Da Década!

The Walkmen

Posted in Música by Tiago Lopes on fevereiro 18, 2010

Esse nem é inédito (foi publicado no dia 06/11/2008 em outras pradarias) e nunca achei que meus textos sobre música fossem de alguma validade. Tô colocando esse por aqui pela primeira vez porque é um dos poucos que realmente gosto. Relendo, continuo concordando bastante com o que eu escrevi no calor das primeiras audições desse disco.

Com pouco menos de dois anos para o fim dessa década, previsões sobre o que realmente irá caracterizá-la já podem ser feitas agora mesmo, sem que muito do seu sentido se perca daqui até a mudança dos dois dígitos. Na música, a única coisa que arranhou o conceito de “movimento” foi a descoberta em massa de bandas nova-iorquinas no início dos anos 00, que, à primeira vista, pareciam ter um senso de estética visual mais apurado do que algum conhecimento musical abrangente. Precisou de um tempo (o intervalo entre o primeiro e o segundo disco, mais precisamente) para o proto-movimento se mostrar como algo que realmente carregava alguma substância não advinda de um coletor de lixo reciclável. Dessa leva, pouquíssimas bandas ainda se mantêm em pé até hoje e nenhuma outra é tão consistente quanto o The Walkmen.

You & Me é mais um disco saído de uma constante e inventiva linha de produção que não sofreu nenhuma adição de elementos estranhos ao longo de cinco discos e não precisou fazer uma mudança drástica de direção sonora como tática de sobrevivência em busca de um aumento de público. O Walkmen é nesse novo disco o mesmo de Everyone Who Pretended To Like Me Is Gone, só que mais ciente dos limites do som que criou em sua estréia, portanto, mais disposto a refiná-lo.

Mesmo tendo dois discos de inéditas e um de versões entre um e outro, os extremos da atual discografia do Walkmen parecem uma linha evolutiva sem interrupção. Bows + Arrows e A Hundred Miles Off expandiram o volume dos vocais, a velocidade e os efeitos nas guitarras e a qualidade das músicas criadas pela banda que, mesmo mantendo a discrição, conseguiu atenção suficiente dos críticos para receber os merecidos superlativos com os quais vem sendo classificada. Depois de um disco de covers de um disco de covers (Pussy Cats, disco de covers do Harry Nilsson virou Pussy Cats: starring The Walkmen), a banda resolveu mostrar o lado refinado dessa evolução toda, criando um disco melancolicamente doce (o título deixa bem explícito a onipresença do tema “amor”), calmo e, por tudo isso e mais um pouco, inesperado.

Nenhuma música do novo disco lembra a força dos mais famosos singles anteriores (“The Rat”, “Little House Of Savages”, “Lost In Boston”), mas a maioria delas alcança os mesmos altos padrões de satisfação auditiva, indo por vias mais discretas e elaboradas, como “On The Water”, “Canadian Girl”, “Red Moon” e “The Blue Route”, quatro canções que derrubam qualquer resistência ao Walkmen à primeira audição. As duas primeiras são as que representam melhor o espírito de amor sóbrio do disco (nos anteriores, tudo era meio alcoolizado, do som dos vocais à estridência das guitarras), com provas de que o Walkmen possui o melhor percussionista em atividade (sem chamar a atenção pra si o tempo inteiro) e as guitarras reverberadas deixaram de ser onipresentes para virar algo pelo qual se espera ansiosamente. “Red Moon” é uma balada na melhor acepção do termo: exageradamente romântica e despida de maiores arranjos, só um piano, uma batida alternada e um naipe de metais na medida para exaltar os espíritos mais sorumbáticos. E “The Blue Route” é o mais próximo de barulho que eles criaram em You & Me e, ainda assim, milhas distantes da estridência de outrora.

O resto do disco segue à risca o mais não-tão-em-uso conceito de álbum. Espera-se do ouvinte uma disposição para apreciá-lo por inteiro e várias vezes, para melhor aproveitamento da obra. A sutileza de músicas como “Dónde Está La Playa”, “Long Time Ahead Of US” e a instrumental “Flamingos (For Colbert)” fazem o retorno à atmosfera única do disco ser mais desejável ainda. No fim de tudo, a banda entrega a já tradicional homenagem explícita ao Dylan, em músicas que soam exatamente como grandes b-sides d’O Homem. Aqui, a (venho tentando evitar o uso de adjetivos melosos desde o começo da resenha, mas é preciso ceder) estupendamente bela “If Only It Were True” fecha o disco que deve tornar impossível, em 2010, chamar o The Walkmen de outra coisa além de grande banda da década.

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Viktoria Winge

Posted in Cinema by Tiago Lopes on fevereiro 17, 2010

A moça da direita se chama Viktoria Winge. Grandiloquentemente bonita. Ela atua em Reprise, um filme que trata todos os seus personagens com uma gentileza quase materna e do qual eu gostei bastante. Por esse motivo e por ser um exemplo bem feito de “romance de formação”, com seus dois protagonistas tentando dar início à uma carreira literária, enquanto experimentam as decepções usuais da faixa etária.

A moça da esquerda é a fotógrafa Lisa Scheynius. Conheci o seu flickr enquanto procurava boas imagens da Viktoria. Não entendo muito de fotografia, mas ela faz uns registros de garotas seminuas em que até os elementos que não compõem o objeto principal das imagens são interessantes.