Serviço Involuntário de Utilidade Pública
O texto abaixo é um ajuntamento um tanto desconexo de impressões que sempre tive (nascer com impressões formadas sobre certos documentários… what a delight!) de alguns documentários do João Moreira Salles e de todos do Eduardo Coutinho (especialmente do segundo) e nunca escrevi anteriormente em nenhum lugar. Tentei juntar as opiniões que considero mais válidas sobre esses filmes e o que saiu foi isso aí:
***
Acho que certos documentaristas brasileiros deveriam ser distribuídos em algumas cidades como o é o Bolsa-família: as pessoas têm o direito de possuírem um Eduardo Coutinho ou um João Moreira Salles por perto para que esses possam atenuar as dificuldades de suportar a vida. Não que eles tenham que distribuir quantias irrisórias de dinheiro para a vida ser menos insuportável, eles só precisam fazer o que fazem melhor: tornar certas pessoas, costumeiramente conhecidas como “gentinhas”, em seres realmente admiráveis, nem que seja pelo tempo em que estão sendo expostas na tela, porque, mesmo que seja por duas horas, dá para o telespectador fazer uma generalização de bom grado e renovar a fé na humanidade ao menos por três semanas depois de ver um desses filmes.
Tome como um bom exemplo Jogo de Cena. É um filme genial e, antes de ceder gentilmente esse adjetivo um tanto banalizado nos dias de hoje a esse documentário, tive que revê-lo umas duas vezes para não diminuir seu tamanho chamando-o apenas de “ridiculamente ótimo”, mas genial mesmo. O Coutinho, diretor desse documentário, usou como base depoimentos de mulheres que descreviam situações difíceis na vida de autênticas representantes da “gentinha”: gravidez indesejada, brigas familiares, prostituição e mais tantas outras coisas que assolam a cabeça de empregadas Brasil afora. Chamou algumas atrizes profissionais (Marília Pêra, Andréa Beltrão, Fernanda Torres) e fez com que esses depoimentos fossem interpretados tanto pelas profissionais como pelas supostas donas dessas experiências. Em nenhum momento você descobre quem está falando a verdade, ou se tal história foi realmente vivida por quem está narrando. Mas, da mais banal e estúpida experiência a mais complexa, todas são emocionantes de uma maneira única. Não importa se quem está narrando é uma atriz com mais de 50 anos de experiência ou uma suburbana de 15 anos, em algum momento os olhos ficam genuinamente marejados.
João Moreira Salles nos fez acreditar que nunca foi muito afeito a embelezamentos da plebe ignara. Ficou famoso por: desnudar coisas, como a guerra entre o tráfico carioca e a polícia em Notícias de Uma Guerra Particular; enfatizar a beleza do que já tinha lá a sua graça no documentário sobre o pianista Nelson Freire; e dar um belo tratamento fotográfico ao maior mantenedor do “gentinha life-style” de todos os tempos, Luís Inácio Lula da Silva, em Entreatos. Em seu último documentário, Santiago, João Moreira Salles dá a entender que sempre quis, desde o começo, aprender a transformar o desinteresse em “ordinary peoples” em algo apreciável e vendável, sem explorar a estética da pobreza. Frustrou-se com o resultado início e se desviou do caminho da luz.
A frustração derivou da primeira tentativa feita por Moreira Salles de contar a história de Santiago Merlo, mordomo da sua família por algumas décadas. Mas o aspecto de “pessoa ordinária” que seu personagem principal guarda é apenas na profissão de serviçal que escolheu seguir. Santiago possuía vasto conhecimento de música erudita e tinha a estranha mania de transcrever páginas e mais páginas de livros que contavam a história de grandes dinastias e linhagens nobres, o que lhe conferia um incomum conhecimento sobre questões que não interessavam a ninguém, mas impressionavam quando respondidas. Não satisfeito com o que fez em 1992, o diretor arquivou as imagens gravadas e só voltou a vê-las novamente quando resolveu fazer Santiago, um filme sobre a frustração de 1992, sobre seu mordomo, sobre sua relação com os membros da sua família e sobre mais um sem-número de temas nascidos da truncada metalinguagem contida na idéia do filme.
O mais interessante desdobramento de Santiago – porque é um filme que te dá tantas opções de escolha quanto boy-bands te ofereciam em 1999, você TEM que dar preferência a alguma – é a exposição da maior falha ocorrida em 1992: como João Moreira Salles, um documentarista que supostamente prezava pela boa ética na feitura de um filme, se intrometia na relação do seu entrevistado com a câmera, que deveria ser a mais livre de interferências possível. Em Santiago, Moreira Salles não só expôs, como dissecou as causas de todo o seu comportamento arrogante para com o mordomo, do jeito abrupto que interferia nos depoimentos dados por Santiago, passando pela maneira como comandava a linguagem corporal do mordomo, até ao cúmulo de interromper o entrevistado quando esse enveredava por um caminho que não lhe interessava. Esse “caminho” era justamente o que Santiago mais ansiava em mostrar e, quando era calado pelo diretor, a expressão de decepção na sua cara provoca uma pena quase insuportável em quem assiste.
Já Eduardo Coutinho possui uma vantagem única em estabelecer com uma rapidez assustadora um vínculo de confiança com seu entrevistado. Nem é por causa de técnicas misteriosas de persuasão não, é só porque ele possui essa cara:
Impossível não achar que esse senhor já é um amigo íntimo quando ele começa a demonstrar interesse por você, sustentando essa expressão facial simpática e usando um tom de voz sempre agradável, que é capaz de fazer você responder do sofá da sua sala tudo que ele pergunta na tela. Daí para moldar o que seu entrevistado quer falar aos seus interesses (e pessoas ordinárias, na frente de uma câmera, querem fazer biografias em tempo real), Coutinho nem precisa de muita coisa, só fazer as perguntas certas mesmo. Quando o entrevistado já se sente tão íntimo que a única maneira que consegue achar de mostrar uma intimidade ainda mais profunda é cantar para a câmera, surgem aqueles “números musicais” que sempre arrancam umas lágrimas da platéia. Em Jogo de Cena, a “seqüência musical” foi devastadora como pouca coisa que já vi.
Ao fim de cada um desses filmes, sinto que esses diretores acabaram de prestar um grandessíssimo serviço de utilidade pública involuntariamente: tornar mais suportável e manter num nível pacífico a convivência com pessoas que não significam nada pra você e teimam em se colocar no seu campo de visão se comportando de maneira chula e escandalosa. Dá até vontade de dar um grande “boa noite” ao entrar num ônibus e ser educado com todos os presentes depois de ver filmes assim.
“I was struck less by his looks than by the fact that he was carrying a large teddy-bear”
Enquanto lia pela primeira vez Brideshead Revisited, sempre empacava num grave problema de falta de imaginação por nunca conseguir criar uma imagem satisfatória do Sebastian carregando seu ursinho. Creio que visualizei com um certo respeito e alguma fidelidade todo o resto, mas sempre que topava com uma menção ao Aloysius (nome do teddy-bear), conseguia vê-lo apenas enquanto sua presença era apontada. Exemplo: num encontro entre o Sebastian e o Charles, quando o Waugh informa que aquele está carregando o urso, conseguia vê-lo pendurado nas mãos do Sebastian somente enquanto lia, por exemplo, “Sebastian’s teddy bear sat at the wheel. We put him between us”; continuando a leitura do diálogo travado entre eles, me esquecia completamente da presença do ursinho, mas todo o cenário, figurino e objetos descritos nessa conversa continuavam em seus devidos lugares na minha cabeça.
Mas A-HÁ! Esse fim de semana assisti o primeiro episódio da série da BBC baseada no livro. Ver o Sebastian carregando Aloysius não foi tão normal quanto minha ansiedade antecipava. Na verdade, tenho certeza que foi uma das imagens mais bizarras que já vi, por isso minha imaginação um tanto pequena (devo admitir) se recusou a manter constantemente viva tão estranha imagem. De todas as excentricidades descritas ao longo do livro – TODO o Anthony Blanche, o comportamento do Sebastian em suas viagens feitas já em pleno declínio -, tudo isso me pareceu menos incômodo do que um homem crescido carregando um urso de pelúcia em aparições públicas. Acho que por toda a facilidade do gesto (agarrar um urso depois de vestir um bom terno não demanda muito esforço físico), a caminhada em público com um urso nas mãos me parece A atitude mais excêntrica da qual já tomei conhecimento.
Creio eu que mudanças nesse posto não irão ocorrer em tão breve momento, porque continuo imaginando todo o efeito provocado pela disseminação desse comportamento: adultos carregando ursos de pelúcia, paralelamente à mochilas, malas e outros objetos que possam ser carregados na outra mão. Imagino que em 1945 – data da primeira edição de Brideshead Revisited e também ano em que a II Guerra Mundial chegou ao fim – toda uma multidão de sobreviventes dos campos de batalha voltou para casa e teve que encontrar sua jovem prole carregando ursos de pelúcia pelos pátios das universidades e pior!! dando nomes aos seres inanimados e levando-os aos salões de festa, barbearias, praças…
Sinto que a presença das gravatas borboleta, dos chapéus-coco e dos bigodes aliviava um pouco o choque da visão de um urso sendo carregado por um homem em locais públicos. Transpondo a imagem para os dias de hoje, na principal avenida da minha cidade, tenho certeza que visões de homens em sungas fazendo caminhadas na beira da praia, com um squeeze em uma mão e um teddy bear na outra, me levariam a convulsões instantâneas. E há quem se submeta à dor provocada por perfurações cutâneas com o intuíto de provocar algum choque na comunidade local e chamar a atenção dos mais carolas, desconhecendo o maior e mais indolor causador de espanto: o ato de carregar um urso de pelúcia à vista de todos.
(Mas há mais, bem mais, em Brideshead Revisited do que um bando de afetadinhos fazendo coisas excêntricas. Há um declínio tão onipresente que alcança a todos os personagens, via decadência, ação do tempo ou remorso irredutível. E todos eles caem e é tudo penosamente divertido).
Livres Associações II
…Continuando
Gilberto Braga, terror do horário nobre, depois de exprimir empolgação pelo “absurdo de criatividade que acabou de brotar da cabeça do Maneco”, começou a expor aos presentes o que tinha em mente para a sua próxima criação, já esperando que as revoluções que sempre quis fazer em suas novelas fossem finalmente aceitas, e até incentivadas, pela alta cúpula da globo. “Chamar o Lynch pra tentar me ensinar alguma coisa… Humpf! O que ele faz hoje eu faço há décadas, tô aí trocando identidades desde Dancing Days“. Depois do desabafo, idéias pululam da mente inquieta de Braga:
“Então gente, finalmente vou poder usar a minha melhor idéia, que manti para mim mesmo durante todo esse tempo por temer as reações contrárias dos conservadores dessa pocilga: um protagonista travesti. Malu Mader, claro, vai interpretar Travesti Regina/Reginaldo, tendo como maior influência o travesti criado por David Lynch em Coração Selvagem e feito com muita feminilidade por uma tal de Laura Dern. Então, Travesti Regina/Reginaldo cresceu na favela da Rocinha (lembrem, Rocinha é a nova Copacabana, aparece mais em filme hollywoodiano do que aquele calçadão demodê) mas enrica da noite pro dia, por motivos inexplicáveis. Como não quer sair de perto da comunidade, constrói uma mansão gigante bem no meio dos barracões. Os moradores dos casebres que destruiu para assentar seu palecete foram convidados a dividir as mordomias que ela/ele agora desfruta. Então, a ação desse folhetim irá se passar inteiramente dentro da mansão. Todos os núcleos – o dos pagodeiros, o das empregadas, o da classe média-baixa e o dos emergentes – terão representantes dentro do casarão. Para movimentar as coisas, a chegada de um detetive né? Porque é a partir desse detalhe que eu irei desfiar a minha “”"”"sutil“”"”" referência ao mundo hollywoodiano. O detetive irá se instalar na mansão disfarçado de um dos seguranças particulares do dono/dona da fortuna, tendo acesso a todos os lugares frequentados pelo alvo de sua investigação, com o único objetivo de descobrir o porquê do enriquecimento repentino de Travesti Regina/Reginaldo”.
“Gente, tá na cara que Twin Peaks será “”"”"sutilmente“”"”" referenciado ao longo da novela né. Em vez de buscar o assassino da Laura Palmer, meu detetive vai em busca de poder, fama e dinheiro na Rocinha (já disse que é a nova Copacabana né?). Também vai protagonizar o primeiro beijo hétero/travesti da televisão brasileira. Cadáver da Janet Clair finalmente vai apodrecer tranquilo”.
Nem a arrogância embutida na fala de Gilberto Braga, nem as idéias cheias de ineditismo, afastaram a empolgação do mais quieto dos ouvintes. Depois de uma quase interminável salva de palmas, um jovem faz mais uma acanhada sugestão de renovação:
“Nós podíamos trazer de volta o Você Decide também né? Misturar com um pouco de Twilight Zone e limitar as opções de escolha a apenas uma pergunta e duas respostas: Foi tudo um sonho? Sim ou Não?”
Ninguém entendeu metade do que foi dito pelo Beto da cafeteria e todo mundo saiu correndo quando disseram que o Lynch estava autografando a bunda da Maria Adelaide Amaral.
That’s Entertaaaaaainement!

poster massa. detalhe para o destaque dado ao ‘Rated R’
Ontem a noite vi a refilmagem de Funny Games*. O original é um dos meus filmes favoritos de alguma-coisa-entre-o-suspense-e-o-sadismo (agradecimentos a Rudá por espalhar a boa mensagem). Quando anunciaram que o remake seria uma fotocópia exata do original, sendo as mudanças mais “profundas” o idioma falado e os atores, curti ainda mais a idéia toda justamente por causa da escolha do novo elenco (Naomi Watts, Tim Roth, Michael Pitt – a todos tenho algum apreço). Esse post seria um comentário a essa postagem do Querido Bunker, mas ficou muito grande e resolvi colocar a resposta à pertinente observação do cara aqui mesmo.
A graça maior da refilmagem é justamente essa: já que o público se diverte assistindo a tortura, por que não refilmar uma tortura com rostos mais conhecidos? Tipo, é massa ver um bando de desconhecidos sofrendo nas mãos dos pelezinhos lá, mas também é igualmente massa ver a Naomi Watts servindo de brinquedinho do capeta. C’mon! Naomi Watts passando por tudo aquilo! E porque quer! Já tenho pela refilmagem o mesmo respeito que guardo pelo original. A diferença entre os dois, além das já apontadas, é só a raça do cachorro (como bem observou o Rudá) e uns quilos a menos em um dos assassinos. Nenhuma linha do roteiro foi modificada (ao menos que eu tenha notado), o que fica estranho na sequência em que o Pitt reclama da obesidade do Corbet, sendo que este é um ator em forma, ao contrário do gordinho do original.
Acho inclusive que esse filme deveria ser refilmado de tempos em tempos, no mesmo molde dessa versão. Minhas sugestões de futuros elencos:
- O Corbet ficou muito bom como um dos psycho-killers, mas o nível de sandice atingiria os mais baixos escalões do inferno se juntassem Cillian Murphy ao Michael Pitt.
- A próxima família poderia ser: Will Smith como “a mãe”; Samuel L. Jackson como “o pai” e Dakota Fanning como “o filho”. Deus! Eu nunca iria me divertir tanto com o ASSASSINATO INJUSTIFICADO DE INOCENTES SÓ PARA PROVAR O QUÃO O SER HUMANO É VIL E MESQUINHO POR CONSEGUIR SE ENTRETER COM ESSE TIPO DE MALDADE se essas fossem as vítimas.
OU
Betty Faria como “a mãe”; Humberto Martins como “o pai” e qualquer ator ou atriz mirim nacional como “o filho”. Lots of fun!
-
*Nesse caso, nem acho o título nacional tão ruim (Violência Gratuita). O que incomoda é a maneira como ele toma partido. Não acho “gratuita” a violência do filme. Se ela me diverte, (e esse é o seu objetivo final, além de mostrar que eu sou vil e mesquinho [fuck yeah!]), já deixou de ser “gratuita” para existir em prol de uma causa, e uma muito nobre.
Livres Associações
Da coluna de Daniel Castro, na Folha de São Paulo do dia 30 de julho:
BATE-PAPO VIP 1
O cineasta e escritor norte-americano David Lynch, do filme “Veludo Azul” (1986) e da série de TV “Twin Peaks” (1990), participará de um bate-papo com cerca de 300 profissionais da Globo, em um estúdio do Projac, no próximo dia 4. O encontro será mediado pelo jornalista Renato Machado.
BATE-PAPO VIP 2
Toda a elite da criação e da produção da Globo (autores, roteiristas e diretores de novelas e programas) foi convidada. Lynch vem ao Brasil para lançar um livro sobre meditação.
***
Subtraindo a estranheza do “vem ao Brasil para lançar um livro sobre meditação”, vamos direto para o brainstorm entre os autores de novelas e séries da globo, logo depois da reunião:
Manoel Carlos, com um poodle do lado e uma echarpe em volta do pescoço, foi enfático ao observar a importância que a palestra de uma das “mais iluminadas mentes do cinema abstrato hollywoodiano” terá sobre as futuras produções desse baluarte nacional que é a rede grobo. Ele mesmo já havia esboçado um breve roteiro da sua próxima novela, já sobre a influência “dos ensinamentos lynchinianos”:
Helena (interpretada por Regina Duarte, Maneco’s Laura Dern) sofre com o preconceito que seu marido enfrenta por possuir seios grandes, maiores até que os dela. Um dia, depois da usual caminhada vespertina pelo calçadão da praia de Copacabana, enquanto seu marido, sem camisa, joga futvolei com os amigos, ela senta num banco, com seu poodle favorito (possui outros 5, que estão sendo carregados pela empregada negra, fogosa e de mini-saia algumas quadras a frente) e observa, cheia de alegria, mas mantendo um ar pensativo, como o seu marido se sente livre sob o sol do Rio de Janeiro e na companhia de seus melhores amigos. Quando ele levanta a bola para o corte, usando os seios como molas propulsoras, escorrega na areia, cai de costas no chão e a bola volta e atinge um dos seus seios. Semanas e algumas visitas ao médico depois, é avisado de que terá que amputar o seio ferido. Aí começa o verdadeiro drama de Helena: nem os amigos do seu marido conseguem esconder o preconceito que possuem contra um mono-teta.
O autor explica a principal influência: “O Homem Elefante, que é um filme que aborda a questão do preconceito contra certas deformidades humanas desde o título – porque o homem elefante não parece com um elefante né? Parece com o ajuntamento de várias claras de ovos congeladas, devia se chamar ‘The Egg Face‘. Mas a confusão instaurada na minha cabeça desarmou facilmente meus preconceitos. Desarmar preconceitos com confusões estéticas… GENIAL! E, para instaurar o clima de confusão desde o início, a minha novela se chamará ‘TInha! Agora Não Tem Mais‘. Pretendo substituir a referência a Shakespeare por uma ainda mais instigante: as peças do Chico Buarque, por mostrarem uma apuração única do mais nobre espírito do mundo, o espírito do carioca de classe média!!”. Aplausos de Gilberto Braga são ouvidos do outro lado da mesa, seguidos de “clássico, prevejo um cláááássico”.
***
Continua…
