Da Década!

Celeste, Jesse e a melhor trilha de 2012

Posted in Cinema, Música by Tiago Lopes on dezembro 6, 2012

Celeste e Jesse para Sempre (em exibição nos cinemas) deveria ter chamado mais atenção, ao menos pelo nobre esforço de escapar dos sólidos clichês de comédias românticas. A começar pela premissa: o filme inicia quando o casal principal já está separado e, pelo motivo rapidamente mostrado, é uma decisão sem volta. Jesse é um largado, que faz bicos de designer e mora no quarto dos fundos da ex-namorada, Celeste, que é tão bem-sucedida, que seu quarto dos fundos tem sala, cozinha, quarto e banheiro.

Sendo a incompatibilidade financeira (ou desajuste de ambições) o principal motivo do fim do relacionamento, eles terminam o casamento e conseguem manter uma relação bem convincente de amizade, já que o motivo do fim não foi por falta de confiança, traição, ou algo que deixasse algum resquício emocional negativo. Até que Jesse engravida, sem querer, uma das suas ficantes, sente a obrigação de finalmente amadurecer e Celeste percebe que o cara que tanto gosta finalmente está trabalhando no único aspecto da vida dele que não a agradava.

Taí um desenvolvimento genuíno em comédia romântica, mas que resulta em um impasse manjado: Celeste quer retomar o relacionamento com Jesse justamente quando ele faz a fila andar. Como os dois não tem não volta, grande parte do filme se ocupa em mostrar como Celeste vai da negação à superação dos seus sentimentos por Jesse, fazendo uma parada quase imperceptível no quesito “aceitação” e se tornando um fardo na vida dos amigos e de todos os caras que tentam dar em cima dela.

O que distância Celeste e Jesse – especialmente sua porção meio Bridget Jones – das comédias românticas melosas é o fato de Rashida Jones, que a interpreta e roteirizou o filme, ter construído uma personagem impossivelmente atraente, e não só para o público feminino (que deve se identificar com as lamúrias que uma situação do tipo provoca). Mas principalmente para o masculino.

Algumas sequências do filme mostram Celeste alugando os ouvidos de caras que, como de costume, só se submetem a esse tipo de conversa pensando no sexo depois da chorada no ombro. Os caras do filme pensam e dizem isso, mas antes, esperam consolá-la também do jeito convencional, porque ela realmente é uma boa companhia: engraçada pra caramba, bebe, fuma, disfarça decepção amorosa com umas danças constrangedoras na balada. E é a Rashida Jones, a atriz mais beleza carioca daquelas bandas.

Celeste e Jesse para Sempre, mesmo com uma protagonista mulher, se estende para além do “feito para mulheres” de um jeito tão consciente e bem sucedido, que, às vezes, parece algo dirigido por Judd Apatow. Há ainda o clima bacana e quase ininterrupto de balada do filme, ajudado pela trilha sonora mais original de 2012: uma mixtape formada por indies e faixas soul bem distantes de escolhas óbvias. Aqui, uma compilação de todas as ótimas músicas executadas no filme.

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