Da Década!

Publicado em Cinema por Tiago Lopes em setembro 2, 2011

Io Sono L’Amore é um filme superfical, tão estiloso que as melhores partes são justamente aquelas em que o estilo sufoco a nesga de substância que ocasionalmente surge. E segue assim até o seu terço final, quando uma tragédia assustadoramente imprevisível, tanto pelos caminhos infantilmente inconsequentes que a história tomava quanto pela superficiliadade já instalada, eleva a coisa toda muito além de um “bonito, mas ordinário”.

Tragédias suscitadas dessa maneira aparecem mais como um apelo final à cristalização em listas de melhores do ano do que para servir propriamente à história contada. Io Sono L’Amore sustenta essa impressão até o minuto final, quando mais uma reviravolta justifica de vez, de um jeito crível e impressionante, o título (que é um dos mais bonitos) e tudo o que foi visto anteriormente.

Tilda Swinton está mais bonita aqui do que em qualquer outro filme. A beleza dela, mais para escultura perfeita do que alguém que desperta desejo, equilibra tão bem esses dois extremos aqui que até essa parece uma decisão tomada para fins exclusivamente estéticos. A cena final também muda essa percepção, de um jeito crível, igualmente impressionante.

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