Da Década!

Q & A

Publicado em Cinema por Tiago Lopes em Novembro 28, 2009

O quiz é daqui.

1) Second-favorite Coen Brothers movie.

O Brother, Where Art Thou?, depois de The Man Who Wasn’t There.

2) Movie seen only on home format that you would pay to see on the biggest movie screen possible? (Question submitted by Peter Nellhaus)

The Shining. Se eu tivesse uma lista de coisas essenciais para fazer antes de morrer, essa estaria entre elas.

3) Japan or France? (Question submitted by Bob Westal)

Não que eu me importe muito, mas França.

4) Favorite moment/line from a western.

Tudo de Once Upon A Time In The West. Um dos poucos filmes em que todos os frames e todos os diálogos foram lapidados à perfeição.

5) Of all the arts the movies draw upon to become what they are, which is the most important, or the one you value most?

Direção de fotografia.

6) Most misunderstood movie of the 2000s (The Naughties?).

All is Love.

7) Name a filmmaker/actor/actress/film you once unashamedly loved who has fallen furthest in your esteem.

Se já curti altos, não deixo a chama apagar depois, por mais que o objeto de apreciação se esforce em me provar o contrário. Ia dizer Kate Hudson, mas a mina tá em Nine né? Já se redimiu.

8) Herbert Lom or Patrick Magee?

Patrick Magee. Trabalho com o Kubrick ainda está todo intacto.

9) Which is your least favorite David Lynch film (Submitted by Tony Dayoub)

Como a pergunta denota ao menos um pouco de favoritismo, Duna não conta. Então vai de Wild At Heart.

10) Gordon Willis or Conrad Hall? (Submitted by Peet Gelderblom)

Nem pisquei: Gordon Willis.

11) Second favorite Don Siegel movie.

Dirty Harry.

12) Last movie you saw on DVD/Blu-ray? In theaters?

DVD: Carnal Knowledge / Cinema: 2012

13) Which DVD in your private collection screams hardest to be replaced by a Blu-ray? (Submitted by Peet Gelderblom)

Once Upon A Time In The West :D

14) Eddie Deezen or Christopher Mintz-Plasse?

Minha geração tá mais bem servida: Christopher Mintz-Plasse.

15) Actor/actress who you feel automatically elevates whatever project they are in, or whom you would watch in virtually anything.

Daniel Day-Lewis.

16) Fight Club — yes or no?

HELL YEAH!

17) Teresa Wright or Olivia De Havilland?

Vi quase nada das duas, mas fico com a Teresa, por conta de Shadow of a Doubt.

18) Favorite moment/line from a film noir.

Clifton Webb all over Laura.

19) Best (or worst) death scene involving an obvious dummy substituting for a human or any other unsuccessful special effect(s)—see the wonderful blog Destructible Man for inspiration.

Qualquer morte filmada pelo Godard.

20) What’s the least you’ve spent on a film and still regretted it? (Submitted by Lucas McNelly)

Paguei só dois contos pra ver Lavoura Arcaica, mas jamais me arrependeria de pagar pouco, mesmo que fosse por um filme como esse.

21) Van Johnson or Van Heflin?

Nem conheço nada deles :(

22) Favorite Alan Rudolph film.

Trouble in Mind.

23) Name a documentary that you believe more people should see.

Err… Coutinho né? Tudão assim.

24) In deference to this quiz’s professor, name a favorite film which revolves around someone becoming stranded.

Interiors.

25) Is there a moment when your knowledge of film, or lack thereof, caused you an unusual degree of embarrassment and/or humiliation? If so, please share.

Ver Tropic Thunder no cinema e rir sozinho de 4/5 das piadas foi meio vergonhoso. Dizer que curto altos o Will Ferrell em certas companhias provoca uns “pfff” bem mocorongos também.

26) Ann Sheridan or Geraldine Fitzgerald? (Submitted by Larry Aydlette)

Sou burrão, nunca vi nada de nenhuma das duas.

27) Do you or any of your family members physically resemble movie actors or other notable figures in the film world? If so, who?

Aqui em casa, só meus gatos lembram gente famosa.

28) Is there a movie you have purposely avoided seeing? If so, why?

Tropa de Elite. Drogas, Rio de Janeiro, Wagner Moura. Pfff.

29) Movie with the most palpable or otherwise effective wintry atmosphere or ambience.

McCabe and Mrs. Miller.

30) Gerrit Graham or Jeffrey Jones?

Jeffrey Jones!!

31) The best cinematic antidote to a cultural stereotype (sexual, political, regional, whatever).

The Naked Kiss.

32) Second favorite John Wayne movie.

The Man Who Shot Liberty Valence, depois de Rio Bravo.

33) Favorite movie car chase.

Bullit, por ser tudo aquilo e pela ausência de trilha sonora. Death Proof, pela sexiness do grrrl power. We Own The Night, porque poucos citam.

34) In the spirit of His Girl Friday, propose a gender-switched remake of a classic or not-so-classic film. (Submitted by Patrick Robbins)

Jules et Jim, hã hã?

35) Barbara Rhoades or Barbara Feldon?

Também vi pouco dessas, mas Barbara Feldon ganha no beauty contest.

36) Favorite Andre De Toth movie.

Nunca vi nada dele :/

37) If you could take one filmmaker’s entire body of work and erase it from all time and memory, as if it had never happened, whose oeuvre would it be? (Submitted by Tom Sutpen)

James Cameron.

38) Name a film you actively hated when you first encountered it, only to see it again later in life and fall in love with it.

The Ice Storm.

39) Max Ophuls or Marcel Ophuls? (Submitted by Tom Sutpen)

Ambos ainda inéditos pra mim.

40) In which club would you most want an active membership, the Delta Tau Chi fraternity, the Cutters or the Warriors? And which member would you most resemble, either physically or in personality?

De nenhum desses, mas do The Dandies. Creio que o meu eu tá paralelo com o do Dick Dandelion.

41) Your favorite movie cliché.

Punch lines dos good guys.

42) Vincente Minnelli or Stanley Donen? (Submitted by Bob Westal)

Stanley Donen \o/

43) Favorite Christmas-themed horror movie or sequence.

Vale Bad Santa?

44) Favorite moment of self- or selfless sacrifice in a movie.

Self: Casablanca. Duh.

Selfless: Milo Minderbinder em Catch 22.

45) If you were the cinematic Spanish Inquisition, which movie cult (or cult movie) would you decimate? (Submitted by Bob Westal)

The Rocky Horror Picture Show. Uma bosta.

46) Caroline Munro or Veronica Carlson?

Tough choice, mas vou de Caroline pelo fator brunette.

47) Favorite eye-patch wearing director. (Submitted by Patty Cozzalio)

Passo.

48) Favorite ambiguous movie ending. (Original somewhat ambiguous submission—“Something about ambiguous movie endings!”– by Jim Emerson, who may have some inspiration of his own to offer you.)

2001: A Space Odissey. Putz, desde sempre questionando “what the eff was that”?

49) In giving thanks for the movies this year, what are you most thankful for?

Eu queria agradecer pela vontade de trabalhar do Soderbergh, mas não vi nenhum dos trinta e dez filmes que ele lançou em 2009.

50) George Kennedy or Alan North? (Submitted by Peet Gelderblom)

George Kennedy, por pegar uns papéis coadjuvantes essenciais.

Oh, the glory!

Publicado em Cinema, Literatura por Tiago Lopes em Novembro 23, 2009

The Wall Street Journal: People have said “Blood Meridian” is unfilmable because of the sheer darkness and violence of the story.

Cormac McCarthy: That’s all crap. The fact that’s it’s a bleak and bloody story has nothing to do with whether or not you can put it on the screen. That’s not the issue. The issue is it would be very difficult to do and would require someone with a bountiful imagination and a lot of balls. But the payoff could be extraordinary.

–>Zíbia Gaspareto, bate um fio pro Sergio Leone agora!

Publicado em Cinema por Tiago Lopes em Novembro 22, 2009

Se a diferença entre a quatidade de “guys, LOOK!” e “i love you, shenenigans” proferidos em 2012 fosse bem maior, com vantagem para a primeira sentença, esse poderia ser o Cidadão Kane, o Let It Bleed, o Segura o Tchan do Emmerich. Já que ele é o único que tá nesse ramo de catástrofe hoje em dia, e tá todo pimpão torrando gazilhões de doletas em um filme de 500 horas, ele mesmo deveria se encarregar de quebrar alguns paradigmas do gênero. Como:

1) matar o cachorro da família;

2) dar um close num humano no momento exato em que o mesmo se torna um só corpo com o asfalto;

3) eliminar todas as cenas em que os cientistas olham para telas de computadores como se estivessem assistindo pela primeira vez a “two girls one cup“;

4) dar um destaque ainda maior aos erros de continuação e crateras do roteiro, já que são melhores substitutos de piadas e frases de efeito.

5) fazer com que os diálogos sejam somente, e tão somente, variações sonoras de “FUCK YEAH!”;

6) ir um pouco além do nível Mogli, o Menino Lobo de erotismo.

Are you really so down on people, or are you just being fashionable?

Publicado em Cinema por Tiago Lopes em Novembro 2, 2009

Little Murders image

Little Murders image II

Little Murders IV

Little Murders image V

Não consegui pensar em muita coisa útil para dizer sobre Little Murders não. Então, digo que gostei muito mesmo, dá para entrar fácil em listas de favoritos segmentadas (melhores dos 70, melhores estréias em direção, melhores filmes dirigidos por atores, top 5 do Donald Sutherland, top 5 do Elliout Gould), como certamente estar presente na lista absoluta e continuamente crescente de melhores dos tempos todos. Mesmo que se queira apontar 70% de culpa para o texto do Feiffer, a direção do Arkin é impressionante. Ele mostra soluções cheias de ineditismo, como toda a sequência do jantar em família, com a energia da casa falhando e o estranhamento causado pelo comportamento dos presentes; o monólogo do juiz ecoando como voz onipresente nos corredores do tribunal; e a realmente espetacular  sequência em que a Patsy finalmente consegue o que quer, para depois deixar a impressão de que essa era a sua única tarefa a cumprir enquanto ser vivo. No geral, tem-se a impressão de que ele quis reproduzir em todo o filme o tom criado pelo Nichols para Catch-22, como se, só através desse molde, fosse possível falar de apatia e indignação via humor. Por baixo desses temas maiores, existem opiniões sendo expressadas sobre outros tópicos importantes em um curso de filosofia, todas elas em perfeita concordância com o que uma biografia não-autorizada sobre meu eu deixaria entrever.

Jungle Julia

Publicado em Cinema por Tiago Lopes em Outubro 22, 2009

Death Proof, sendo todo favoritão, mas só explico daqui a três Lawrence das Arábias.

Kill Bill I é o que é – todo quotable por conta dos diálogos escassos, facilmente gostável por causa da velocidade, dos ícones todos que foram calculadamente criados para se propagarem nas cabeças dos viewers com a mesma intensidade e infinitude de um what’s up doc (amarelo e preto, assobios, hatori hanzo, slo-mo de japinhas, sangue a granel, trilha incidental tratada como base de videoclipe) – porque era um tchau agora bem óbvio para uma linha de produção que foi sumariamente abandonada na sequência. O final mesmo de Kill Bill I já acenava com o que viria na continuação, destoando do que se viu anteriormente. A luta com a Lucy Liu segue praticamente sem música, pouquíssimos cortes, muita conversa, sensação de anticlímax, tudo o que não existiu em nenhum momento durante a hora anterior e foi amplificado em todos os filmes seguintes.

Kill Bill II, Death Proof e Inglorious Basterds funcionam sobre a mesma premissa, no que se refere à construção: eles mostram apenas pequenos focos de ação entre longos espaços de tempo. Tudo o que é feito antes desses focos converge gradativamente para esses pontos. Não existe mais um desdobramento desses focos. Quando um ponto de convergência explode, ele é imediatamente descontinuado após o seu final. Por isso os capítulos, não declarados somente em Death Proof.

A duração desses pontos de convergência é menor a cada novo filme. A luta entre Kiddo e Driver é um foco de convergência longo, mas um que só explode depois que o filme pacientemente movimenta todas as suas personagens, com a Kiddo em segundo plano, em favor da história do Budd, principal ponto de ligação entre Kiddo e Driver. Então, vemos Budd levando vários esporros: do Bill, do chefe do bar e da Driver, todos em sequência, enquanto mal se vê a Kiddo. Quando ela aparece, segue um rapidíssimo ponto de convergência de ação: toda a persona FAIL do Budd que o filme calmamente construiu durante quase toda a sua primeira metade é rapidamente destruída com duas balas de sal. Esse ponto de convergência desmente toda a expectativa formada anteriormente – a Noiva vai conseguir riscar mais um nome em menos de 3 minutos – na força motora de todo o resto do filme. A partir daí, a até agora inexistente fragilidade da Noiva vira motivo principal de atenção.

Até o próximo ponto de convergência de tensão, vemos o enterro. É uma sequência longa e prova indubitável de que a tensão agora só pode ser construída se erguida sobre um longo diálogo, por isso o flashback, e só depois que ela fala sozinha por um tempo. Pai Mei fala pouco, mas as respostas às suas provocações são o principal motivo da restauração da fé na coragem da Noiva (ouhnnnn).

Agora, entendam a necessidade dessa redoma de emoções: Kiddo desceu ao ponto de ser enterrada viva: nível de confiança do público cai para -5. Saiu do caixão sozinha, cruzou um deserto: nível de confiança do público sobe 10 pontos, pára em cinco, tal e qual o que a Elle vinha mantendo desde o início. A luta das duas é a única que atinge o perfeito equilíbrio de imprevisibilidade, por isso é o ponto de convergência de tensão mais longo do filme.

Desse ponto até o final, mais dois longos diálogos irão construir o clímax, que dura, no máximo, 10 segundos: a conversa da Noiva com o “pai” do Bill e com o próprio, em que a capacidade de choque que deveria ser gerada por movimentos bruscos é facilmente atingida só por um acender de cigarro ou a confecção de uma torrada.

*respira*

O detalhamento do primeiro filme que arrombou as coisas novas todas é necessário porque vai economizar algum blá-blá-blá-cat-show-sachê mais na frente. Agora, veja como em Death Proof as coisas se alargam mais ainda, bem mais:  um carro nesse filme só passa dos 40km/h depois da marca de 45 minutos de projeção.

Para chegar no ponto de convergência, o filme não se preocupa com outra coisa além de manter num alto nível a empatia por umas babies que muito tagarelam. O difícil aqui é a manutenção do alto nível sem fazer uso de qualquer movimento brusco. Se existe uma explicação 100% cabível para a palavra “smooth”, ela existe em todos esses 45 minutos. Nem mesmo o fiapo de construção da outra ponta que irá cruzar com a das garotas no momento máximo de convergência chega a atrapalhar, ou sequer diminuir, a manutenção do alto nível de empatia. As breves aparições do Stuntman só foram levemente mostradas porque o filme queria cumprir um dos seus dois objetivos sem firulas.

O primeiro sendo, obviamente, a manutenção e desenvolvimento dessa nova maneira de mostrar as coisas. O segundo é a vontade de fazer um filme de perseguição de carros sem perder muito tempo justificando os porquês da ação principal. Por isso o Stuntman já vem devidamente vilanizado desde o surgimento da primeira notícia sobre a produção de Death Proof: em sua primeira aparição, ele deve deixar claro que é mau feito um pica-pau para que ninguém pense em suscitar um “porquê” bobão que venha a justificar tanta má criação, deixando só mesmo a instintiva vontade de torcer pelas graceenhas.

Dois dos três filmes mais citados pelo Tarantino como referências de grandes obras de perseguição de carros possuem uma trama no mínimo intricada: Operação França e Bullitt. A idéia, parece, também era evitar uma semelhança óbvia com Vanishing Point, que, se é plotless, faz um uso deveras bem feito da premissa de road movie. Logo, Tarantino tinha todo um subgenêro a ser evitado para afastar a automática rotulação e explicitar ainda mais a novidade ali disposta.

O primeiro foco de ação dura o tempo de um carro passando por cima do outro. São 45 minutos de, literalmente, trabalho de amaciamento de carnes para o abate, que dura menos de 10 segundos. No segundo capítulo que segue, há a sequência de perseguição com o grande e emocionante pay back, adornado por sassy black woman’s comments e a piada mais engraçada já criada por Tarantino: “i’m okey!”. Taí, a novidade desnudada na cara da sociedade hipócrita e, infelizmente Gretchen, ignorada.

O que faz de B.I. um quase repeteco do anterior, no que se refere à maneira como foi feito. Só uma manutenção dessa novidade toda apresentada em Death Proof, mas com uns três focos de ação a mais, um background histórico inserido para conferir “seriedade” e um enredo. Mas não significa que, necessariamente, forneçam um maior peso à qualidade desse. Daí que decidi que esses três últimos filmes pairam um tanto sobre todos os outros do Tarantino. Esses diálogos todos competentes demais e longos demais, muito bons de se ouvir, preparando longamente uma tensão a ser dissipada em 10 segundos, é a contribuição maior do moço para as futuras compilações de best of. Desde o começo, se praparou para fazer isso, mas durante os ensaios, sempre cometeu o equívoco de deixar uma bala disparada em momento inoportuno atrapalhar a fluência das conversas, o plano maior, a essência… sim Bernadete… a essência de sua vida.

*toca You Can’t Always Get What you Want*

*solta os créditos*

*mostra erro de gravação*

*fade out*

A favor, pois sim

Publicado em Cinema por Tiago Lopes em Outubro 10, 2009

Anticristo é o melhor upside down de comédia romântica da década. Curti altos.

Nude pics of Sincerity and other scary chicks

Publicado em Cinema por Tiago Lopes em Setembro 11, 2009

A obtenção de informações exteriores a um filme quase sempre funciona como implosão de uma expectativa saudável. Não se sabe nada sobre quem fez e sobre o que foi feito, e bom mesmo é continuar não sabendo até que a obra seja vista por completo. Mas aí, as companhia aéreas inventaram publicações para se folhear em uma trinca espremida de horas e, se a obra aguardada estiver sendo abordada na edição que está à sua frente, negar uma folheada é o mesmo que estar condenado à prisão perpétua no calabouço de um sheik e evitar olhar para a janela que dá para o quarto de esposas selecionadas num cursinho pré-vestibular. Impossível, pois sim.

Topei com uma entrevista em que o Heitor Dhalia entregou o foie grais de À Deriva ao dizer que esse é um filme autobiográfico. A personagem da Felipa é ele, aos 15 anos, observando o processo de separação dos seus pais. “E foi doloroso, meus melhores anos, toda aquela comoção. ÔÔÔÔÔÔ FREAK OUT!!”. E vi o filme sabendo quase tudo sobre o mesmo. As informações exteriores, contrariando a regra, serviram como uma bengala tão sofisticada que, se usada pelo mendigo da esquina, é o Hugh Hefner fazendo seleção para o Beleza na Favela.

Faço um plié e explico: se À Deriva fosse analisado absolutamente isolado do background pessoal do seu criador, seria o filme de separação chechelento por excelência, acertando em todos os alvos fáceis com uma margem nula de erro. Mas, background: todo importante, significativo e, publicitariamente falando, pouco explorado.

Só o fato de saber que a Felipa é o Dhalia já garante ao menos uma grande sequência: a que o Mathias explica sobre o que é seu novo romance. A cena abandona a alcunha de mais um componente da imutável gama de clichês do gênero para, ao se tomar consciência do background, repousar sob uma de não menor valor que “wow”, pela metalinguagem tremendamente bem empregada e por essa sequência ser o principal estopim do inesperado e cabível twist final. Daí para frente, comecei a ver o filme como um daqueles projetos que tem que ser executados, para o qual o diretor só se importou em crescer para fazer isso mesmo. Seu trabalho anterior servindo de aprendizado e o posterior, como a sobra de uma obsessão finalmente suprimida.

Separação de casal, o mundo fora da MTV sempre ensinou, é uma das coisas mais esquemáticas do ser humano enquanto alive and kicking. Quem ainda insiste em revisitar o tema, o faz porque acha necessário, e esse tipo de  necessidade só passa quando é atendida. Mas e aí, fazer o quê quando a experiência pessoal é como moça da vida de R$ 1,99, todo mundo já teve uma e já bolinou-a trinta e dez vezes antes de você? O Dhalia investiu na fotografia. A ausência de confronto em grande parte do filme entre seus personagens é compensada com uma fotografia sinceramente empolgante, que deixa todas as situações comuns mostradas aproveitáveis como algo realmente original. Se já tiver acontecido dentro do seu curral então, ter a consciência de tudo isso aí dito acima torna a coisa toda quase indispensável.

Ver também: A Vida Secreta dos Dentistas.

Publicado em Cinema por Tiago Lopes em Setembro 9, 2009

Up

Chorei que só :D

Moscou

Publicado em Cinema por Tiago Lopes em Setembro 4, 2009

Não que não haja alguma verdade no que a maioria já disse, mas a única coisa que parece documentada em Moscou é uma distração, que só está ali para provar que uma obra de ficção com texto e interpretação exatos se sobrepõem, sem nenhum problema, a tudo o que estiver acontecendo próximo à ação principal. Coutinho poderia ter filmado um dos atos de As Três Irmãs dentro do camarote da Brahma no carnaval do Rio, com Suzaninha de papagaio. Com algum ajuste no aúdio, nada da intenção original da peça se perderia até chegar ao espectador.  Sendo assim, Moscou é como um teste da validade da ficção, como um chefão que as obras de ficção tem que se submeter para provar que são necessárias a esse mundo. As distrações são essenciais no filme, porque se equiparam à obra que quer ser vista – como a parte do isqueiro/fósforos no escuro*, o repeteco de Jogo de Cena logo no início -, mas é tudo de brinks, querendo que você pense que Coutinho está ludibriando a linha que separa documentário de ficção, mais uma vez. Não está. Ele fez uma obra de ficção, mas uma que precisa se impor a uma série de ninjas assassinos treinados que querem minar sua existência.

Nível sub-21: se David Lean tivesse filmado As Três Irmãs à sua maneira, o impacto seria o mesmo de Moscou.

*Uma das vantagens do cinema nacional que me apraz é provar, covardemente, que eu estou errado. Da mesma maneira que Terra Estrangeira me fez acreditar que “Vapor Barato” pode ser muito massa, Moscou fez o mesmo com “Como Vai Você”. Me desacreditei, e não curto muito me desacreditar.

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Publicado em Cinema, Música por Tiago Lopes em Setembro 3, 2009

Spike Wilco

Update (como se a humanidade, já muito ausente disso aqui, fosse notar um adendo a um post old as dinosaur shit como esse):

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Altos queria as três. Só sinto que o bananão não tenha mais nenhuma revista minimamente aceitável. Tenho sentido alguma falta do passeio massa que é entrar em uma banca e sair folheando a nova aquisição dentro do ônibus, até chegar às planícies verdejantes onde a minha casa está instalada. Billboard terá edição nacional e será bem pfff mesmo.