Thighs twitching in the anticipation of love-making
Essa é a minha música favorita da década. É de uma banda para a qual eu tenho, no máximo, alguma simpatia. Não conheço nenhum disco dela na íntegra, nem esse no qual essa música está. E nem quero admitir muito que é essa mesma, tem altas bandas que eu curti mais, que eu homenageei comprando camisas e tatuando seus nomes nas costas, à frente de um dragão comendo uma pin-up. Mas, toda vez que eu escuto essa música, ou só lembro dela, no ônibus, no trabalho, na terceira dimensão, fico emocionado pacas. Tô ouvindo aqui e… putz… loucura caldeirão, loucura dani bananinha.
Filmes de verão III
The Hangover/Arraste-me Para o Inferno: Os dois melhores da temporada até agora. Quanto ao primeiro… Altos arrependido de ter feito campanha em prol de filmes como Dias Incríveis e Starsky & Hutch. O resultado são essas centenas de milhões que se originaram do meu esforço e salas de cinema cheias demais, pessoas capazes de entender piadas de referência que, antes desse safadeza toda, só eu compreendia e dava uma risada solitária e cheia de clever-pride. Agora a humanidade vai lá, confere e indica em twitters. EM TWITTERS! Shame on you, humanidade. Spin-off pro japinha, ao menos, e tenho não gostado da confirmação de uma continuação. Mas Drag Me To Hell ainda é apreciado pelas pessoas certas, trouxe o satã de volta e deu um filme só para a Alison Lohman, que engoliu o trabalho do Cage, do Rockwell e do Scott em Os Vigaristas.
Só pra terminar essa putaria de filmes de verão: Star Trek e Harry Potter foram os melhores na categoria “gazillion dollars”. O primeiro respeitando a ausência de propagação de som no vácuo e tendo o melhor roteiro com os piores diálogos da categoria e o segundo tendo os melhores diálogos e a história mais mocoronga da série, um Fica Comigo em que a Fernanda Lima é interpretada com uma certa comicidade pelo Dumbledore e que, quando já se sabe quem vai e quem não vai pros finalmente, foi tudo de brinks. Um Pfff cravado em barra de ouro pro filme.
Terminator 4 só me faz pensar que o McG ou devia passar a vida fazendo sequências d’As Panteras ou só ficar em casa alimentado o puma que provavelmente deve ter comprado quando possivelmente viajou à África do Sul. Também me lembra que a idéia mais abominável de toda a existência dos filmes de verão foi criada pelo James Cameron em Alien 2 (minhas categórica resposta para a por vezes irrespondível pergunta “qual o pior filme de todos os tempos?”): fazer os personagens soltarem piadinhas ruins em meio a colisões, explosões e jogos de sedução. Se hoje tá tudo entregue ao neoliberalismo, é só por causa dessa idéia.
Fechando o pacote, Intrigas de Estado e Trama Internacional altos que se equilibraram no ponto que, se pende muito prum lado, é Transformers sem robô, G.I. Joe sem Sienna Miller. Se cai demais pro outro, é flop instantâneo de bilheteria. O primeiro resolveu o problema usando o personagem da Rachel MacAdams: para cada twist explicado sutilmente pelo roteiro, ela mastigava a informação para os consumidores que chegavam na frente do filme depois de terem perguntado pra moça da bilheteria “o que é que tem aí de filme ixperto?”. O segundo cravou de pipoco todo o Guggenheim, na melhor cena de tiroteio dos citados. Humilhou o filme do Mann.
Depois eu me desculpo sinceramente por essas poiqueiras e isso não é querendo que venha alguém e diga – mas você escreve bem e talz – tá ruim mesmo. tem uma rima vergonhosa aí em cima e piadas fail all over. mas é mais saudável que twitter. No mais, acho After Hours o melhor do Scorsese e Kanye West tem tocado altos lá em casa. Skate vibration! Flw!
Filmes de verão II
A noção de “diário” desse blog é a melhor que se pode comprar num mercado de pulgas.
Tranformers II/ G.I. Joe: Todo bom crítico sabe aproveitar bem a existência do nincho mais show de pirotecnia dos filmes de verão. Os que tiveram a perspicácia de notar que eles sempre vão estar por aqui* pararam de fazer beicinho e de saracotear em cima de suas boinas e começaram a aproveitar o que não pode ser ignorado. Então, a cada Bad Boys lançado, os bons tem a oportunidade de fazer uso de umas boas piadas que quase nunca têm a oportunidade de usar, porque não cabem num texto sobre o lançamento do catálogo completo do Fuller no Brasil. As resenhas mais óbvias de Transformers II e G.I. Joe foram as que classificaram-nos, a cada duas linhas, como os piores filmes da história yadda yadda yadda. As que me deram mais e mais vontade de ver essas sinceras convergências de refinamento da nossa geração foram as que encheram o espaço entre o óbvio dito a cada duas linhas com umas tiradas sensacionais.
Essa, principalmente, me fez ir ao cinema no mesmo dia. E eu não me decepcionei nem por um minuto, durante as 10 horas de exibição de Tranformers II, por várias razões, mas a melhor mesmo era só porque eu não conseguia distinguir nada do que estava acontecendo na tela, justamente nas sequências em que foram gastos os PIBs de três países africanos por frame. Tem que ser muito bom, de uma maneira satanista, para torrar fossas de dinheiro em alguma coisa que, veja só, parece pintura surrealista. Michael Bay, dessa maneira, prova que saca muito mais de arte contemporânea do que o público que a aproveita: ele investe muito para mostrar nada e, como os melhores da Sotheby’s, consegue lucrar 200 vezes mais do valor investido, enganando gente que finge estar tendo uma catarse quando, na verdade, não sabe nem se está olhando para a bunda de um velho de 90 anos ou para esmaltes pixelados sendo derramados. Clap, Michael Bay, clap. E parabéns também por manter viva a memória do Tonho da Lua em nossas mentes e corações. Tenho certeza de que, se vivo estivesse, o devoto da gêmea boa seria que nem você, caso cineasta fosse.
Mas, voltando aos críticos, se as pessoas que lucram com esse incompreendido cinema avant-garde fossem um pouco mais espertas que os personagens que criam, além de fazerem filmes ligeiramente mais aproveitáveis (sigo dizendo que o mal maior é a quantidade absurda de vezes que essas pessoas assistiram a Acossado), também saberiam usar argumentos válidos para minar a credibilidade de quase todos os críticos que perdem tempo tentando arranhar seus egos. O quem tem de crítico repetindo as mesmas frases e julgamentos sobre certos filmes de verão é quase incontável. E são sentenças bobocas como “seu Q.I. diminui a cada segundo dentro do cinema”, “não sei o que dizer sobre atuação, roteiro, enredo, porque não havia nenhum”, ou, a minha favorita, “é o pior filme de todos os tempos”. Não sei como esses críticos conseguem dormir com o cérebro estufado da mesma repetição que eles condenam no trabalho de auteurs como Michael Bay e Stephen Sommers. Se eles só soubessem apontar essa falha dos resenhistas em memorandos enviados para as nações, nunca mais precisariam justificar porque fazem o que fazem.
Sobre G.I. Joe: se existe um mundo paralelo, e um que exista sob as regras de Fringe, o Billy Wilder desse mundo, o Bizarro Billy Wider, conseguiu passar por um desses portais de trânsito entre um e outro e está, desde então, trabalhando como roteirista contratado de grandes estúdios somente para filmes em que os diálogos só sirvam para acionar, via identificação vocal, a explosão de um dispositivo que pode destruir o mundo e seus leprechauns em questão de segundos. Bizarro Billy Wilder escreve, com a mesma destreza e intensidade, cenas de romance, ação, comédia e drama, tal e qual o Billy Wilder que a gente conhece, mas sem obter os mesmos resultados, porque, para isso, precisaríamos experimentar uma vivência nesse mundo paralelo. Sem essa experiência, as trinta e dez viradas de 180º para a câmera feitas pela cabeça do Dennis Quaid nesse filme são só manifestações corpóreas que, possivelmente, carregam um significado do alcance de um Rosebud. Mas aaaaaah, nunca fui no mundo paralelo, então acredito mesmo que ele estava sendo atingido pelos punhos gigantes de uma shiva invisível constantemente.
*os números desse ano provam que Michael Bay tem o suficiente para gastar gazilhões de dólares em pesquisas de criogênia para perpertuar seu gênio doentio por milênios
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Só não continuei a série abaixo como planejado porque meu apêndice foi injustamente culpado, por quase 24 horas, de me causar uma dor que não foi um dia na praia. Mas o inútil foi absorvido, por enquanto. Para não ficar apenas no trivial, digo aqui que o Tarantino, desde Kill Bill II, vem fazendo o que sempre quis fazer, que é isso aí que a gente só vê em Kill Bill II e Death Proof, e se anuncia nas resenhas de Inglorious Basterds. E essa é a sua melhor fase. Pulp Fiction sucks camel dick.
Filmes de verão I
Entre um capítulo e outro de Tristram Shandy, enquanto olhava para a parade cor de queijo-manteiga do meu quarto, uma lagartixa passou bem embaixo da janela e, quando ela me notou, olhou pra mim e disse:
- Óh, uma platéia! Vou aproveitar para citar trechos da palestra que Gay Talese deu na Casa da Abrobrinha: “Estamos vivendo num período de trevas no jornalismo. Quando eu era jovem, os jornalistas eram…
Minha gata comeu a cabeça da lagartixa e deixou só o rabo dela esperneando do lado de fora da boca antes da mesma pensar em fechar as aspas. Se ela controlasse seu instinto por uns segundos, eu iria convencer a lagartixa a conversar sobre algo mais enaltecedor, como filmes de verão, por exemplo. É o tipo de assunto que, se iniciado em qualquer cidade com mais de 50 mil habitantes, vai despertar o interesse de todos os presentes, que irão se engajar numa conversa realmente interessante sobre qual franquia mostrou o seu melhor e mais recente capítulo. É um princípio a prova de erros: se alguém não viu ao menos um dos últimos 10 filmes de verão lançados, tem alguma opinião para dar ao menos sobre as formas de seus conteúdos, como como as calças auto-limpáveis da Megan Fox vestem uma das provas mais sinceras da existência de um buddy-God, ou sobre a feiúra socialmente aceitável de Johnny Depp.
Inimigos Públicos: Cada vez gosto menos desse filme. 1) Porque as pessoas erradas tem descoberto Michael Mann, e são sempre elas que tentam dar ou um sentido mais profundo ou mais veado ou mais profundo & veado para os seus filmes. Culpa disso é o fato de Inimigos Públicos ser um filme de época, ter o Johnny Depp e ser baseado em fatos reais. Até o bisneto do Derrida deve ter conferido e saiu da sessão murmurando algo como “oh! a opressão!”. 2) Mann tem escolhido uns roteiros bem ruins depois de Collateral, seu último filme a subir no tamborete dos melhores, ao lado de O Informante e Fogo contra fogo. Miami Vice tinha ao menos uma grande sequência, a da invasão do trailer no final, e não pareceu, em nenhum momento, ser dirigido por um anão. Já Inimigos Públicos sofre de uma falta de foco terrível, nunca se decidindo se é um Love Story for the poors and well dressed ou se é um filme de ação. Dito assim, parece uma reclamação boba de tão simplista. Mas um bom filme de ação é mais complexo do que pensam vossas vãs filosofias. Como sempre envolve muitos personagens, a dedicação a eles e às suas ações, que movimentam o roteiro tem que ser completa, e o Mann mesmo que ensinou isso aí. Antes de Miami Vice, nunca um personagem seu tinha passado mais tempo de afternoon delight com as bitches do que segurando uma arma. Porque em veradade vos digo: poucos diretores tiveram a malemolênica necessária para fazer um filme de ação decente com borbulhas de amor sinceras. Cito um solitário nome para ilustrar: Peckinpah (snap, Mann!).
Um amigo reclamou da ausência de origens do Dillinger, como se esse fosse o principal problema do roteiro. Tanto a reclamação como a situação ausente são, por elas mesmas, um lugar comum. Faltou mesmo foi foco, e a direção de Mann foi dispersa e literalmente nanica, em momentos altos. No último assalto à banco, antes da fuga para a casa do mato, quando os bandidos estão fugindo, colocaram um anão pra segurar as câmeras e tudo o que se vê são sapatos, meias e canelas, sendo que coisas mais interessantes estão certamente acontecendo acima das cinturas dos personagens. Mas gostei da invasão final à casa do mato e da presença daquela moça lá, que, ano passado, só deu as caras cantando, gritando e chorando ao mesmo tempo.
Se o Mann continuar nessa linha de amor-bandido que seguiu em seus dois últimos filmes, infelizmente, seu próximo terá um casamento coletivo acontecendo nas montanhas da Colômbia, celebrado pela Katherine Heigl.
***
Vou continuar postando esses textos breves sobre os summer movies desse ano diariamente. Quando acabar com os que eu já vi, retomarei a série assim que ver Up, The Hangover e Brüno, que ainda não chegaram por aqui. Depois, cobertura completa do festival de cinema de Kandahar.
:(
Assim que ouvi que o John Hughes tinha morrido, a segunda coisa que eu pensei foi em ver, urgentemente, o Quixotando, pra sacar umas fotos legais das musas do Hughes. A Dri postou um vídeo, mas preferia fotos, altas fotos (nem sei se é certo ser exigente desse jeito, mas quem criou o padrão de excelência e, com ele, a expectativa, foi você mesmo :D). Se quiser colocar os musos, coloca também, já que os caras foram meus modelos de “o que ser quando crescer” por um bom tempo, até eu me tocar que já estava meio grande e não consegui desenvolver 1/5 da coolness nem mesmo dos mais nerds, quanto mais do Cameron, a cria mais cool do Hughes.
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