It’s Moustche Day! (VII)
Com uma órbita da Terra em torno do seu próprio eixo de atraso (devido a planos futuros caros e caras), retomamos a mais emocionante sequência de algarismos romanos desde a queda de Roma nesta tediosa terça, com mais um Moustache fictício. Vamos de Lars:

a “real girl” foi buscar os sorvetes
Damn! Esse filme é massa! Ryan Gosling como Lars só cumpriu mais um dia de trabalho nivelado com seus anteriores: um troço assustador de tão phodamente contido. Faz, às vezes, uso de uma expressão que todos os personagens principais do Wes Anderson mostram lá pela tantas, quando tudo falha e a solução é só esperar mesmo (essa da foto, tipo staring at nothing is the first step to solve problems). Tudo em prol da criação de Lars, um bigodudo misantropo que, de tão lonely-boy, atraiu a intrusiva solidariedade de todos os moradores da cidade, em busca de animá-lo para qualquer coisa que envolva mais de uma pessoa para funcionar, um relacionamento, por exemplo. Ele descobre uma boneca à venda, de proporções normais e “anatomicamente correta”, compra e apresenta à toda a cidade como sua namorada, tentando se proteger de futuros convites. Ao invés de provocar um estranhamento prolongado, todo mundo é solidário à causa do Lars depois do susto inicial. Aí que o filme fica único assim, como são Lost in Translations e Eternal Sunshine…, porque não dá para se adiantar a uma história como essa e tentar prever o final, tudo que acontece depois do que eu descrevi é inesperado e emocionante (de emoção genuina mesmo) pra caralho saca? Ao fim do filme, só quis mesmo colocá-lo ao lado dessas duas geniais obras sobre o amor do nosso tempo e dar por encerrada uma trinca de abordagens realmente originais a algo que cada vez menos me parece desnecessário e bobo.
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