Da Década!

Publicado em Sem-categoria por Tiago Lopes em Setembro 18, 2009

Hoje de manhã, uns guris na faixa dos 6, 7 anos, de uma escola daqui de perto, vieram visitar a redação. Um deles viu que eu ria despudoradamente com o gif abaixo, chamou todos os outros guris e uns 15 deles ficaram se espremendo na frente do monitor pra ver isso. Riram altos também e quase que não saem de perto pra fazer o lanche. Foi massa.

UPDATE:

gato

Better than nothing indeed

Publicado em Literatura por Tiago Lopes em Setembro 16, 2009

Black Page 73

Projeto todo übber-contemporâneo que comemora os 250 anos de lançamento dos dois primeiros volumes de Life and Opinions of Tristram Shandy, Gentleman, do geniozão das tapiocas Laurence Sterne. Tem umas black pages bem engraçadas. Vistas numa exposição, em tamanho real, devem provocar um impacto mais tchans. No mais, o homenageado inventou a literatura free and loose, e uma toda cheia de piadas ainda inimitáveis. Começou com isso tudo aí, de Joyce a Saramago,  de Machado a D.F.W. É pouco lido no zil-zil-zil, então não dá pra impressionar nem na santa ceia do mês, se esse é o objetivo. Para qualquer outro além, a leitura é severamente recomendada.

Se possível, procurem pelo filme do geralmente dupper Sr. Winterbottom, Tristram Shandy: A Cock and Bull Story. A melhor solução de adaptação de uma obra impossível de se adaptar. A proximidade com o livro é monstra e óbvia em toda a sua sutileza (o diálogo sobre narizes, making-off se amostrando, resposta imediata aos críticos, procrastinação generalizada).

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Publicado em Sem-categoria por Tiago Lopes em Setembro 16, 2009

“370 days until the next Pavement concert.” *

Nude pics of Sincerity and other scary chicks

Publicado em Cinema por Tiago Lopes em Setembro 11, 2009

A obtenção de informações exteriores a um filme quase sempre funciona como implosão de uma expectativa saudável. Não se sabe nada sobre quem fez e sobre o que foi feito, e bom mesmo é continuar não sabendo até que a obra seja vista por completo. Mas aí, as companhia aéreas inventaram publicações para se folhear em uma trinca espremida de horas e, se a obra aguardada estiver sendo abordada na edição que está à sua frente, negar uma folheada é o mesmo que estar condenado à prisão perpétua no calabouço de um sheik e evitar olhar para a janela que dá para o quarto de esposas selecionadas num cursinho pré-vestibular. Impossível, pois sim.

Topei com uma entrevista em que o Heitor Dhalia entregou o foie grais de À Deriva ao dizer que esse é um filme autobiográfico. A personagem da Felipa é ele, aos 15 anos, observando o processo de separação dos seus pais. “E foi doloroso, meus melhores anos, toda aquela comoção. ÔÔÔÔÔÔ FREAK OUT!!”. E vi o filme sabendo quase tudo sobre o mesmo. As informações exteriores, contrariando a regra, serviram como uma bengala tão sofisticada que, se usada pelo mendigo da esquina, é o Hugh Hefner fazendo seleção para o Beleza na Favela.

Faço um plié e explico: se À Deriva fosse analisado absolutamente isolado do background pessoal do seu criador, seria o filme de separação chechelento por excelência, acertando em todos os alvos fáceis com uma margem nula de erro. Mas, background: todo importante, significativo e, publicitariamente falando, pouco explorado.

Só o fato de saber que a Felipa é o Dhalia já garante ao menos uma grande sequência: a que o Mathias explica sobre o que é seu novo romance. A cena abandona a alcunha de mais um componente da imutável gama de clichês do gênero para, ao se tomar consciência do background, repousar sob uma de não menor valor que “wow”, pela metalinguagem tremendamente bem empregada e por essa sequência ser o principal estopim do inesperado e cabível twist final. Daí para frente, comecei a ver o filme como um daqueles projetos que tem que ser executados, para o qual o diretor só se importou em crescer para fazer isso mesmo. Seu trabalho anterior servindo de aprendizado e o posterior, como a sobra de uma obsessão finalmente suprimida.

Separação de casal, o mundo fora da MTV sempre ensinou, é uma das coisas mais esquemáticas do ser humano enquanto alive and kicking. Quem ainda insiste em revisitar o tema, o faz porque acha necessário, e esse tipo de  necessidade só passa quando é atendida. Mas e aí, fazer o quê quando a experiência pessoal é como moça da vida de R$ 1,99, todo mundo já teve uma e já bolinou-a trinta e dez vezes antes de você? O Dhalia investiu na fotografia. A ausência de confronto em grande parte do filme entre seus personagens é compensada com uma fotografia sinceramente empolgante, que deixa todas as situações comuns mostradas aproveitáveis como algo realmente original. Se já tiver acontecido dentro do seu curral então, ter a consciência de tudo isso aí dito acima torna a coisa toda quase indispensável.

Ver também: A Vida Secreta dos Dentistas.

Publicado em Cinema por Tiago Lopes em Setembro 9, 2009

Up

Chorei que só :D

Moscou

Publicado em Cinema por Tiago Lopes em Setembro 4, 2009

Não que não haja alguma verdade no que a maioria já disse, mas a única coisa que parece documentada em Moscou é uma distração, que só está ali para provar que uma obra de ficção com texto e interpretação exatos se sobrepõem, sem nenhum problema, a tudo o que estiver acontecendo próximo à ação principal. Coutinho poderia ter filmado um dos atos de As Três Irmãs dentro do camarote da Brahma no carnaval do Rio, com Suzaninha de papagaio. Com algum ajuste no aúdio, nada da intenção original da peça se perderia até chegar ao espectador.  Sendo assim, Moscou é como um teste da validade da ficção, como um chefão que as obras de ficção tem que se submeter para provar que são necessárias a esse mundo. As distrações são essenciais no filme, porque se equiparam à obra que quer ser vista – como a parte do isqueiro/fósforos no escuro*, o repeteco de Jogo de Cena logo no início -, mas é tudo de brinks, querendo que você pense que Coutinho está ludibriando a linha que separa documentário de ficção, mais uma vez. Não está. Ele fez uma obra de ficção, mas uma que precisa se impor a uma série de ninjas assassinos treinados que querem minar sua existência.

Nível sub-21: se David Lean tivesse filmado As Três Irmãs à sua maneira, o impacto seria o mesmo de Moscou.

*Uma das vantagens do cinema nacional que me apraz é provar, covardemente, que eu estou errado. Da mesma maneira que Terra Estrangeira me fez acreditar que “Vapor Barato” pode ser muito massa, Moscou fez o mesmo com “Como Vai Você”. Me desacreditei, e não curto muito me desacreditar.

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Publicado em Cinema, Música por Tiago Lopes em Setembro 3, 2009

Spike Wilco

Update (como se a humanidade, já muito ausente disso aqui, fosse notar um adendo a um post old as dinosaur shit como esse):

FILTER-WT-cover

Altos queria as três. Só sinto que o bananão não tenha mais nenhuma revista minimamente aceitável. Tenho sentido alguma falta do passeio massa que é entrar em uma banca e sair folheando a nova aquisição dentro do ônibus, até chegar às planícies verdejantes onde a minha casa está instalada. Billboard terá edição nacional e será bem pfff mesmo.