Da Década!

Jaaaaaailbreak!

Posted in Cinema by Tiago Lopes on junho 6, 2008

Fuga de Alcatraz:

O cinema de ação dos 60’s e 70’s parece, se comparado com os melhores exemplares do gênero feito nos dias de hoje, com algo mais próximo da periferia dos multiplex do que um produto de mercado (opa! liga pra contracampo!) feito para atingir o público masculino na faixa dos 20 aos 30 anos. Filmes como Bullit, Maratona da Morte, Os Implacáveis e Fuga de Alcatraz são filmes de ação que contêm todos os elementos característicos do gênero, mas passam ao largo de expô-los como os filmes da década de 80 em diante têm feito. Todos os exemplos citados são considerados pela minha pequena e modesta mente perfeições do cinema americano. Fuga de Alcatraz é o mais bem acabado exemplo de filme de ação que não dispensa uma fagulha para se mostrar tão eficaz quanto, por exemplo, toda a trilogia Bourne. O filme se constrói fazendo uso da mesma calmaria com que seus personagens empreendem na fuga de… de… Alcatraz! É todo cadenciado, sem trilha sonora, com uns momentos raros de exposição de sentimento que já foram usados em demasia em outros tantos filmes mas que, inseridos na aridez com que esse se desdobra, se tranformam em algo inédito e, por isso, mais emocionantes ainda. E o roteiro é tão exemplarmente manipulador na maneira como mostra os prisioneiros e seus algozes (potencializdo na imagem do diretor da prisão) que faz com que você desvie toda a sua simpatia do lado da lei e realmente torça pela escória, que deixa de ser escória quando o motivo pelos quais estão presos não são mostrados em nenhum momento. Mas ninguém levanta a voz para alegar inocência, tentando garantir não só a sua simpatia, mas uma feeling de pena extra, como num outro filme de prisão desprovido de estilo e de qualquer força.

Papillon:

E mais ambicioso, mas nem perto de atingir o nível de satisfação da clientela a que se propõe. Mesmo usando dois atores que geralmente fazem um esforço mínimo para chamar a atenção de alguma maneira, o filme se arrasta em longuíssimas duas horas e meia se esforçando para deixar claro o quão difícil era a condição de vida dos prisioneiros enviados para cadeias especiais na Guiana Françesa, mas só consegue gritar que o esforço de filmar tudo isso foi mais penoso do que o percalço dos protagonistas. Parece uma menininha gritando “me chama de clássico, ME CHAMA DE CLÁSSICO!!”. Dustin Hoffman e Steve McQueen se doam (a-rã, a-rã) de verdade se prostrando diante daquele calor, rolando na lama, comendo insetos, mas nada disso ajuda no amanciamento da extrema chateação provocada pela direção movida a pilha e confiança cega num roteiro hiper-realisticamente entediante. E o inominável diretor dessa joça dirigiu anteriormente Planeta dos Macacos que, na minha opinião (mas é craro, isso é meu blog), mais parece criação de outrém devido à discrepância de qualidade das obras. Mas é issaê, bora pro próximo, último e mais díspare da lista.

Down By Law:

A jaaaaaaailbreak nesse aqui nem é tanto o mote, é importante pro filme e pros personagens, mas é só mais uma passagem usada para mostrar que é fácil enxergar a beleuza das coisas quando se está na merda. E fica mais fácil ainda ver todo esse adorno do banal quando o mesmo é mostrado em p&b. Então, começa com a prisão de Zack (John Lurie) e Jack (Tom Espera), ambos trapaceados e pêgos no fragra. Quando chegam na cadeia, conhecem Roberto (o Benigni), que cometeu um crime grave mesmo, mas é sem-noção e serve de alívio cômico para contrapor com a amargura dos outros dois. A fuga da prisão é fácil e mostrada rapidamente, o que perdura na tela são os momentos em que os três estão na cela e o tempo em que ficaram à paisana, no meio do mato, depois de escaparem. São nessas duas passagens que a empatia entre eles fica mais concreta, mas não através de trocas de informações sobre suas vidas, eles só ficam mais próximos devido às circunstâncias do isolamento. Discutem, mas também arranjam maneiras estranhamente divertidas de passar o tempo, quase todas iniciadas por Roberto que, por isso mesmo, fica sendo o responsável por manter a geral unida. Até toparem com um casebre e uma estrada bifurcada, num final todo bonito mesmo, acompanhado de umas músicas que dão ênfase ao “sad and beautiful” que perpassa todas as imagens do filme. Vê-lo pela segunda vez, quando já se tem a certeza da ausência de maiores surpresas, fica mais prazeroso ainda de acompanhar o que é mostrado num ritmo lento, para melhor apreciação.

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