Da Década!

.

Publicado em Cinema por Tiago Lopes em Setembro 27, 2008

Eu, no meu novo quintal, lamentando a morte do segundo cara mais good-looking do mundo.

CIDADÃO INSTIGADO RULEIA!

Publicado em Sem-categoria por Tiago Lopes em Setembro 19, 2008

Digo isso com a urgência de quem acabou de sair do segundo melhor show do ano (o primeiro foi o do Dylan, dispensando quaisquer maiores justificativas). O CIDADÃO INSTIGADO foi chamado para substituir o Vanguart na programação do Coquetel Molotov apenas um dia antes do início do festival. Seu show acabou a pouquíssimos minutos, estou aqui na sala de imprensa, with a bunch of ugly peoples and very exciting, somente pra dizer que o filho da puta ARREPIA MUITO AO VIVO.

D-E-S-T-R-O-E!!

As músicas, que já eram um tanto genialmente longas no disco, ao vivo, são ainda mais esticadas em seus melhores momentos para melhor apreciação. Como grande, absurdo defeito, o fato de não poder ver o show, por um segundo sequer, em pé, como um bom público deve se prostrar. Tentei e fui reprimido umas boas três vezes por um segurança deveras insistente. Mas, mesmo sentado num batente por demais desconfortável, consegui aproveitar, de verdade, A CARALHA DO SEGUNDO MELHOR SHOW DO ANO. E foi inesperado, e esse é só mais um motivo para engrandecer ainda mais o que já era suficientemente gigante.

E só estou me dando ao trabalho de falar sobre isso porque vale realmente a pena. E porque sempre quis fazer um post com o nível alcoólico ligeiramente alto e na frente de um computador com tempo realmente limitado. Tem uns jornalistas mais barangos que eu atrás de mim, querendo usar essa merda. As they say: good night and good luck.

prestação de contas

Publicado em Sem-categoria por Tiago Lopes em Setembro 17, 2008

Na segunda, AO SAIR DA ACADEMIA (garotas, foco no capslock), fui abordado por um negro de estatura mediana, largura mediana e dedo indicador em riste mediano. Como meus fones de ouvido sempre foram uma boa desculpa para não dar atenção a pedintes, fiz de conta que era com o ectoplasma que vinha logo atrás de mim e continuei a ouvir o poperô que estava sendo executado no meu discman. Mas o rapaz insistiu e disse “é com você mesmo”. Fui ver qual era a dele. Perguntou “já se vacinou contra a rubéola?”. Eu disse que não, porque mesmo sendo de graça, ninguém sai de casa voluntariamente para tomar uma injeção, da mesma maneira que ninguém procura fergalicious para ouvir voluntariamente, quando bate a vontade. Então, o rapaz me encaminhou para uma moça ao lado, daqueles que tem cara de não-me-lembro-como-ela-era, e ela já estava com uma injeção prontinha para penetrar os recém-desenvolvidos músculos do meu braço. Claro que pedi para a moça esperar um pouco, ela me pediu pra “olhar pra lá” e, quando olhei, ÓH! A DOR! E foi assim, que em menos de 5 segundos, eliminei mais uma provável causa de morte da minha vida.

Tenho evitado também, durante todo esse tempo, ouvir um disco do Led Zeppelin, qualquer que seja. E, mais fácil do que recorrer ao download, seria uma banquinha posta na saída da academia onde faço trabalhos forçados, com agentes da saúde me abordando e perguntando se eu já havia deitado meus ouvidos num disco completo do Led Zeppelin. Ao ouvir uma resposta negativa, bancos, sombrinhas e um bom stereo com o Led Zeppelin II apareceriam imediatamente. Em menos de uma hora, teria alguma opinião para além do “nunca ouvi” sobre essa banda que, dizem por aí, vale alguns minutos da sua atenção. Porque irmãos e irmãs, só existe uma coisa nesse mundo que pode ser julgada com um chechelento, mas categórico “não vi e não gostei” (e suas variantes): essa coisa se chama Jorge Amado. Para todas as outras, uma chance, a menor que seja, deve ser oferecida. Nem que seja para aumentar a matéria-prima de suas piadas.

Agentes de saúde, para futuras abordagens, recomendo:

*Apocalipse Now e The Godfather II e III (ó, me perdoem, mas ainda tiro o encosto do Copolla dos meus ombros em apenas um domingo, acontece que toda vez que me programo pra ver a trilogia completa, bebo um pouco e sempre durmo antes do Robert De Niro aparecer);

*Arquivo X (nunca vi uma temporada inteira dessa série, a fadiga de me redimir com o passado e deixar para depois coisas como The Wire [vi as duas primeiras temporadas], Sopranos [1ª temporada apenas] e Samurai Jack [o sbt cancelou a exibição da melhor animação de todos os tempos na 1ª temporada, desde então procuro bons torrents com todos os episódios, por não possuir CN ou qualquer outro canal pago em casa];

*Os Trópicos do Henry Miller (já ganhei o primeiro das mãos do Peixoto, mas esbarrei numa descrição de pêlos de axilas que me fez colocar o cancerígeno de lado por um tempo, mas próximo mês, próximo mês…)

*Cecília Meirelles ()

Mais um!

Publicado em Música por Tiago Lopes em Setembro 8, 2008

Alexis, Rudá e Daniel se deram ao trabalho de resenhar o disco novo do Camelo e não foi lá muito agradável sentir a onipresença dessa pessoa na manhã de uma segunda. Mas, veja só! Passei o fim de semana pensando na sua (hipotética) finada banda, porque ouvi, depois de muito tempo, o Ventura. Ao fim de cada música, a mesma sensação de que tudo estava ali, num disco completo como pouca coisa, que eu senti há três anos atrás, quando foi lançado e eu fiquei hipopotizado por ele durante um certo tempo. Um pouco de exemplo de vida: logo após a minha migração, quando a realidade de saber que haviam CAPITAIS e capitais havia me atingido como um gigante mata-moscas descendo com força na minha cabeça, comprei três discos piratas, daqueles vendidos em passarelas. Em 2003, ninguém mais fazia isso, até por causa da quantidade nula de boas opções. Mas topei com: “Hail to The Thief”, “Is This It” e o recém-lançado “Ventura”. Tratei-os como três fiéis companheiros, encurralados comigo numa trincheira limpinha, limpinha, mas tão perniciosa como a mais real delas. Só que o “Ventura”, depois de uma ascensão meteórica, foi o mais esquecido dos três com o passar do tempo, devido ao exagero do mundo pagão. Nesse sábado, o Los Hermanos brought tears to my eyes, again. A sinceridade um tanto afrescalhada dessa declaração só está aí para tentar resumir um tanto de coisas que penso desse disco. Quero enfatizar somente duas delas: 1) a repetição do tema “diário-de-um-alvo-de-bullying”, presente em quase todas as músicas do Camelo, só deixa mais visível ainda o quão feliz ele foi em todas as composições, se comportando como um daqueles autores que, ao extrairem o máximo de um tema, transformam todas as futuras opções de abordagens em derivações baratas; 2) O Pouco Que Sobrou é uma música estupendamente excelente, a minha favorita dos Hermanos, e sou feliz em NÃO saber que mais pessoas gostem dela tanto quanto eu; e Cara Estranho talvez seja a coisa mais nobre que as rádios brasileiras já executaram.

Etiquetado como:,

Se vai colonizar, coloniza direito p!

Publicado em Literatura por Tiago Lopes em Setembro 3, 2008

Tô aqui querendo falar do remorso colonizador que já foi diagnosticado há umas boas centenas de anos e que, talvez, só vai se concretizar daqui a mais umas boas centenas. Esse sentimento de quem acha que, para colonizar outro planeta, só com muito amor e compreensão das culturas que nos são estranhas. Se é pra continuar com esse pensamento covarde travestido de consciência, é melhor ir atrás de colonizar os pólos terrestres e desistir de ir além da camada de ozônio.

Porque, pela enésima vez, enquanto lia uma narração de um outro planeta sendo colonizado, apareceu de novo aquele momento em que o protagonista, depois de cair numa armadilha deveras estúpida feita pelos moradores locais, começa a ter consciência da morte iminente e passa a pensar que, realmente, não é uma boa idéia explorar descontroladamente os recursos dos planetas vizinhos. Sabe né? Lá eles também possuem algum coração escondido atrás de uns tentáculos (sempre tentáculos, mas antes tentáculos do que boinas. Aí sim teriam imaginado seres extraterrestres com um extremo mal gosto e falta de respeito). Nesse caso específico, foi um conto do Lovecraft, “Entre as Paredes de Eryx”, que me fez notar o quão chata e amplamente desnecessária é essa consciência que sempre aparece repentinamente, advinda dos momentos em que o terráqueo bobão foi vítima de alguma tecnologia desconhecida, que ele duvidava que existisse além de sua atmosfera.

Se não me falha a memória, num dos capítulos de The Martian Chronicles, o Bradbury mostra uns personagens se resentindo pela maneira como tornaram Marte uma nova Terra (que já estava inabitável quando os terráqueos fugiram para o planeta vermelho), mas é só um breve resentimento, porque o estrago já foi feito, não adianta mais reclamar etc etc. Em todas as crônicas, diversas histórias de como o homem se ocupou em solo marciano e como o lugar estranho o influenciou e vice-versa, mas sem nenhum mimimi-mimimi por causa dos pobres coitados dos marcianos. Uma colonização não deve seguir uma conduta de respeito para com outras culturas, porque daí não é colonização, é intercâmbio estudantil. Uma hora o terráqueo se cansa da culinária dos marcianos e, ou volta pra casa ou sai acrescentando orégano e catchup nos pratos marcianos. Como não vai ter casa pra voltar (por isso a necessidade de colonizar outro planeta), em pouquíssimo tempo, nossas doenças irão dizimar uma população inteira de extra-terrestres.

Engraçado que o Bradbury até eximiu um pouco da culpa dos terráqueos na extinção da raça marciana, fazendo com que essa fosse extinta não por atos agressivos ou conflitos armados, mas por um vírus. Ele tinha a consciência de que não adiantava romantizar os sentimentos dos extra-terrestres e transformá-los em alvos indefesos da nossa oh-oh-perversa ganância, tampouco concedeu aos terráqueos um altruísmo claramente folclórico. É um caso isolado, no meio de um gênero que teima em nos foder sistematicamente na mão de marcianos, só para tentar provar que o nosso egoísmo sempre será o culpado de eventuais falhas em exploração descerebrada de ambientes inóspitos. Um insulto achar que o nosso egoismo não será apoiado por uma armação pesada.

***

Nessa mesma coletânea de contos do Lovecraft (A Tumba, lançada pela LP&M), há um muito redentor. Os outros contos são todos meio entediantes por causa da adjetivação exagerada, recurso usado com moderação pelo Poe e extrapolado pelo púpilo. Enquanto o Poe descrevia uma cadeira como “assustadora”, o Lovecraft confere aura macabra à cadeira e ainda dá um adjetivo diferente para cada uma das suas quatro pernas. Tentar levar o leitor ao susto e à inquietação enfeitando até um par de meias não é lá das melhores idéias. É uma gordura desnecessária, mais ainda se os acontecimentos da narrativa forem, por si só, estranhos o suficiente para dispensarem afloreamentos. É o caso de “O Horror em Red Hook”, que começa como uma ótima história de detetive, descamba num clímax assustadoramente insano e termina de maneira sobriamente sã. (Como vocês acabaram de ler, não recomendo o uso desnecessário de adjetivos).

Etiquetado como:,