Da Década!

It’s Moustache Day! (V)

Publicado em Moustache Day! por Tiago Lopes em Junho 30, 2008

E finalmente atingi um dos objetivos para justificar a existência disso aqui. Entre os itens “chamar a atenção de uma Rory Gilmore wannabe” e “ganhar U$S 100,00 por acesso”, estava “pautar importantes publicações internacionais”. Clique aqui para descobrir qual desses objetivos foi atingido. Como não ganhei nem um exemplar de grátis da revista para ter uma idéia clever and wit copiada assim, quase que desavergonhadamente, meu pay-back vai ser igualmente despido de escrúpulos e de alguma originalidade. Entonces, para o Moustache Day! #5, vamos de Mr. Potato:


bigode vanguarda: removível e lavável

O gênero “animação” ganhou inteligentsia e maturidade não só com a chegada da Pixar, mas com a presença de personagens como Mr. Potato. Não só uma batata desmontável, ele é uma batata desmontável com os itens “chapéu-coco” e “bigode” inclusos no pacote. E ainda possui uma índole única, sendo fiel a Mrs. Potato e com alguma honra, como um gentleman completo deve ser. Claro que isso pode levar a algum engano bobo, como acusar o Woody de ter matado o Buzz num dos momentos mais dramáticos da-década, mas tal deslize só serve de prova de como um honrado senhor sempre será fiel a suas convicções. E o chapéu e o bigode só estão aí para corroborar ainda mais os benefícios que podem trazer para quem almeja um bom convívio em civilização. E ainda tem senso de humor. Óh! O humor…

Hlgskjhag for life

Publicado em Sem-categoria por Tiago Lopes em Junho 26, 2008

Nem lembro bem como começou, mas tudo ficou mais constante quando saí da escola que estudava desde o jardim de infância para uma com uma melhor qualidade de ensino (isso me foi dito quando quis me negar a fazer essa desnecessária mudança). Foi na 3ª série que o primeiro apelido surgiu e, até hoje, 10 anos depois, quase todas as variações possíveis dessa alcunha já foram aplicadas a mim. O que falta para um termo mais absoluto substituir o “quase” deve vir junto com os anos de vida que ainda me restam.

Hlgskjhag era um dos piores apelidos que uma criança poderia receber, acompanhado de jiknlo e ghytvsl. Mas, experimentando-os em mim, o pior mesmo era hlgskjhag, porque sempre achei que nunca tive nada de hlgskjhag, via outros hlgskjhag por aí, me colocava mentalmente ao lado desses e via o quão díspare em termos de comportamento nós éramos. Mas a insistência das pessoas em me achar tão hlgskjhag quanto os outros que eu considerava reais exemplos de hlgskjhag era tanta, que acabei me achando um hlgskjhag e, desde então, venho ajustando a minha vida a uma postura que tente esconder todas as prováveis características de um hlgskjhag. Mas sem resultados duradouros, ao que parece.

Sempre que experimento um descanso ligeiramente prolongado das acusações injustas de ser um hlgskjhag, acho que finalmente consegui me comportar como um não-hlgskjhag. Mas dia desses, um imbecil desconhecido, aquele tipo que aparece sem ser convidado por nenhum dos presentes na mesa, mas passou em frente, conhece vagamente um dos colegas de trabalho, pára, senta e começa a ser o que mais quer ser – um inconveniente – me olhou de soslaio e conseguiu vislumbrar uma faísca de hlgskjhag em mim. Disse que eu parecia com um hdfasdf, o que era muito próximo de um hlgskjhag, mas ainda não era tão ofensivo quanto. Me alivei e confiei na falsidade do alarme, no efeito do alcóol e no meu melhor mecanismo de defesa: a timidez. Eu falava apenas quando me perguntavam diretamente alguma coisa e, entre afirmações ou negações vagas, sorvia uns goles de cerveja quase que sorrateiramente. Mas o imbecil ainda assim conseguiu lembrar da palavra hlgskjhag e, antes de pronunciá-la enfaticamente, apontou o dedo para a minha cara e disse “agora eu lembrei com o que você parece mais, com um HLGSKJHAG!”. E a obviedade da complacência de todos os presentes não precisa ser mais explicada.

Enquanto afundava ainda mais na cadeira, tentava pensar em algum bom momento de qualquer tempo anterior a esse, mas todos estavam cheios de “hlgskjhag” e da desconfortável sensação de ouvir algo tão ofensivo sendo dito por todo mundo que supostamente deveria entender o peso e a importância negativa que a palavra continha, quando dirigida a mim. E, depois dessa vergonhosa recaída dos presentes, também não conseguia imaginar um futuro menos constragedor do que o atual momento. Sem poder voltar e sem ter como ir em frente, fiz o que sempre havia feito e vou continuar fazendo: me conformei silenciosamente.

It’s Moustache Day! (IV)

Publicado em Cinema, Moustache Day! por Tiago Lopes em Junho 23, 2008


na caaaaaaara!

Depois de uma breve semana de descanso, cá estamos nós (eu e minha ambição por um moustache) com mais um número romano para agigantar a série “It’s Moustache Day!”. O bigode de hoje é de um dos grandes calhordas do cinema francês: Jim. Com seu amigo Jules, dividiu uma única mulher por décadas. Como a espécie do gênero feminino era a Jeanne Moreau, acho tudo muito justificável. “Jules et Jim” tem muito a dizer sobre a posição social que um mero bigode estampado na cara podia lhe conferir em tempos remotos. Antes de abandonar o casal já oficial formado por Jules e Catherine para lutar na Primeira Guerra, Jim mantia com orgulho seu bigode e, por isso, dividia seu tempo e seu mojo com um número considerável de mulheres (há de se ler nas entrelinhas), mas não foi capaz de atrair pioneiramente a atenção de Catherine. Quando retornou dos campos de batalha, já sem bigode, tentou reduzir o número de mulheres na sua vida para apenas uma: Catherine. O bigode (ou a ausência dele) também explica a devoção cega de Jules por ela, que em nenhum momento do filme ostenta um moustache ou demonstra a vontade de cultivar algum. Catherine, a lascivamente-insaciável da história toda, fez questão de pintar um bigode na sua cara quando se disfarçou de homem, provando que sim, o bigode era uma das principais características de quem preferia uma vida de múltiplas escolhas. Mas aí veio a Primeira Grande Guerra, dando início a uma mudança de costumes não muito benéfica no que diz respeito à austeridade que um moustache conferia a certas pessoas e que hoje, é rapidamente associado a usuários de pochetes, por exemplo.

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ULTRA-MEGA-SPOILER DO MELHOR FILME DO ANO, so far.

Publicado em Cinema por Tiago Lopes em Junho 18, 2008


gotcha!

Então, caso você ainda queira ver The Happening, mas quer chegar o mais virgem possível dentro da sala de exibição, sai daqui e vai pra fila do ingresso. Depois, volta e lê o restante das minhas abalizadas opiniões. Se é de um empurrão mínimo que você precisa, hold the push: Shyamalão did it again, mas nem foi em comparação a suas obras anteriores. Nesse aqui, ele foi além da sugestão que sempre manipulou tão bem em cenas de suspense e, quando se pede por sangue e cenas realmente violentas, ele entrega sem pudor, não importa se as vítimas são crianças ou idosos, algumas ele mostra de maneira GENIALMENTE sútil e outras, ele esfrega o estrago do estilhaço de vidro na tua cara. Essa é a novidade de The Happening: Shyamalão finalmente se permitiu ser violento, como todo grande diretor de terror. Agora vai lá, compra o teu ingresso e seja feliz por alguns 90 minutos.

Lembrando do problema anterior: acho, de verdade, incompreensível alguém apontar como um defeito de Lady In The Water uma águia gigante. Se essa águia estivesse sendo alada por cinco elefantes cor-de-rosa, ainda assim não seria motivo de ridicularização, porque, antes de começar tudo, você, espectador supostamente esperto, foi avisado de que aquilo era um conto-de-fadas. 5 elefantes cor-de-rosa alando uma águia gigante não são o suficiente num conto-de-fadas, okey? Caso queira pôr em prova a eficiência de um bom filme, arranje uma outra desculpa, mas que o suspense estava lá, definido por um roteiro que criava leis para o desenvolvimento de sua história e não as ultrapassava (é isso que um conto-de-fadas faz, certo? Estabelece umas regras para que a ação se desenvolva levando-as ao limite), criando uns bons momentos de tensão e uma mensagem bonita no final (isso SEMPRE vem em conto-de-fadas, e foi assim que o filme se auto-proclamou desde o começo) são fatos inegáveis, seu imbecil.

Dito isso, segue breve síntese de The Happening: “a brincadeira é: vento batatão passa e grita ‘ESTÁTUA’. Ganha quem se matar por último.” Pensemos então em rápidas sínteses dos melhores examplares do cinema de suspense dos últimos 30 anos. Cito dois dos meus favoritos: The Shining e The Fly. “‘Sensação estranha’ se apodera de um escritor-wannabe para que este mate toda a sua família. Chance de sobrevivência reside no dedo indicador de seu filho mais novo” (!). “Cientista cria máquina de fusão de espécies, mas uma mosca intrusa apronta uma daquelas e acaba com seus planos de boa estética” (!!). Gents, cinema de terror não pede por coerência, pede por bons sustos, no mínimo. E os três (sim, aqui sou eu equiparando The Happening a esses dois exemplos já consagrados) vão além, bem além de bons sustos.

No alvo de estudo presente, o vento batatão nem é a causa da coisa toda, na real, é uma toxina liberada por plantas (pera pera, que tem mais!) que desbloqueia o senso de perigo que todo cérebro humano possui, tornando os alvos desorientados, idiotas e, finalmente, suicidas. E isso tudo são teorias espalhadas por todo o filme, TEORIAS!! Assim como n’O Iluminado, aqui, só temos especulações do que ocorreu. Repentino com veio, foi-se. Sabendo disso, desviamos a nossa atenção para o que realmente interessa num filme de suspense: tensão latente abrindo caminho para sustos inesperados, e algumas imagens violentas saídas de tudo isso, se possível. A abertura de The Happening, dos créditos até o fim da primeira sequência, é digna de aplausos desmedidos: enquanto os nomes vão aparecendo na frente de imagens de um céu claro, um piano vai ficando cada vez mais soturno, enquanto as imagens, mais obscuras, com nuvens carregadas sendo mostradas em maior velocidade. Quando o “Shyamalan” aparece abaixo de um “written, produced and directed by” (good boy!), já é sobre um céu bizarramente escuro. Corta pro Central Park, primeiro ataque combinado de vento batatão e toxinas malignas e a primeira vítima: uma loirinha que espeta seca e diretamente no pescoço uma varinha que prendia seu cabelo. Depois, uns operários se jogando de uns prédios em construção e o CAOS, O HORROR!!

E o que se segue é a clássica montagem de filmes de terror: cidades sendo evacuadas, pequenos grupos de pessoas sendo escolhidas como protagonistas e um outro tanto de grupos servindo de melhores exemplos de como a tragédia está se manifestando. E óh-boy! As outras amostras de vento batatão são mais geniais do que a primeira. Aquela lá em que três pessoas diferentes se matam com a mesma arma num plano-sequência é de abalar bangu I e II. Enquanto o número de personagens principais vai se afunilando, Shyamalan vai ensinando titio Spilberg como se aborda a questão “famiglia” numa tragédia, a la vovô Hitchcock: com humor. As cenas engraçadas aqui são realmente engraçadas, não brotam de um humor involuntário, como muitos acusaram. Quando o Mark Marky tá falando “in good vibs” com uma planta, ele mesmo se toca do ridículo da situação e faz piada disso. E faz mais uma piada quando quer se reconciliar com a esposa e mais uma quando quer apaziguar o espírito da menininha, e TODAS funcionam, também como aviso do choque que está por vir: quanto melhor a piada, mais chocante os eventos que a seguem serão (e isso foi o mais próximo de vovô Hitch que o Shymalão já quis chegar).

E aqui, crianças e idosos são alvos das melhores mortes. A da velhinha que abriga o clã Mark Marky já no terço final do filme foi, sem exageros, a mais violenta da-década. E sim, lembro dos exemplos do Cronenberg, mas quero ver ele competir com isso: velhinha respira vento batatão com toxina maligna, fica despirocada e começa a bater a cara ao longo de uma parede, até chegar numa janela de vidro e não parar, enchendo a cara já inchada e toda machucada de estilhaços. E a gente ainda ganha um close e a galera vai ao delíííííííííííííííírio!!

E quando falei em “montagem clássica de filmes de terror” é porque é uma das escolhas mais visíveis tomadas pelo diretor. Temos mostras do que está acontecendo em outros lugares, só que tudo muito gozadinho, com umas críticas a isso e aquilo outro, tudo gritando por contextualização pra ir além da piada (mas isso me basta).Tem até o final “tudo-recomeça-em-outro-país”. The Happening é a cria mais comum do Shyamalão, reencontro-com-grande-público-blá-blá-blá-whatever, só que muita gente vai deixar de ver esse ponto alto de um gênero que só têm decepcionado (os outros ótimos e recentes suspenses são, não por acaso, crias do indiano aí) por causa do nome manchado do autor, alvo de alguns reaças que insistem em achar O Sexto Sentido algo realmente memorável e não veêm que isso foi só pegadinha do Shyamalan pra ficar com moral na maior indústria de cinema do mundo e fazer no quintal deles o que eles mais desprezam: obras com um valor maior do que o peso das bilheterias para serem distribuídas como todos os outros cachorrinhos obedientes o são, em larga escala.

Talvez esse seja o catch que atravanca a visão da maioria dos críticos: são filmes de autor, claramente feitos para um público menor, distribuídos em massa, causando alguma confusão nas mentes mais desinformadas, o que só os torna mais parecidos com aquele desavisado que comprou um ingresso casualmente pra ver O Iluminado e detestou porque não tinha uma cheerleader esfaqueada lá pelas tantas.

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Sem Moustache, graças a isso:

Publicado em Moustache Day! por Tiago Lopes em Junho 16, 2008

(Via E Deus Criou a Mulher).

Cês notaram o Cramps aqui embaixo? Sem Moustache Day porque não achei uma foto decente de quem queria achar, muita coisa aqui no trabalho, e vontade de mostrar porque O.C. era uma série acima do aceitável. Amanhã, talvez, um bigodinho pra aplacar essa saúde toda.

Não tô brincando, vou bagunçar…

Publicado em Cinema por Tiago Lopes em Junho 13, 2008

Bagunçarei esse dia com alguma importância for some of you out there indicando uns filminhos sórdidos. Essa lista começa e termina com o Mike Nichols, que mostrou em dois filmes que a compõem que não há graça nenhuma na monogamia e na manuntenção dos sentimentos que servem de alicerce à mesma, depois de um certo tempo. Mesmo lembrando que ele fez The Graduate e que, sim, acho que é uma das coisas mais bonitas já criadas pelo cinema, mas o filme não vai além de mostrar uma tentativa bem sucedida de INICIAR um desses relacionamentos possivelmente duradouros. A parte em que você acredita que Mrs. Robinson não é mais uma tentação para o Benjamin é mais ou menos onde o seu grau de ingenuidade é medido.

Encabeçando a lista:

Quem Tem Medo de Virgínia Woolf:


And that’s how i’m gonna cut-off your dick!

2 horas e 10 minutos em que nada mais é mostrado além de um casal experiente excercitando a arte da retórica ininterruptamente, para tentar convencer um jovem casal de que nada, absolutamente nada, pode se esperar de um longo relacionamento além do melhor e mais rancoroso cinismo que pode existir por aí, despejado em tons de voz extremos e trêpado feito um porco. O que faz a discussão inacabável de George e Martha ser tão boa de se ver, a ponto de se desejar comprar um exemplar de cada um para serem postos em ação ao vivo sempre que se desejar, é porque um é o Richard Burton e a outra é a Elizabeth Taylor, e o que eles falam foi escrito pelo Edward Albee e tudo isso é mostrado pelo Mike Nichols. Todas as outras discussões que existem e não foram criadas com esses elementos não passam de lavadeiras gritando num cortiço.

A Rosa Púrpura do Cairo:


Personagem assumidamente fictício recusando um gangbang

Esse filme é o maior engana-besta-pega-otário que existe. Todo ele, visto de maneira superficial, soa como uma das melhores e mais criativas obras criadas sobre o amor em todos os 109 anos de existência do cinema e olha eu economizando um da-década aqui. Visto com uma maior atenção, a critividade dele só fica mais latente, justamente por deixar transparecer essa imagem de cute-cute mas, na real, mostrar insistentemente a irrealidade de um romance tão bunitinho, fazendo seu personagem principal e grande galanteador ser, assumidamente, uma mentira. E quando alguém mais… errr… orgânico tenta reproduzir essa mesma cuteness, acaba por deixar claro o caráter estritamente interesseiro de todo o falatório açucarado. Aí, é só generalizar o discurso pra ver o quão bagunção o Woody está se mostrando aqui.

Closer:


4 de quatro

E outro bacanal impíucito do Mike Nichols. Os 2 casais desse aqui não são mostrados num sólido relacionamento por muito tempo, o filme se interessa em esfregar na sua cara somente os momentos de virada, onde um casal termina e outro começa. São quase imperceptíveis os pulos temporais que acontecem na história, intervalos de até 5 anos são simplesmente banidos, sem nenhuma informação do que ocorreu durante todo esse tempo na vida dos casais, porque happy times NÃO SÃO INTERESSANTES. Então, de novo, 2 horas de filme contendo as melhores frases a serem ditas em discussões de fins de relacionamentos, só que aqui, temos a Natalie Portman em trajes sumaríssimos para complementar a beleuza dos diálogos, e ela mesma passando a perna nos outros três patetas e caminhando, caminhando, caminhando…

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Outras rápidas dicas de coisas para estragar a sua facilmente influenciável felicidade:

Ligações Perigosas: Cruela Cruel, antes de nutrir uma ridícula obsessão por dálmatas, jogando seu stalkerismo pra cima do Keanu Reeves, o que explica bem a bizarra semelhança entre a atuação dos cachorros e todas as outras feitas pelo ator.

Fim de Caso: A história de uma mulher que satisfaz três ao mesmo tempo: o marido bobão, o amante ciumento e God Almighty. E o terceiro é, óbvio, o mais sacana dos três. Vá direto no original e peça na livraria por “Fim De Caso”, do Graham Greene. Depois, veja o filmão do Neil Jordan, com Juliane Moore showing her tits and doing it well.

It’s Moustache Day! (III)

Publicado em Literatura, Moustache Day! por Tiago Lopes em Junho 9, 2008

Iniciando o mês do Bloomsday:

James Joyce:


On the drums, Ezra Pound

James Joyce (Jay-Jay para os íntimos) é uma incógnita quando se pensa nos processos criativos necessários para o nascimento de uma obra-prima: flanou por quase toda a Europa (fazendo uso de um modelo mais discreto de bigode), viveu 59 anos e, ainda assim, conseguiu concentrar a ação de toda a sua obra em uma única cidade. Exemplo maior disso é o seu greatest hit: um livro de mais de 900 páginas que se passa em uma única cidade (quiçá em pouquíssimos bairros da mesma) e em um único dia. Com isso, foi criador e único desenvolvedor do método “Forgetting Great Experiences to Create a Classic“, que consiste em conhecer o maior número de pessoas e lugares possíveis e convergir todas as experiências obtidas para uma espécie de brain’s basement, que irá processá-las e transformá-las em um profundo conhecimento sobre a sua cidade natal (no caso, Dublin) e, de brinde, vai te fazer esquecer sobre tudo e todos fora dos limites da mesma. E foi assim que nasceu Ulysses, onde toda a ação (“ação”, aqui, define apenas pessoas caminhando, no máximo, andando de carruagem) se passa somente em Dublin, no dia 16 de junho de 1904. Data escolhida como uma homenagem kinky à sua esposa: foi nesse dia que o danadão aí recebeu o primeiro hand-job da mesma. Bloomsday nada mais é do que um dia de louvor as capacidades onanísticas da esposa de outrem.

Memoráveis sentenças proferidas sob o bigode:

“A man of genius makes no mistakes. His errors are volitional and are the portals of discovery.”

-Stephen Dedalus, Jay-Jay wannabe.

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Jaaaaaailbreak!

Publicado em Cinema por Tiago Lopes em Junho 6, 2008

Fuga de Alcatraz:

O cinema de ação dos 60’s e 70’s parece, se comparado com os melhores exemplares do gênero feito nos dias de hoje, com algo mais próximo da periferia dos multiplex do que um produto de mercado (opa! liga pra contracampo!) feito para atingir o público masculino na faixa dos 20 aos 30 anos. Filmes como Bullit, Maratona da Morte, Os Implacáveis e Fuga de Alcatraz são filmes de ação que contêm todos os elementos característicos do gênero, mas passam ao largo de expô-los como os filmes da década de 80 em diante têm feito. Todos os exemplos citados são considerados pela minha pequena e modesta mente perfeições do cinema americano. Fuga de Alcatraz é o mais bem acabado exemplo de filme de ação que não dispensa uma fagulha para se mostrar tão eficaz quanto, por exemplo, toda a trilogia Bourne. O filme se constrói fazendo uso da mesma calmaria com que seus personagens empreendem na fuga de… de… Alcatraz! É todo cadenciado, sem trilha sonora, com uns momentos raros de exposição de sentimento que já foram usados em demasia em outros tantos filmes mas que, inseridos na aridez com que esse se desdobra, se tranformam em algo inédito e, por isso, mais emocionantes ainda. E o roteiro é tão exemplarmente manipulador na maneira como mostra os prisioneiros e seus algozes (potencializdo na imagem do diretor da prisão) que faz com que você desvie toda a sua simpatia do lado da lei e realmente torça pela escória, que deixa de ser escória quando o motivo pelos quais estão presos não são mostrados em nenhum momento. Mas ninguém levanta a voz para alegar inocência, tentando garantir não só a sua simpatia, mas uma feeling de pena extra, como num outro filme de prisão desprovido de estilo e de qualquer força.

Papillon:

E mais ambicioso, mas nem perto de atingir o nível de satisfação da clientela a que se propõe. Mesmo usando dois atores que geralmente fazem um esforço mínimo para chamar a atenção de alguma maneira, o filme se arrasta em longuíssimas duas horas e meia se esforçando para deixar claro o quão difícil era a condição de vida dos prisioneiros enviados para cadeias especiais na Guiana Françesa, mas só consegue gritar que o esforço de filmar tudo isso foi mais penoso do que o percalço dos protagonistas. Parece uma menininha gritando “me chama de clássico, ME CHAMA DE CLÁSSICO!!”. Dustin Hoffman e Steve McQueen se doam (a-rã, a-rã) de verdade se prostrando diante daquele calor, rolando na lama, comendo insetos, mas nada disso ajuda no amanciamento da extrema chateação provocada pela direção movida a pilha e confiança cega num roteiro hiper-realisticamente entediante. E o inominável diretor dessa joça dirigiu anteriormente Planeta dos Macacos que, na minha opinião (mas é craro, isso é meu blog), mais parece criação de outrém devido à discrepância de qualidade das obras. Mas é issaê, bora pro próximo, último e mais díspare da lista.

Down By Law:

A jaaaaaaailbreak nesse aqui nem é tanto o mote, é importante pro filme e pros personagens, mas é só mais uma passagem usada para mostrar que é fácil enxergar a beleuza das coisas quando se está na merda. E fica mais fácil ainda ver todo esse adorno do banal quando o mesmo é mostrado em p&b. Então, começa com a prisão de Zack (John Lurie) e Jack (Tom Espera), ambos trapaceados e pêgos no fragra. Quando chegam na cadeia, conhecem Roberto (o Benigni), que cometeu um crime grave mesmo, mas é sem-noção e serve de alívio cômico para contrapor com a amargura dos outros dois. A fuga da prisão é fácil e mostrada rapidamente, o que perdura na tela são os momentos em que os três estão na cela e o tempo em que ficaram à paisana, no meio do mato, depois de escaparem. São nessas duas passagens que a empatia entre eles fica mais concreta, mas não através de trocas de informações sobre suas vidas, eles só ficam mais próximos devido às circunstâncias do isolamento. Discutem, mas também arranjam maneiras estranhamente divertidas de passar o tempo, quase todas iniciadas por Roberto que, por isso mesmo, fica sendo o responsável por manter a geral unida. Até toparem com um casebre e uma estrada bifurcada, num final todo bonito mesmo, acompanhado de umas músicas que dão ênfase ao “sad and beautiful” que perpassa todas as imagens do filme. Vê-lo pela segunda vez, quando já se tem a certeza da ausência de maiores surpresas, fica mais prazeroso ainda de acompanhar o que é mostrado num ritmo lento, para melhor apreciação.

Bobó Dylan in a breakthrough performance

Publicado em Música por Tiago Lopes em Junho 2, 2008

Bob Dylan de jaqueta aberta

Bob Dylan de regata

Bob Dylan de boné

Ombreiras

Japas nos backing-vocals

Bob Dylan virando a cara pro close

Policial japa fazendo gestos obcenos com o indicador e o polegar

Ombreiras

Jimmy Cliff wannabe nas bateras

Cadeia japa com bandeiras americanas dentro da cela (tem que ter crítica né?)

Ombreiras

Bob Dylan num implícito threesome

Bob Dylan fazendo passinhos com as japas backing-vocals

Foguete non-sense no final

O vídeo que inventou “Lost In Translations”

O melhor vídeo de todos os tempos

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*com agradecimentos a Lucas pela linkada desse genial exemplo da genialidade de Bobó, o Dylan.

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It’s Moustache Day! (II)

Publicado em Cinema, Moustache Day! por Tiago Lopes em Junho 2, 2008

E aqui estamos para a nossa já regular incursão nas mentes e moustaches de grandes homens do nosso e de outros tempos. E hoje, como prometido:

Daniel Plainview:

Criado por Paul Thomas Anderson e um xará de sobrenome Day-Lewis, Daniel Plainview cruzou um filme de mais de três horas como um ser mau, muito mau, e virgem. Nenhuma menção sobre o fato de já ter feito sequiço alguma vez na vida. O único herdeiro que criou era filho de seu subordinado e primeira vítima fatal de seu trabalho como um oil-man. E, na única vez em que vai em uma balada, não consegue pensar em outra coisa a não ser nas diferentes maneiras de pôr uma bala na cabeça do so-called brother que estava lá, curtindo o by-night sem medo de ser feliz. Isso é só uma inocente constatação que talvez, TALVEZ, sirva de justificativa para tamanha ausência de joie de vivre. Mas ele mesmo dá a sua versão dos fatos em uma das…

Memoráveis sentenças proferidas sob o bigode:

“I see the worst in people. I don’t need to look past seeing them to get all I need. I’ve built my hatreds up over the years, little by little, Henry… to have you here gives me a second breath. I can’t keep doing this on my own with these… people.”

-único momento em que Plainview demonstra um verdadeira vontade de socializar, explicando o porquê de tal feeling não existir em sua vida até agora, mesmo o alvo de rara partilha sendo alguém que, minutos depois, não mais existiria como um ser vivente. E, se eu explico a ironia da coisa, tô dando um spoiler pras raras mentes que ainda não introduziram tamanho masterpiece em suas cabeças.

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Na próxima semana: James Joyce e a necessidade de ser pidão para criar o melhor livro do século XX.