Da Década!

“MTV makes me wanna smoke crack” é causa da culpa moderna

Publicado em Sem-categoria por Tiago Lopes em Fevereiro 27, 2009

Desde que o Beastie Boys e o Beck ficaram sem graça, ninguém mais conseguiu chegar ao nível de entertainment que eles chegaram. GRAÇA eles tinham enquanto faziam a música mais egoísta de toda a curta história da música pop. Tudo o que o Beck fez antes do Mutations e o Beastie Boys  fez antes do To The 5 Buroughs são livres de qualquer citação a outrem ou algo usados para outra coisa além de dar uma satisfação extremamente pessoal a quem os propaga. Sexual delight, na maioria dos casos. Se os anos 90 foram a década do cinismo, nenhum diretor ou autor conseguiu elevar essa bandeira a tão alto pico quanto o Beck e o Beastie Boys.

Eles eram produtos de uma conjunção de fatores que creio ser impossível de reproduzir novamente, constatação que me deixa meio triste, já que a esbórnia toda que só eles sabiam fazer não será mais nunca recriada. Eram brancos, de classe média, infanto-juvenis quando atingiram reconhecimento nacional, e sem qualquer ligação política declarada (ou sem qualquer ligação política mesmo, que é o mais provável). Só essas condições já riscaram da lista de prioridades em suas letras uma penca de assuntos secundários: racismo, pobreza, existencialismo, monogamia e música militante. Não consigo pensar em outros assuntos que tornem uma música instantaneamente menos divertida do que esses. E outra, o produto branco, classe média, despolitizado e cheio de sarcasmo pra dar deve estar mais desvalorizado nos dias de hoje do que churrasquinho de gato.

Atualmente, quem se propõe a entreter as massas oferecendo coisa boa de verdade sempre arranha ou é especialista em uma dessas temáticas. O próprio Beck e todos do Beastie Boys já construiram discos inteiros em cima de alguma dessas variantes, mas há a desculpa de que eles cresceram, casaram. Só dá pra manter o bom senso nesse estado sem querer emular uma criançona de 40 anos. Certo eles. Mas, por mais que eu respeite a M.I.A., o LCD Soundsystem, o Vampire Weekend, sempre fico com a impressão de que eles deviam ser mais cínicos só um pouco, pra que a esbórnia que eles fazem com tanto gosto em suas músicas chegue ainda mais perto da criada pelos senhores absolutos.

Sei que é meio absurdo querer que a nostalgia pelos good-old-days seja aplacada por gente que evita a todo custo comparações com outros e quer atingir seu lugar único. Eles atingem, mas fazem uso de tanto ranço terceiro-mundista, tanto existencialismo de brechó, que não ficam imunes a uma eventual acusação de cafonice ou de deslocamento temático. A M.I.A. é a melhor e mais improvável descendente do Clash que já ouvi, e “Jimmy” é esbórnia a granel, mas é só uma música no meio de um mar de reclamações contra a opressão do capitalismo, do homem branco, do calor senegalês (literalmente). James Murphy já despontou no business com idade e temas favoritos do seu tio preferido. O Vampire Weekend é limpinho demais, mauricinho demais para falar coisas como “passing the dutchee from coast to coast” ou “had to diss the girl because she got too emotional”.

O melhor é que todo esse egocentrismo era realmente valorizado nos anos 90, o que só aumenta ainda mais a chateção de ter crescido no tempo errado. Só para se ter uma idéia, fica aqui um vídeo do Beck cantando a clássica “One Foot In The Grave”, música de um dos seus discos lançados por um gravadora independente e longe do reconhecimento que “Devil’s Haircut”, por exemplo, obteve. So many people… It gives me the shivers:

Daí que já estamos em 2009 e essa foi a década de quê mesmo? Do bundismo generalizado?

Densidade, teu nome é Glória Perez

Publicado em Cinema por Tiago Lopes em Fevereiro 16, 2009

Escalar um ator para interpretar um papel feito usualmente por ele; fazer surgir trilha sonora incidental ao se ouvir palavras chaves; duas ou mais pessoas expressando opiniões divergentes dentro de um ambiente fechado, com o intuito de criar uma tensão mais “palpável”. Tudo isso, se usado por um único filme, consiste no uso de uma fórmula. A mesma que os defensores de O Leitor se negam a enxergar, insistindo em dizer que o filme não segue fórmulas e, por isso, é “sensível, denso e bem-estruturado”. A fórmula que o filme do Stephen Daldry segue à risca já foi usada e abusada, inclusive, pelos dois defuntos que produziram seu último exemplo de algo tão formulaico em Hollywood quanto filme de terror que estréia em dia de halloween: Anthony Minghella e Sidney Pollock criaram filmes ridiculamente premiados e todos já devidamente esquecidos. Não é que o que resultou da batida fórmula usada por Daldry seja de todo ruim, mas os elogios exagerados feitos por parte de quem assiste O Leitor obrigam os de opinião contrária a serem radicais e focarem em cima de seus numerosos erros com uma fúria minimamente mal-educada.

Porque O Leitor está longe de ser uma unanimidade. Mais por causa de toda a atenção que ele vem recebendo, tem gente de opinião muito válida elegendo 2008 como um dos piores anos para o cinema da década. Isso era de se esperar, já que 2007 elevou-o a um padrão que nem os mais pessimistas deixaram de reconhecer. Só para exemplificar: Desejo e Reparação, devido à sua pompa e data de lançamento, era o único dos indicados a melhor filme do ano passado claramente promovido para se beneficiar mais das óbvias indicações que iria receber do que pela sua real qualidade. Nenhum dos indicados a melhor filme desse ano consegue chegar perto da qualidade deste, avalie a distância que estão então de filmes como Onde os Fracos Não Têm Vez e Sangue Negro.

O Leitor, como um todo, é um filme ruim. Em grande parte, chega a ser ridículo. E, somente no primeiro ato, consegui assisti-lo sem reclamar, mas mais pela empatia à situação do garoto do que pelo drama em si. A escalação de Ralph Fiennes para interpretar um homem burocrático-sedutor-introspectivo já depõe de cara contra o interesse que esse personagem possa causar. Ralph Fiennes sempre interpreta esse tipo, note que não há uma variação sequer no figurino dos três últimos personagens de destaque que fez no cinema (Fim de Caso, Spider [também era um louco, além das três características citadas] e Jardineiro Fiel).

A história é bem boa (se você conseguir controlar o desejo de evocar a memória do Telecurso 2000), mas duvido que, por exemplo, os personagens dos estudantes sejam tão caricatos no livro como foram no cinema. O momento em que decidi que O Leitor era o maior pega-besta da temporada foi numa das reuniões dos discentes, pouco depois da segunda sessão do julgamento, quando a opinião - em favor da ré - do garoto é confrontada com a opinião reacionária de outro. Enquanto discutem, os outros 4 figurantes fingem uma tensão tão tacanha, que a única coisa que podia piorar o que já era muito ruim era se um desses figurantes tomasse a atitude de sair da sala fazendo cara de humberto martins por não suportar a “tensão palpável”. E pelamordedeus, reuniões de estudantes com um pró, outro contra e os indecisos que não suportam a “tensão palpável” e fazem cara de humberto martins para fugir da mesma não são mais novidade desde que Dawson’s Creek nos ensinou a encarar a vida de frente.

tensao-palpavelapalpando a tensão

Além disso, há o terrível problema da trilha sonora. Perceba que ela é disparada sempre que as palavras “lembrança”, “judeu”, “holocausto” e “crueldade” são pronunciadas e alguém ameaça um choro. Há até o close expreme-lágrima, o zoom da câmera servindo de beliscão: quanto mais próximo da cara, maior a vontade de chorar. Sem contar na total ausência de sentido para as longas sequências sem diálogo, que nem são bonitas (como as de As Horas), nem servem de propósito algum para o andamento do roteiro. Talvez seja para mostrar o trabalho da cenografia. Em todos os seus filmes, sempre há uma longa sequência sem diálogos que foca mais nos cenários do que nos próprios personagens. Deve estar propagandeando os objetos de algum leilão que deve ocorrer sempre depois das filmagens: “quarto estilo Auschwitz: US$ 100,00″. Até gosto dessas sequências, mais pela votade que me dá de possuir uma estante de madeira dos anos 50.

Kate Winslet: ok. Um ok desta mulher é melhor de que o de muitas escoladas em teste do sofá que tem por aí. Ela é a única razão para se manter um mínimo interesse nesse filme, até o absurdo do momento em que está maquiada de Velha Surda. “Oi. Lembra de mim? A voz continua a mesma, mas os cabelos e o sex appeal: quaaaaaanta diferença”. Geralmente, não reclamo desses detalhes, mas o fato do David Fincher ter feito a Cate Blanchett falar como uma senhora de 80 anos fez com que esse detalhe deixasse de ser um detalhe.

Enfim, ridículo. Se os três filmes do Daldry conseguiram ser indicados a todos os prêmis possíveis, é porque ele aplicou a mesma fórmula a todos eles. Nem Minghella, nem Pollock se mantiveram por tanto tempo na ativa sendo tão insuportavelmente formulaicos. Em algum momento, eles se arriscaram em outros formatos que não o que certamente lhes garantiriam entradas vips em premiações pro resto da vida (O Talentoso Ripley, por exemplo: acho o melhor filme do Minghella justamente por não possuir um traço sequer dos cacoetes presentes em suas crias famosas). O próximo projeto do Daldry, uma adaptação do livro (pois sim) As Incríveis Aventuras de Kavalier & Clay pode vir a ser essa boa exceção na sua filmografia. Nesse livro do Michael Chabon, há humor o suficiente para distanciá-lo dos temas favoritos do Daldry, e o roteiro ficará a cargo do próprio Chabon. Há de ser um senhor muito chato para conseguir estragar até um roteiro do Michael Chabon.

é cafona, mas é só um detalhe

Publicado em Literatura por Tiago Lopes em Fevereiro 11, 2009

Perceba como o tratamento dispensado por Dostoiévski ao Svidrigailov e ao Lujin é um tanto incoerente. Claro que ele tinha consciência do que estava fazendo e só deu continuidade ao disparate porque tinha que, em algum lugar, expressar com veemência seu nojinho pela burguesia.

Svidrigailov e Lujin possuem dinheiro e contatos o suficiente para se encontrarem sob a mesma classificação social, mas o primeiro caiu em desgraça porque preferiu perseguir a mulher que amava ao invés de se prender às amarras da boa aparência mantida por um casamento. O segundo mantêm seu frio humor constante por quase todo o livro, enquanto seus planos de se casar com essa mesma mulher seguem inalterados. A mulher é Dunia, irmã de Raskolnikov e alvo de desgraças por possuir alguma beleza e um bom caráter inabalável.

Dostoiévski é obviamente mais simpático ao primeiro do que ao segundo só porque Svidrigailov alega amor genuíno, enquanto Lujin quer apenas uma doméstica obediente. Só que o primeiro é assassino, pedófilo, chantagista e foi um adúltero compulsivo durante seu primeiro casamento, o defeito do segundo é ser rico e esnobe. Sem motivo aparente, Svidrigailov começa a despertar uma simpatia no leitor. Enquanto Lujin, a cada movimento inofensivo que faz para tentar convencer Dunia dos benefícios que ela terá ao casar-se com ele (e são muitos), fica mais próximo de um criminoso responsável pelo sumiço de toda a vodka do mundo.

Essa incoerência toda passa despercebida no momento em que se lê o livro. Ela vai se tornando mais e mais visível à medida que as descrições conferidas ao Lujin vão se evanescendo, deixando visível somente suas intenções, que nem são perversas, mas perfeitamente aceitáveis para o modelo social em vigor. Dostoiévski tenta esconder os defeitos de caráter de Svidrigailov com humor (creio que em nenhum outro livro seu existe personagem mais engraçado) e obras de caridade. Para Lujin, não oferece nada além da ampliação de sua mesquinhez. Até o suicídio do Svidrigailov é mostrado como uma saída fartamente mais honrosa do que o piti dado pelo Lujin quando percebe que, graças aos conselhos do Raskolnikov, Dunia não mais irá casar com ele.

Tudo isso pra mostrar que o amor perdoa qualquer coisa e casamento de conveniência é muito feio, quem vê alguma ultilidade nisso, é pior que o pior dos seres humanos. Nunca pensei encontrar tanto de Jane Austen num livro do Dostoiévski.

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time is a crooked bow, e eu tô altamente sem

Publicado em Sem-categoria por Tiago Lopes em Fevereiro 3, 2009

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Do Wrong Side Of The Art. Tem uns incríveis posters de filmes que, em muitos casos, nem um torrent criado por Jack Bauer conseguiria achar. Esses dois são os mais impressionantes. Gostaria de ter principalmente o segundo estampando a minha futura sala de estar, ao lado da cama elástica e acima da máquina de Xerox.

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Ler um twitter é como socializar num bar ao lado de uma BR movimentada: o barulho de um gigantic caminhão sempre vai ocultar os trechos mais interessantes da conversa, deixando audível somente as partes mais bestas. Mas o Stephen Fry me parece uma das poucas pessoas no mundo que faz o esquecível parecer aproveitável. Aqui, ele mesmo explica por quê.

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WantedVincent PriceGay Bob

Anúncios dos ‘60 e ‘70. É legal imaginar Don Draper & co. pensando e vendendo todos eles. O primeiro é mais passível de adoração pela temática (western) e pelo genial uso do “Wanted”. O segundo features Vincent Price fazendo ou um gesto obceno ou um convite safado, enquanto anuncia alguma coisa que parece chiclete. E o terceiro é o mais inacreditável e engraçado de todos. Clique na img para ampliar e divirta-se com as sugestões de como entreter o seu Gay Bob. (daqui, via).

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O criador de uma das séries mais hilárias de TODOS os tempos e de todas as galáchias (Extras) e também de uma das mais rentáveis (The Office), Ricky Gervais, possui um blog. É estupendamente massa, mas nem tanto pelas coisas que ele escreve, que são banalidades dispostas de uma maneira estupenda (como uma carta para Obama, em que ele reclama sobre a provável mudança de Paris Hilton para a sua vizinhança, alegando: “this is clearly a retaliatory strike for Posh Spice moving to LA”), mas mais por isso:

ricky-gervais

por isso:

ricky-emmy-pijamas

por isso:

stephen-ricky

por isso:

ricky-shirtless

e por isso:

gato-ricky-legsgato-paper-hat

E também para que você possa acompanhar as filmagens de This Side of the Truth, filme de 2009 que possui grandes chances de ser o grande filme de 2009 graças ao crossover de Ricky Gervais e Tina Fey.

R-I-C-K-Y   G-E-R-V-A-I-S   &   T-I-N-A   F-E-Y.

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Finalizando com um Roscharch Slap:

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