Da Década!

Trifecta de FUN

Posted in Cinema, Literatura by Tiago Lopes on maio 23, 2011

1) Comecei a rever todos os filmes do Shyamalan, porque percebi que só vi a maioria deles apenas uma vez e há uns anos atrás. O que não é certo quando se quer defender algo que, pra tanta gente, parece frágil, e você lá, com mais umas pessoinhas, dizendo que não é bem assim. Com isso quero ou renovar e melhorar meus argumentos ou efetivamente salvar de vez o que merece ser salvo e deixar o resto pra discussões em que eu não irei me envolver. Nunca vi o do guri careca que solta fogo, não sei se quero. Começando por…

The Sixth Sense: Um drama sobre single ladies, e um dos mais deprimentes sobre. Uma viúva e uma mãe solteira, entre elas, o marido morto e o filho que vê gente morta. O roteiro foi construído em cima dessas 4 personagens de um jeito tão exato, quase matemático. Tudo o que está de um lado do sinal de (=) influencia imediatamente no outro, caso sofra alguma alteração. A mãe precisa que o seu filho se comporte melhor socialmente para que sua responsabilidade sobre ele seja menos sofrida. O marido precisa liberar a viúva do seu luto. O filho só fica menos problemático se aprender a lidar com os fantasmas. O marido só vai saber o que tem que fazer quando tomar consciência do que é. Se contabilizados, os sustos não vão além de uns três ou quatro. Já os momentos de confronto das mulheres com seus problemas maiores ocupam quase todo o filme. Vide os vários diálogos da mãe tentando ser compreensiva com os problemas do seu filho e da viúva compensando a saudade ao rever diversas vezes o vídeo do seu casamento e relutando ceder a investidas de outros. Continua tremendamente calmo e bonito. Só acho que o twist foi revelado de uma maneira muito mais óbvia do que a sutileza geral do filme deveria permitir, provocando uma desigualdade de tratamento ao longo dos cinco minutos finais, quando aparecem desnecessários flashbacks e o volume da trilha sonora é aumentado consideravelmente. Sem os dois, seria apenas o Bruce Willis tocando na mancha de sangue e o público associando imediatamente às feridas mostradas em todos os outros fantasmas.

Comento mais à medida em que for vendo. Se alguém de exemplar caráter completista assistiu The Last Airbender, diz aí: a graça do filme toda tá só naquele primeiro (e sensacional) teaser?

2) Quero fazer sweet love com a Holly Hunter de Broadcast News. Se ela recusar, quero fazer sweet love com seu sotaque. E os créditos desse filme deveriam ser assim: Escrito e dirigido pelo espírito Billy Wilder, psicografado por James L. Brooks. No melhor sentido possível. Seguem algumas linhas:

*Wouldn’t it be great if insecurity and desperation made us more attractive? If needy were a turn-on?

*- I started thinking about the one thing that makes me feel good and makes immediate sense and it’s you.

  – Oh, bubba

  – I’m going to stop right now. Except I wish you were two people. I’d tell the one who’s my friend about the one that I like so much.

*O Albert Brooks grita bastante, acusando o William Hurt de ser o demônio, pra fazer com que a Holly Hunter desista de se encontrar com ele. E grita e grita e finaliza com isso: “And I’m in love with you. How do you like that? I buried the lead”.

3) Huckleberry Finn é o melhor filme que os Coen ainda estão por fazer. Como nunca vai acontecer, é fácil dizer que essas cinco horas imparáveis finalmente afastariam Citizen Kane do topo.