Da Década!

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Publicado em Literatura por Tiago Lopes em Julho 21, 2008

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Espera-se que o encerramento de uma trilogia seja sempre o seu melhor capítulo, principalmente se os dois anteriores formaram uma sequência de crescente qualidade: o 1º é muito bom, o 2º é genial e, do 3º, sempre esperamos que o sentido da vida seja revelado ao fim de cada página. O Cormac frustou belamente expectativas com o fim de sua Trilogia da Fronteira. “Belamente” porque não encerrou com uma história completamente dispensável, mas uma bem menor que as duas anteriores. O melhor dos três é mesmo A Travessia, um livro enormemente ambicioso que ampliou ao extremo as melhores coisas dos três livros: violência, histórias de beira de estrada e parcêros se fudendo sistematicamente na mão de gente mais otária. Essas características principais da trilogia são minimizadas ou simplesmente não existem no terceiro.

Billy Parham e John Grandy cresceram, se tornaram amigos e trabalham numa fazenda. O clima bandolêros-dimenor dos dois anteriores foi pra vala depois que eles se assentaram nessa fazenda e abandonaram a vida nômade. Eles convivem com uns tantos coadjuvantes que estão por lá só pra dar uma maior movimentação na história, nunca explorados com a devida atenção que o Cormac outrora deu a seus personagens secundários. Daí que John se apaixona por uma prostituta de menor idade, epiléptica e a favorita do seu pimp. É sabido então, desde que essas circunstâncias são mostradas, que o Billy vai ficar de escanteio e o John não vai ouvir os conselhos de ninguém e vai querer fugir com a chicana e vai se dar mal no final.

O chato é que só o final mesmo de Cidades da Planície é que parece com um McCarthy de verdade. Antes disso, o que existe é uma quase entediante movimentação de todos os personagens se preparando para o inevitável confronto final entre o John Grady e o pimp de sua chicana. Mas nem mesmo a batalha entre os dois ficou completamente livre de uns bad moves. Porque vilão que marca sua inicial na pele do outro com uma faca é até aceitável do ponto de vista realista, mas quando se pensa que essa derrapada pró-cafonismo não existiu, sequer se deixou prever nos dois anteriores, a situação toda se torna meio intragável, do ponto de vista das boas idéias. Se salvou porque a briga de facas é realmente assustadora, até mesmo na maneira como a hora e o local (de madrugada, em beco escuro) onde a ação se passa são descritos. E a maneira como o encerramento se arrasta para além do fim do confronto deixou as coisas um tanto mais cruéis. Mas a qualidade do último livro da Trilogia da Fronteira, visto como um todo, impediu até mesmo que uma saudade pelo fim de personagens tão memoráveis fosse mais aguda do que só um “cabô né? bora procurar Blood Meridian agora”.

Uma resposta

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  1. Rudá said, on Julho 22, 2008 at 4:27 am

    Os três aí, mais outros dois de McCarthy, estão na minha infindável fila de futuras aquisições.

    Por enquanto eles figuram na minha lista imaginária de livros preferidos…


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