda que eu descobri recentemente (se não encontrar ninguém, fico falando sozinho mesmo, em voz alta, gesticulando e tudo mais).
Back in track, nesse começo o Cormac dá uma geral de a quantas anda a vida do John Grady e de quem está por perto, pra tentar justificar a fuga do garoto pro México e pra me deixar a par de sua atual situação. Só que a narração vem toda meio cifrada, é em terceira pessoa, mas não possui as excessivas explicações características desse tipo de narração. É como se o Cormac estivesse só documentando o que está acontecendo na decorrente ação do livro. Exemplo: se os personagens estão enterrando alguém, só vamos saber quem é se algum dos presentes no enterro disser algo sobre o defunto. Até alguém abrir a boca, ficamos só com a descrição do local da ação, e uma descrição discreta e precisa, que te dá a exata idéia do local sem nenhum floreamento. E é preciso dizer que as personagens do Cormac falam muito pouco, o que só aumenta mais ainda o valor de cada palavra. E é fazendo uso de escassas, mas precisas informações, que sabemos que o John Grady vai sair de casa porque sua família está assim assado e patati patatá (i’m no spoiler people).
Aí é que começa o livro mesmo, quando ele e o Rawlins sentam seus popôs em seus devidos cavalos e vão em direção ao sul. Corre tudo bem, bem mesmo saca, só planícies vastas, cavalo, cavalo, um mínimo de conversa… Aí eles cruzam com um cara chamado Jimmy Blevins (um garoto na real) e esse rapaz decide que vai acompanhá-los, sem saber que vai afundar toda a esperada e quase concreta calmaria da viagem num monte de merda, abrindo espaço pro McCarthy feeling de maldade et violência. E tudo começa com uma chuva forte levando umas roupas ai e fazendo um cavalo fugir.
Wolf parade
A Travessia também começa com uma fuga, só que uma mais solitária: Billy Parham segue sozinho em diração ao sul, sem dar qualquer explicação a seu pai, sua mãe ou seu irmão mais novo. Depois de capturar uma loba, que estava assustando sua vizinhança, segue em diração ao México para tentar devolvê-la à sua terra natal. Estranho como, depois que ele consegue capturar o animal, a narração não suscita qualquer história além da solitária caminhada que os dois (Billy e sua moby dick) empreendem, até serem encontrados por fazendeiros de índole duvidável. São quase 100 páginas de como a loba, grávida, foi, pouco a pouco, sendo domada e mostrando alguma afeição pelo garoto que a capturou. E, preciso dizer, difícil cruzar essa ausência de qualquer ação mais interessante para além das descrições de como a loba está se sentindo (como se ela mesma estivesse dando a sua versão dos fatos, e é interessante no começo, mas demorei a cruzar, demorei…).
Mas a recompensa exatamente do outro lado da mini-saga da loba é válida, muito válida, porque o Billy entra numa cidade deserta, e na igreja dessa cidade, acha um padre que vive sozinho e começa a dizer como e porque foi parar ali. E a história desse padre se tornou a minha favorita de todas as histórias de meio de estrada que o Cormac narra ao longo de seus romances. Porque ele nunca está satisfeito em mostrar só os problemas enfrentados pelos garotos e sempre dá uma palhinha da vida dos outros que cruzam o caminho de seus protagonistas. Essas pessoas, bem mais velhas, narram eventos mais movimentados e violentos do que os experimentados até então pelos guris, pra causar a sensação de iminiência de perigo sempre e pra dizer também que crescer é isso mermão, se fuder legal e pá e talz. Mas a história desse padre… Acho que o Garcia Marquez, se não perdesse tanto tempo sendo um comuninha e fosse mais ao cabelereiro, leria esse livro e, logo depois, enfiaria um garfo em seus dois olhos, gritando “puta madrecita?? COMO???” de tanta inveja, porque o McCarthy HUMILHA >fazendo cara de will ferrell< HUMILHA essa idéia de que o fantástico tem que ser fantásticozinho e cafona, idéia que só o Garcia Marquez cutiva mesmo, junto com o sebo do seu cabelo.
Mas é isso aí, o Billy volta pra casa e ainda cruza a fronteira mais 2 vezes, com umas perdas pesarosas nos dois países. Esse é bem mais triste que o primeiro, arrisco até um ligeiramente mais sensível, mas num nível ainda exacerbadamente másculo de sensibilidade, porque né, a literatura do Cormac é capaz de tranformar uma Vera Verão em um Muhhamad Ali em menos de três sentenças. E tem que ter todo um estômago pra agüentar um cego explicando como perdeu a visão, porque digo a vocês que nem anos de cinema do mais podre possível conseguiu imaginar uma sequência de fatos tão, mas tão violenta.
A última parte da trilogia, Cidade da Planície, começa mostrando como o John Grady e o Billy Parham se tornaram amigos. Depois, comento com a propriedade de quem leu o livro. E, caso esse mínimo texto não seja o suficiente procê, vai aqui e lê um perfil de frente que eu fiz do Cormac. Tem caracteres em excesso pra sua mente insatisfeita…Aproveita e lê todo o resto do site, tudo muito bom, mas lê o meu primeiro! E chega por hoje que esse texto tá nos rascunhos há mais de uma semana. Vou ali me enrolar em meus lençois que a coriza tá escorrendo e desligaram o ar-condicionado dessa joça de lanhouse da qual eu me dirijo a vocês aí.
Nããããããããão!
Acabo de chegar no trabalho e dou inicio ao ritual que construi pra mim há mais de um ano e meio, sempre quando sento na frente do computador. A terceira etapa dessa rotina é: olhar o blog do Lord Ass, Alexandre Soares Silva. E faço isso a pouco tempo, creio que desde agosto de 2006, quando iniciei no meu primeiro emprego e comecei a usar um computador diariamente. Depois de ler uns textos do ASS na Bravo!, fui procurar o endereço do blog dele, e fuçando, fuçando e fuçando, acabei conhecendo o Wunderblogs e o Apostos, dois portais que abrigam (abrigaram) os melhores escritores deste país desde… desde… meu conhecimento de literatura nacional é porco, mas alguns posts feitos pelos membros desses portais sempre me lembravam as melhores coisas escritas por aqueles cronistas lá (Sabino, Ponte Preta, Veríssimo, Millôr, Lessa, Mendes Campos) que sempre li, desde criancinha, depois de chafurdar na lama no distante e ridículo Iguatu. A maioria dos blogueiros desses portais postam desde 2002, e aos que mais me agradaram, fiz questão de ler todos os arquivos. E arranjei o que fazer para enrolar trabalho, porque os meu favoritos postavam coisas, no mínimo, ótimas com uma frequência assustadora. Então escolhi o melhor power ranger de cada blog: o ASS era O Wunderblogs e o Rodrigo de Lemos me dava (uepa!) o melhor do Apostos.
Com o Alexandre, fui mais stalker. Depois de ler tudo do blog, fui atrás de seus livros (achei A Coisa Não-Deus por três contos num queimão de uma livraria decadente, bonzão, mas alguns posts superam fácil o que tem ali [acho, ACHO, que não precisava de tanta descrição de espaços óh-óh-portentosos, era só ter dito que "cortinas de veludo adornavam o lugar", minha pobre mente acha que cortinas de veludo adornando um lugar tornam esse lugar suficientemente portentoso]) e ainda ousei fazer um comentário no blog, por puro desencargo de consciência e esperando alguma resposta dele, mas acho que minha tentativa de piada falhou miseravelmente e desisti de tentar chamar a atenção do cara. O Rodrigo de Lemos é menos intimidante, mas não menos eerr… como se elogiam essas pessoas meu deus! E fui lá e deixei uns comentários e ainda faço isso sempre que penso em algo não tão low-brow pra colocar abaixo daqueles óh-óh-textos. E sei que admitir isso é o equivalente a “sonho em ser paquita igual a você desde criancinha”, mas só criei esse blog porque percebi que esses caras eram o melhor que esse país cafona tinha a oferecer em relação a junção de palavras num espaço em branco, e eles fazem (faziam) isso sem cobrar porra nenhuma, nem exigir um mero cadastro.
E tô dizendo tudo isso porque o ASS postou ontem (só vi agora a pouco) que vai dar chau-macau pra essa vidinha de blog e que o Wunderblogs já era. Creio eu que, nesse exato momento, outros nano-blogs como o meu estão prestando suas devidas homenagens ou dizendo o quanto sentem pelo fim disso tudo. Acho que o número de homenagens ao Wunder sendo prestadas nesse momento deve ser o mesmo de tributos a Bob Marley acontencendo right now. Mas me junto ao coro porque senti vontade e pronto, e eu pago minhas contas e fico brega na hora que eu quiser e onde eu puder expressar esse brega-feeling. E agora, eu quero dizer que vai fazer uma puta falta um post novo do ASS. Mas ele deixou um último lá, dizendo como tudo era muito bom no começo e exemplificando o funcionamento do grupo com a ajuda de um texto do Gladwell, que compara o SNL (como não ser simpático a uma pessoa dessas?) com filosofia alemã. E finalizando com isso aqui: “Se bem que do jeito que foi, digo com toda a seriedade que, tudo considerado, fomos bem melhores do que a turma do Pasquim, essa turma de baby-boomers cariocas que apóia governos e nunca vai calar a boca. Amém.” E tendo toda a razão.
Só pra finalizar: R. de Lemos, não me abandona agora. E acho, nowadays, a Bravo! uma das coisas mais tacanhas criadas em solo nacional. O páreo é duro em se tratando dessa pátria, mas a Bravo! mais parece uma revista de fotografias feias com legendas ligeiramente maiores que o normal (legendas tiradas de biscoitos da sorte, must say).
