Da Década!

A gente já entendeu, Justin

Posted in Música by Tiago Lopes on março 21, 2013

Antes de mais nada, atentem para essas duas imagens:

Na Vip de abril, que chega às bancas no dias 29 de março, resenho The 20/20 Experience usando a quantidade exata de superlativos que a música do terceiro disco de Justin Timberlake merece: muitos. Quanto as letras, parece que o cara ainda não trocou o jeans lavado da imagem acima pela suit & tie que se gaba justamente de saber exibir por aí.

Não que se possa exigir muita proficiência verbal de alguém que faça música pop. Mas até a concorrência de ritmo duvidoso mostra alguma esperteza quando escreve uma letra para virar hit. De cabeça, lembro de Carly Rae Jepson e Taylor Swift, que cantaram dois dos refrões mais gozadinhos de 2012 em Call Me Maeby e We Are Never Ever Getting Back Together.

E é bom lembrar da autoria: os créditos da primeira vão para Jepsen e um outro cara, enquanto Swift precisou de mais dois letristas para escrever seu hit mais aturável (agradável, até). A música com a letra menos vergonhosa de 20/20 precisou de – atenção porque aí você percebe que é um trabalho muito árduo não fazer uma música para o gosto popular soar tão derivativa – OITO PESSOAS.

A letra de Suit & Tie, uma música sobre “os prazeres de ser bonito e bem vestido”, usou a mesma força tarefa necessária para erguer um prédio de 10 andares (de acordo com uns dados que recolhi andando pela vizinhança). Com exceção dessa, as outras nove faixas de 20/20 arrepiam ainda mais no maior (e único) problema de FutureSex/LoveSounds: a autoafirmação excessiva.

Justin tem uma voz fina e a usou para iniciar sua carreira como líder de uma boy band. Por mais moderno que seja esse mundão, esses ainda são dois sinais de ausência de masculinidade. Não ajuda que os promoters do ‘N Sync tenham feito a banda atravessar quase uma década de existência forçando os caras a usarem um vestuário feito de ideias descartadas do Ronaldo Ésper.

Quando Justin percebeu que tinha algum talento próprio e planejou a sua carreira solo, decidiu que só com muita referência escancarada ao fato de que gosta mesmo de mulher, apesar da voz fina e de uma boy band no currículo, para apagar um passado tão bandeiroso. E é uma temática muito nobre, mas vem executando-a da maneira mais limitada possível: sem um adendo cômico, sem o uso de qualquer metáfora criativa em uma afirmação tão abusadamente repetida, sem uma nesga de vergonha em usar a própria voz para dizer que “é o melhor cara que há por aí”.

Obviamente, o mundo da música pop tem egos maiores do que a circunferência de Timbaland, mas os melhores conseguem transformar a necessidade de autoafirmação em letras inesperadamente criativas, tornando mais aturável para o público ouvir pela enésima vez que seu artista favorito venceu na vida, decorou nomes de marcas e que come tantas mulheres quanto consome Chandons no café da manhã.

Jay-Z e Kanye West estão no topo da cadeia alimentar por saberem fazer exatamente isso: “I’m planking on a million”, verso de Gotta Have It, tem cinco palavras e cumpre muito bem todas as suas funções: esclarece a autoafirmação, é engraçado e inesperado e ainda faz referência (e justifica a existência) de uma prática bocó dos nossos tempos.

Tudo bem que a autoafirmação de Justin não é material, é sexual. Só que outro cara de voz fina e trajes espalhafatosos construiu uma carreira inteira em cima de letras de autoafirmação no campo do lovemaking, aumentando e mantendo em altíssimo nível o padrão de comparação para qualquer um que queira se aventurar nesse terreno. Não vou nem invocar um clássico de Prince. Segue um trecho de International Lover, música que encerra o sensacional álbum 1999:

Good evening / This is your pilot Prince speaking / You are flying aboard the Seduction 747 / And this plane is fully equipped with anything your body desires / If for any reason there’s a loss in cabin pressure / I will automatically drop down to apply more / And to activate the flow of excitement / Extinguish all clothing materials and pull my body close to yours / Place my lips over your mouth, and kiss, kiss, normally / In the event there is over excitement / Your seat cushion may be used as a flotation device.

Nem parece, mas essa é uma balada, cantada lentamente para que a gata não perca nenhum detalhe da cantada do Prince. São versos tão constrangedores pela ótica do bom senso, mas tão criativos em sua finalidade (autoafirmação sexual), que Prince poderia dar aulas em Harvard com o tema “Metáforas Sexuais no Pop: Síntaxe, Safadeza e Originalidade”. Não tem recanto da gramática que ele não tenha utilizado como base para dizer de um jeito diferente que curte uma vagina.

Agora, trecho de Spaceship Coupe, uma das músicas mais fracas de 20/20 e que, como International Lover, usa transporte aéreo como metáfora sexual:

We can’t take an airplane / Where we’re going is way too high / Going where the day sky turns into night / I got the windows special tinted for the stars that get too bright / And I saved you a seat, so let’s ride / Hope into my spaceship coupe / There’s only room for two / And with the top down / We’ll cruise around / Land and make love on the moon / Would you like that?

Whoa, que pena da gata que tenha ouvido esse convite do Justin. Não só deve ter dormido de tédio no quarto verso (porque raios ela vai querer saber que ele colocou vidro fumê na caranga espacial?), como acordou só para soltar um sonoro “pfff” quando ouviu o convite para fazer amor na lua. Essa também, infelizemente, é uma balada: o ritmo lento deixa todo esse amontoado de cantada de encanador (que, imagino, esteja uma escala abaixo da de pedreiro) ainda mais audível.

No novo disco, ele ainda inventa os termos mais retardados e inadequadamente infantis em Strawberry Bubblegum para se referir a vagina (“chiclete de morango”) e pênis (“pirulito de mirtilo”). Essas escolhas só não são passíveis de queimar numa fogueira em praça pública porque a música é bem sensacional.

Justin já é um cara casado, seu currículo de mulheres é mundialmente conhecido e o ‘N Sync acabou há mais de uma década. Se a ideia é continuar insistindo na autoafirmação sexual, rouba as ideias de letras do Prince também. Se aprendeu com o cara a fazer música pop de verdade, não deve ser tão difícil aprender a escrever letras além do nível “estava no avião tomando leita moça / meu pai foi mais esperto e comeu a aeromoça”.

Celeste, Jesse e a melhor trilha de 2012

Posted in Cinema, Música by Tiago Lopes on dezembro 6, 2012

Celeste e Jesse para Sempre (em exibição nos cinemas) deveria ter chamado mais atenção, ao menos pelo nobre esforço de escapar dos sólidos clichês de comédias românticas. A começar pela premissa: o filme inicia quando o casal principal já está separado e, pelo motivo rapidamente mostrado, é uma decisão sem volta. Jesse é um largado, que faz bicos de designer e mora no quarto dos fundos da ex-namorada, Celeste, que é tão bem-sucedida, que seu quarto dos fundos tem sala, cozinha, quarto e banheiro.

Sendo a incompatibilidade financeira (ou desajuste de ambições) o principal motivo do fim do relacionamento, eles terminam o casamento e conseguem manter uma relação bem convincente de amizade, já que o motivo do fim não foi por falta de confiança, traição, ou algo que deixasse algum resquício emocional negativo. Até que Jesse engravida, sem querer, uma das suas ficantes, sente a obrigação de finalmente amadurecer e Celeste percebe que o cara que tanto gosta finalmente está trabalhando no único aspecto da vida dele que não a agradava.

Taí um desenvolvimento genuíno em comédia romântica, mas que resulta em um impasse manjado: Celeste quer retomar o relacionamento com Jesse justamente quando ele faz a fila andar. Como os dois não tem não volta, grande parte do filme se ocupa em mostrar como Celeste vai da negação à superação dos seus sentimentos por Jesse, fazendo uma parada quase imperceptível no quesito “aceitação” e se tornando um fardo na vida dos amigos e de todos os caras que tentam dar em cima dela.

O que distância Celeste e Jesse – especialmente sua porção meio Bridget Jones – das comédias românticas melosas é o fato de Rashida Jones, que a interpreta e roteirizou o filme, ter construído uma personagem impossivelmente atraente, e não só para o público feminino (que deve se identificar com as lamúrias que uma situação do tipo provoca). Mas principalmente para o masculino.

Algumas sequências do filme mostram Celeste alugando os ouvidos de caras que, como de costume, só se submetem a esse tipo de conversa pensando no sexo depois da chorada no ombro. Os caras do filme pensam e dizem isso, mas antes, esperam consolá-la também do jeito convencional, porque ela realmente é uma boa companhia: engraçada pra caramba, bebe, fuma, disfarça decepção amorosa com umas danças constrangedoras na balada. E é a Rashida Jones, a atriz mais beleza carioca daquelas bandas.

Celeste e Jesse para Sempre, mesmo com uma protagonista mulher, se estende para além do “feito para mulheres” de um jeito tão consciente e bem sucedido, que, às vezes, parece algo dirigido por Judd Apatow. Há ainda o clima bacana e quase ininterrupto de balada do filme, ajudado pela trilha sonora mais original de 2012: uma mixtape formada por indies e faixas soul bem distantes de escolhas óbvias. Aqui, uma compilação de todas as ótimas músicas executadas no filme.

Pulp, festivais fracos e shows para ver ainda em 2012

Posted in Música, Shows e festivais by Tiago Lopes on novembro 29, 2012

Com raras exceções (Justice? Tv On The Radio?), nenhum dos melhores shows de 2012 aconteceu nos principais festivais de música de São Paulo. A apresentação dos britânicos do Pulp na noite de quarta-feira, dia 28, no Via Funchal, em São Paulo, só inflou o pacote de argumentos de que a curadoria desses eventos (Lollapalooza, Planeta Terra, Sónar) foi especialmente equivocada em 2012. E, se contarmos a partir dos excelentes shows da Feist (que aconteceram nos dias 22 e 23 de outubro em São Paulo, e no dia 24, no Rio de Janeiro), a programação desse último trimestre dá um line-up bem mais decente que os desses três festivais*.

Se, por um lado, ver um show da sua banda favorita num lugar onde ela é a única atração garante uma experiência ainda mais completa, por outro, sua conta bancária é quem mais sua nessa maratona. Com o preço do ingresso de um dia de festival na média de R$ 200, e cada apresentação de uma banda isolada cobrando cerca de R$ 150, se você sacrificasse seis shows ao longo do ano, conseguiria ir a ao menos um dia de três festivais diferentes, com a possibilidade de ver cinco bandas por dia, ao invés de apenas uma. E economizando um outro bocado em transporte e bebidas. Mas quem, de posse de ao menos 15% de saúde mental, deixaria de ver nem que fosse apenas a execução da música This Is Hardcore ao vivo por um dia do Lollapalooza Brasil 2012?

Esse momento do show do Pulp foi o ápice de uma apresentação que durou 2 horas e 20 minutos, nunca se alongou em pausas por mais de três minutos (nem durante os dois intervalos que precederam os bis) e mostrou um Jarvis Cocker com uma vontade de agradar o público bem superior a 90% dos vocalistas que apalparam mulatas no Brasil em 2012.

Foi além do “tudo bem?” em português (falou de “massa” a “sinistro”) e rebolou e desmunhecou o suficiente para ser a síntese perfeita de todos os tios bêbados em festas de casamento ao redor do mundo. A longo prazo, provou que, assim como os shows da turnê do Pavement em 2010, reuniões de bandas tão sensacionais como essas têm que acontecer ao menos de cinco em cinco anos, não importa que sejam motivadas especificamente pelo dinheiro (nada de material novo, músicas executadas no palco sem mudanças significativas das versões do disco). Quem cria álbuns como Different Class e Crooked Rain, Crooked Rain, tem moral para brincar com nossa memória afetiva sem culpa nenhuma, de ambos os lados.

Sublinhar a execução de This Is Hardcore como o melhor momento de um show do Pulp, que caprichou absurdamente na empolgação ao executar hits mais famosos e mais velozes, como Common People, Babies e Mis-Shapes, é fugir da redundância: esses hits provocariam pulos coreografados de 100% do público presente mesmo se fossem tocadas em versão “pau e lata”. Mas, tanto This Is Hardcore como outras músicas menos óbvias da banda, como Like A Friend, Sunrise e Bar Italia, pegaram de surpresa parte do público que, se não respondeu com a mesma empolgação, ao menos ficou quieto sustentando um olhar de reverência hipnótico em direção ao palco. Quem conhecia mesmo o Pulp, talvez nunca mais se esgoele tanto ao cantar junto com um vocalista numa apresentação ao vivo.

*Abaixo, uma lista com breves comentários dos ótimos shows que devem acontecer no Brasil ainda esse ano (devem né, taí a cadela doente da Fiona Apple para estraçalhar nossas expectativas):

Dirty Projectors

Os zé-doidinhos dessa ótima banda novaiorquina tocam daqui a pouco no Rio de Janeiro, no Circo Voador, com ingressos de R$ 70 a R$ 140. Amanhã, tocam em São Paulo, no Cine Joia. Os ingressos para essa apresentação já estão no segundo lote, de R$ 60 a R$ 120.

Supercordas

Nesse fim de semana, fazem em São Paulo o último show do ano. A Mágica Deriva dos Elefantes é tão bom que até sem a ajuda do “nacional”, continua entre os melhores discos de 2012.

01/12 – São Paulo
Studio SP
De R$ 15 a R$ 40.

Ben Kweller

Ah, Ben Kweller! Meu eu de 15 anos custa a acreditar que vou finalmente ver um show desse cara ao vivo (se Grandaddy e Eels se apresentarem por aqui nos próximos meses, volto a usar camisa básica da C&A diariamente, em memória a esses anos de outrora). E ele continua gravando boas músicas. Esse ano, lançou Go Fly A Kite: ótimo título, faixas meio automáticas (até para os padrões Ben Kweller), mas You Can Count On Me vale umas centenas de audições. RunSha Sha, aquela e outras tantas já fazem desse show um melhor que metade do line-up do último Terra.

04/12-São Paulo
Sesc Vila Mariana
De R$ 6 a R$ 24 (e ainda tem o custo/benefício mais alinhado com as diretrizes econômicas do Brasil)

06/12-Rio de Janeiro
Imperator
De R$ 40 a R$ 80

Norah Jones

Tem que ser um ser humano muito derrubado para não gostar de Norah Jones. Ainda mais depois da sua participação no filme Ted, onde prova que tem um senso de humor bem desprendido. E ela tem uma vontade constante de ampliar o escopo da sua música, como a excelente Sinkin’ Soon e o seu mais recente disco, Little Broken Hearts, provam. Os ingressos para os shows em São Paulo (15/12) e no Rio de Janeiro (16/12) já estão esgotados. Para a apresentação em Porto Alegre (12/12), os ingressos custam de R$ 170 a R$ 240. Clique aqui para mais informações.

Top 5 candidatas a proibidões das baladas

Posted in Música by Tiago Lopes on novembro 21, 2012

À esquerda, The Party God

Dia desses, numa maratona não planejada, acabei indo ao menos em duas baladas por noite ao longo de um fim de semana e escutei em 70% das discotecagens a mesma música, uma com mais de 30 anos de idade, de ampla aceitação entre o público, mas que é tão executada, que já deveria ter esgotado a sua cota de rotatividade no mundo há ao menos uma década.

Claro que sou eu quem está errado. Tivesse ficado em casa mais tempo, teria economizado uma grana e ganhando uns cinco anos extra de vida útil do fígado. Mas ouvindo em um curto espaço de tempo discotecagens de dê-jotas variados, foi fácil perceber que a aparência entre eles é inversamente proporcional ao gosto por escolhas óbvias no som.

E não é só mandar uma Satisfaction entre uma música do Ty Segall e outra do Dismembermant Plan. É tocar uma seleção de duas horas que mais parece um best of dos best ofs da Jovem Pan lançados nos anos 90. Músicas tão manjadas, que o pagodeiro desavisado que entrou na balada errada vai saber cantar ao menos o refrão de todas as músicas escolhidas pelo DJ, que usa camisa do Sonic Youth para não passar a mensagem errada, mas é pego na mentira quando toca o combo mais repetitivo que fast forward em filme pornô formado por Rage Against the Machine, Pearl Jam e Alice in Chains.

Para tentar colocar alguma sensibilidade na cabeça dos dê-jotas desse Brasil, segue um top 5 das músicas que deveriam ser proibidas em discotecagens de baladas indie/rock/eletrônica/pop e subgêneros. Longe de querer ensinar vossas senhorias a fazer vossos trabalhos (até dias desses, minha banda favorita era Diante do Trono). Mas é porque é chato pra caramba pagar umas dezenas de reais para escutar músicas de alta rotação no táxi, no supermercado e na casa do tio do pavê.

5º) Rock The Casbah – The Clash

Tremenda música de uma tremenda banda. Mas até o grupo menos connoisseur de cultura pop desse país (políticos? ufanistas?) deve conhecer a piada da “Charlize, que saudade!”, de tanto que ouviram nos by nights das FMs, e quiçá AMs, do Brasil desde que foi lançada, no longínquo ano de 1982.

Substitua por: Look Here, do incrível e, caramba, ainda meio ignorado Sandinista!

 4º)  Killing in the Name – Rage Against the Machine

Quando tocam essa, qualquer pessoa sensata sai no prejuízo: as mulheres são enxotadas da pista, empurradas pelos caras que ainda classificam músicas em seus iPods como “rock nacional” e “rock internacional”. Esses mesmos caras acham que todos curtem um corpo a corpo violento mediado por muito suor. E raios! Para cada minuto de atenção que vocês dão a essa banda, um yuppie de Wall Street enrica na base de uns 2%. É uma pena que, com tanta internet por aí, esses caras ainda consigam formar público novo entre pessoas que acreditam que o efeito é justamente o contrário.

Substitua por: combata a crítica de condomínio fechado com ironia em estado puro: a banda de pagode evangélico do ex-jogador Marcelinho Carioca, Divina Inspiração. Não é um Raça Negra, não é um É o Tchan, esses que a indiezada já adotou há um tempo. É um troço que nem o Carioca deve lembrar que já existiu. É futebol, pagode e cristianismo juntos, numa colisão de Brasil pré-Lula que deixaria até Sérgio Buarque de Holanda sem jeito. E qualquer um com mais de 20 anos vai lembrar na hora ao menos dos primeiros versos, as minas vão chamar outras minas “porque vocês não vão acreditaaaaaar no que tá tocando”. Enfim, só vantagem.

 3º) Bizarre Love Triangle – New Order

Parece que o gosto incansável por essa está intimamente ligado à descoberta de drogas mais pesadas pelas pessoas que ainda se importam com com a execução pública do clássico do New Order. Perceba que, quando tocada, a pista lota de gente com mais de 30 anos, se movendo em velocidade colombiana.

Substitua for: se a ideia é manter esse grupo demográfico animado, vá de Can’t You Hear Me Knocking, uma das melhores, mais animadas e menos executadas músicas dos Rolling Stones em pistas desse (ouso dizer) mundo. Vai trocar uma de sete minutos por outra de mesma duração, suingue superior e escolha bem mais surpreendente.

 2º) Lust For Life – Iggy Pop

Enquanto vocês refletem sobre a execução excessiva dessa música desde que foi lançada, aproveitem e pensem também sobre como Cova Rasa é bem superior a Trainspotting.

Substitua por: qualquer uma do The Stooges. The Stooges está sempre em falta nas casas de esculhambação desse país.

 1º) Psycho Killer – Talking Heads

A música a qual me refiro no primeiro parágrafo desse apanhado de generalizações rasteiras (mas reais ^^) é essa. Nem preciso elaborar muito sobre a necessidade urgente de criminalizar quaisquer execuções futuras dessa música do Talking Heads. A sagacidade do dê-jota que toca essa nos dias de hoje tá no nível da desses caras: http://www.youtube.com/watch?v=6RUKolPEsDA

Substitua por: não entendo como LCD Soundsystem ainda é tão pouco tocado nas quebradas. Quando a banda ainda estava por aí, qualquer dê-jota de churrascaria alardeava seu amor  incondicional pelo James Murphy. Mas, tirando uma All My Friends aqui, uma Daft Punk Is Playing At My House ali, é raro ouvir alguma coisa da banda em baladas. E até já acabou. Se dê-jota óbvio é dê-jota que só toca velharia óbvia, pode usar isso como desculpa. Com 30 megas de conexão chegando até no interior do Ceará, LCD Soundsystem já pode ser considerado tão antigo quanto Mozart. A essa altura, uma música como Yeah deveria ser primeiro lugar nessa lista, de tão obviamente massa e não-ignorável que é, a primeira escolha de qualquer dê-jota preguiçoso. Mas segue reclusa a fones de ouvido, a saída menos recomendada para se ouvir essa catarse de awesomeness.

 P.S.: o link da imagem do texto é um gif da animação Adventure Time, uma das coisas mais criativas e engraçadas já veiculadas na TV desde que Henry Winkler pulou sobre um tubarão em Arrested Development.

Esbórnia de luto

Posted in Música by Tiago Lopes on maio 4, 2012

Adam Yauch (de preto) aprova o luto em clima de esbórnia

Adam Yauch, “MCA” e a voz rouca do Beastie Boys, morreu hoje, depois de travar uma batalha de três anos contra um câncer em uma glândula salivar e um linfoma. É uma notícia profundamente triste, mas é a uma das poucas mortes que merecem um período de luto regado a álcool e a seu disco favorito da banda tocado no volume máximo. 

Yauch era o membro do Beastie Boys mais ligado a cinema. Usava o nome “Nathanial Hörnblowér” para assinar a direção de alguns vídeos e outras incursões audiovisuais da banda. Tinha um gosto apurado pela coisa, como esse top 10 feito por ele pode provar.

Logo depois do lançamento de To The 5 Burroughs, o disco mais politizado dos caras, fiz um texto afirmando que ninguém além do Beck ou do Beastie Boys foi capaz de criar música com o mesmo clima de esbórnia infinita que só eles sabiam atingir. Continuo com a mesma impressão, e uma ainda mais pesarosa, já que a morte de Yauch representa o fim definitivo desse estado de espírito.

Desde que o Beastie Boys e o Beck perderam um pouco da graça, ninguém mais conseguiu chegar ao nível de entertainment que eles chegaram. GRAÇA eles tinham enquanto faziam a música mais egoísta de toda a curta história da música pop. Tudo o que o Beck fez antes do Mutations e o Beastie Boys antes do To The 5 Buroughs são livres de qualquer citação a outra pessoa ou objeto usados para outra coisa além de dar uma satisfação extremamente pessoal a quem os propaga. Sexual delight, na maioria dos casos. Se os anos 90 foram a década do cinismo, ninguém conseguiu elevar essa bandeira a tão alto pico quanto essa trinca de Bs.

Eles eram produtos de uma conjunção de fatores que creio ser impossível de reproduzir novamente, uma constatação penosa, já que a esbórnia toda que só eles sabiam fazer não será mais nunca recriada. Eram brancos, de classe média, infanto-juvenis quando atingiram reconhecimento nacional, e sem qualquer ligação política declarada (ou sem qualquer ligação política mesmo, que é o mais provável). Só essas condições já riscaram da lista de prioridades de suas letras uma penca de assuntos secundários: racismo, pobreza, existencialismo, monogamia e música militante. Não consigo pensar em outros assuntos que tornem uma música instantaneamente menos divertida do que esses. E outra, o produto branco, classe média, despolitizado e cheio de sarcasmo pra dar deve estar mais desvalorizado nos dias de hoje do que churrasquinho de gato.

Atualmente, quem se propõe a entreter as massas oferecendo coisa boa de verdade sempre arranha ou é especialista em uma dessas temáticas. O próprio Beck e todos do Beastie Boys já construiram discos inteiros em cima de alguma dessas variantes, mas há a desculpa de que eles cresceram, casaram. Só dá pra manter o bom senso nesse estado sem querer emular uma criançona de 40 anos. Certo eles. Mas, por mais que eu respeite a M.I.A., o LCD Soundsystem, o Vampire Weekend, sempre fico com a impressão de que eles deviam ser mais cínicos só um pouco, pra que a esbórnia que eles fazem com tanto gosto em suas músicas chegue ainda mais perto da criada pelos senhores absolutos.

Sei que é meio absurdo querer que a nostalgia por essa era de ouro seja aplacada por gente que evita a todo custo comparações com outros e quer atingir seu lugar único. Eles atingem, mas fazem uso de tanto ranço terceiro-mundista, tanto existencialismo de brechó, que não ficam imunes a uma eventual acusação de cafonice ou de deslocamento temático. A M.I.A. é a melhor e mais improvável descendente do The Clash que já ouvi, e Jimmy é esbórnia a granel, mas é só uma música no meio de um mar de reclamações contra a opressão do capitalismo, do homem branco, do calor senegalês. James Murphy, criador do LCD Soundsystem, já despontou no business com idade e temas favoritos do seu tio preferido. O Vampire Weekend é limpinho demais, mauricinho demais para falar coisas como “passing the dutchee from coast to coast” ou “had to diss the girl because she got too emotional”.

O melhor é que todo esse egocentrismo era realmente valorizado nos anos 90, o que só aumenta ainda mais a chateação de ter crescido no tempo errado.

Tagged with: ,

Top 5 Heather Graham

Posted in Cinema, Música, Outra cabeça by Tiago Lopes on maio 2, 2012

Heather Graham é uma atriz sem um filme para chamar de seu, mas que, segundo o IMDB, já participou de mais de setenta produções, incluindo curtas e séries de TV. Gata e sexy pra caramba, ela merecia o tipo de atenção reservada para protagonistas do grande escalão. Enquanto o mundo sustenta essa injustiça, o blog Cabeça faz a parte que lhe cabe, com um top 5 com o melhor da atriz.

 1º lugar – Boogie Nights (Paul Thomas Anderson, 1997)

Não é porque Heather Graham faz o papel de uma atriz pornô dos anos 70 e só aparece de shortinho e patins durante todo o filme que Boogie Nights é a sua melhor obra. O segundo filme do melhor diretor americano dessa geração, Paul Thomas Anderson, é um drama que começa como uma vitrine das grandes vantagens de trabalhar no ramo e termina indo bem além de uma demonstração deprimente das desvantagens.

 2º lugar – Swingers (Doug Liman, 1996)

Antes de se tornar um dos nomes mais requisitados de Hollywood depois de dirigir Homem de Ferro 1 e 2, Jon Fraveau fez seu nome no cinema independente escrevendo e atuando no ótimo Swingers. No filme, ele faz um ator que, depois de terminar um relacionamento de seis anos, não consegue parar de chorar nos cantos pela ex, enquanto seus amigos fazem o que podem para resgatá-lo da fossa. Mas só o personagem de Heather Graham consegue o feito, aparecendo apenas no terço final do filme, fazendo uma dancinha irresistível e não temendo ser a primeira a ligar no dia seguinte.

 3º lugar – Os Picaretas (Frank Oz, 1999)

Uma comédia tão genial (e esquecida) que merecia Palma de Ouro e todas as indicações possíveis ao Oscar, inclusive na categoria de melhor documentário curta-metragem. Tem Eddie Murphy em seu último grande filme, Steve Martin pegando fogo e Heather Graham mostrando pela primeira vez um timing impressionante para comédia. Os Picaretas tem uma premissa absurda de original: um produtor fracassado de Hollywood não consegue o astro mais caro da cidade para protagonizar sua ficção científica de baixo orçamento, mas decide filmar sua produção ao redor do cara, sem ele saber.

 4º lugar – Twin Peaks (David Lynch/Mark Frost, 1990-1991)

Antes do canal HBO produzir um clássico da TV a cada dois anos, houve uma época em que Twin Peaks estava sozinha no topo das séries mais originais do meio. Sua 1ª temporada não oficial (que vai do episódio piloto até o nono episódio da 2ª temporada, quando o assassino de Laura Palmer é finalmente revelado) é elogiada sem ressalvas, enquanto o resto da série, que ainda se estende por mais 13 episódios, é considerada uma bobagem. Bem, até que tem ao menos uma narrativa inútil (a da MILF misteriosa seduzindo o ex de Laura Palmer), mas a 2ª temporada da série é tremendamente divertida, se assumindo como o melhor do entretenimento para donas de casa, sem abandonar as bizarrices que a tornaram um clássico (o último episódio ainda é a hora mais assustadora da TV). Ah, tem a Heather Graham o grande amor do agente Cooper. Como 90% das mulheres de Twin Peaks, sua personagem é uma garçonete linda e misteriosa.

 5º lugar – American Woman (vídeo do mala do Lenny Kravitz)

A única música decente do mala supracitado (e ainda é um cover!) ganhou um vídeo em que a Heather Graham dança desavergonhadamente em cima de um trailer enquanto faz cara de safada.

The Walkmen

Posted in Música by Tiago Lopes on fevereiro 18, 2010

Esse nem é inédito (foi publicado no dia 06/11/2008 em outras pradarias) e nunca achei que meus textos sobre música fossem de alguma validade. Tô colocando esse por aqui pela primeira vez porque é um dos poucos que realmente gosto. Relendo, continuo concordando bastante com o que eu escrevi no calor das primeiras audições desse disco.

Com pouco menos de dois anos para o fim dessa década, previsões sobre o que realmente irá caracterizá-la já podem ser feitas agora mesmo, sem que muito do seu sentido se perca daqui até a mudança dos dois dígitos. Na música, a única coisa que arranhou o conceito de “movimento” foi a descoberta em massa de bandas nova-iorquinas no início dos anos 00, que, à primeira vista, pareciam ter um senso de estética visual mais apurado do que algum conhecimento musical abrangente. Precisou de um tempo (o intervalo entre o primeiro e o segundo disco, mais precisamente) para o proto-movimento se mostrar como algo que realmente carregava alguma substância não advinda de um coletor de lixo reciclável. Dessa leva, pouquíssimas bandas ainda se mantêm em pé até hoje e nenhuma outra é tão consistente quanto o The Walkmen.

You & Me é mais um disco saído de uma constante e inventiva linha de produção que não sofreu nenhuma adição de elementos estranhos ao longo de cinco discos e não precisou fazer uma mudança drástica de direção sonora como tática de sobrevivência em busca de um aumento de público. O Walkmen é nesse novo disco o mesmo de Everyone Who Pretended To Like Me Is Gone, só que mais ciente dos limites do som que criou em sua estréia, portanto, mais disposto a refiná-lo.

Mesmo tendo dois discos de inéditas e um de versões entre um e outro, os extremos da atual discografia do Walkmen parecem uma linha evolutiva sem interrupção. Bows + Arrows e A Hundred Miles Off expandiram o volume dos vocais, a velocidade e os efeitos nas guitarras e a qualidade das músicas criadas pela banda que, mesmo mantendo a discrição, conseguiu atenção suficiente dos críticos para receber os merecidos superlativos com os quais vem sendo classificada. Depois de um disco de covers de um disco de covers (Pussy Cats, disco de covers do Harry Nilsson virou Pussy Cats: starring The Walkmen), a banda resolveu mostrar o lado refinado dessa evolução toda, criando um disco melancolicamente doce (o título deixa bem explícito a onipresença do tema “amor”), calmo e, por tudo isso e mais um pouco, inesperado.

Nenhuma música do novo disco lembra a força dos mais famosos singles anteriores (“The Rat”, “Little House Of Savages”, “Lost In Boston”), mas a maioria delas alcança os mesmos altos padrões de satisfação auditiva, indo por vias mais discretas e elaboradas, como “On The Water”, “Canadian Girl”, “Red Moon” e “The Blue Route”, quatro canções que derrubam qualquer resistência ao Walkmen à primeira audição. As duas primeiras são as que representam melhor o espírito de amor sóbrio do disco (nos anteriores, tudo era meio alcoolizado, do som dos vocais à estridência das guitarras), com provas de que o Walkmen possui o melhor percussionista em atividade (sem chamar a atenção pra si o tempo inteiro) e as guitarras reverberadas deixaram de ser onipresentes para virar algo pelo qual se espera ansiosamente. “Red Moon” é uma balada na melhor acepção do termo: exageradamente romântica e despida de maiores arranjos, só um piano, uma batida alternada e um naipe de metais na medida para exaltar os espíritos mais sorumbáticos. E “The Blue Route” é o mais próximo de barulho que eles criaram em You & Me e, ainda assim, milhas distantes da estridência de outrora.

O resto do disco segue à risca o mais não-tão-em-uso conceito de álbum. Espera-se do ouvinte uma disposição para apreciá-lo por inteiro e várias vezes, para melhor aproveitamento da obra. A sutileza de músicas como “Dónde Está La Playa”, “Long Time Ahead Of US” e a instrumental “Flamingos (For Colbert)” fazem o retorno à atmosfera única do disco ser mais desejável ainda. No fim de tudo, a banda entrega a já tradicional homenagem explícita ao Dylan, em músicas que soam exatamente como grandes b-sides d’O Homem. Aqui, a (venho tentando evitar o uso de adjetivos melosos desde o começo da resenha, mas é preciso ceder) estupendamente bela “If Only It Were True” fecha o disco que deve tornar impossível, em 2010, chamar o The Walkmen de outra coisa além de grande banda da década.

Tagged with:

“No reputation left to destroy”: ha ha ha*

Posted in Cinema, Literatura, Música, Sem-categoria by Tiago Lopes on abril 16, 2009

O Castelo dos Destinos Cruzados é okey, com a nota final ajudando numa compreensão melhor da coisa toda e meio que sabotando-a também. Fiquei com a impressão de que todo o intricado e difícil trabalho que o Calvino falou que sofreu para elaborar a segunda parte é um tanto quanto nhé quando você presta bem atenção no seguinte: por mais que ele detalhe os significados das cartas, para elas não parecerem com outra coisa além da que ele está dizendo que são em determinado momento, dá pra notar que o senhor meio que perdeu o critério de verossimilhança. Em algum ponto do final, uma carta podia ser qualquer coisa que ele quisesse que fosse. Essa free-and-loosidade toda também se estende ao leitor, qualquer coisa que eu quero que uma carta seja, ela vai ser, é só eu arranjar uma desculpa que não envergonhe a vizinhança pra ligar todas elas. Então, o esclarecimento que a nota faz no final, quando o Calvino diz que quase abandonou tudo por não conseguir ligar os contos da segunda parte, soa como uma auto-valorização de um trabalho que nem foi tão grande sim. A parte em que ele acha três peças do Shakespeare no meio das cartas confirma o que eu tô querendo dizer.

***

The Substance of Style é uma série de artigos da Moving Image Source sobre as principais influências do Wes Anderson. É dividido em cinco parte: Bill Melendez, Orson Welles, and François Truffaut, Martin Scorsese, Richard Lester, and Mike Nichols, Hal Ashby, Salinger e um vídeo do prólogo do Royal Tenenbaums com umas anotações. Não li nada ainda, por falta de unidades temporais disponíveis, mas me senti impelido a indicar (‘impelido’ as ‘showing my google skills’).

***

Ler algumas das resenhas já publicadas sobre Moscou (Coutinho) tem me dado mais satisfação do que a sentida em quase todos os filmes que eu vi esse ano. Com algum exagero, afirmo isso a vocês.

***

O disco é irregular e esse vídeo parece bastante influenciado pelas últimas incursões no gênero feitas por george michael, mas a música é BOA, bem boa.

***

quê mais? quê mais?

***

Dr. Jules Meecham: You mean you don’t drink?
Reverend David Ruteledge: No.
Dr. Jules Meecham: In other words, when you get up in the morning that’s as good as you’re gonna feel all day.

ou

Shelby Munker: Well I try to do natural things. A lot of people in my family died of cancer. Bye.
Ruby Sparr: They… they died of cancer smoking pot?

E esses nem são os diálogos mais engraçados de A Wedding, um dos melhores do Altman. Sério. Já já deve chegar em dvd com o tratamento de luxo da Criterion Collection. Daí, se algum crítico do fim dos 70 ainda estiver vivo e tiver que rever, vai engolir tudo o que escreveu de negativo sobre essa maravilha na época. Gosto muitão daqueles dois grandes planos se abrindo no início do filme: um sobre a igreja e o outro sobre a casa aonde a festa de recepção acontece. O plano final é mais bonito ainda. E o timing. O Altman criou uma espécie de ritmo pra comédia que ninguém conseguiu imitar, ou se aproximar com cuidado suficiente para citar como influência. A maneira como as piadas são montadas aos poucos, uma sequência sendo interrompida por outra, culminando num punch-line sempre hilário das duas (nos melhores filmes), merece uma apreciação respeitosa, no mínimo. Os trejeitos esnobes e um tanto imutáveis que os atores sustentam por quase todo o filme passa uma falsa impressão de que eles são só um mero tamborete para o que realmente importa (a joke). Mas é só falsa mesmo. Tenta você ser esnobe por 30 minutos seguidos que sejam. Acho que só a Kristin Scott Thomas nasceu com o dom de parecer esnobe o tempo todo. Mas só usou-o bem uma única vez (em Gosford Park, sim sim).

***

Já que citei Criterion, deixo aqui o link para as listas de top’s 10 dos filmes já lançados por ela, feitas por umas galeras massas aí. Tem de Mike Allred a Adam Yauch (a lista dele é a mais engraçada).

***

*Embróglio mais divertido do ano, até agora. Se o cara ganhar a causa com uma desculpa dessas, é o fim do mundo civilizado como o conhecemos. Kids today…

Posted in Música by Tiago Lopes on abril 4, 2009

Não há nada nesse mundo que justifique alguma simpatia, a mais misroscópica que seja, de alguém por uma banda como o The Smiths. Até escrever esse nome seguindo as regras da boa gramática e da boa educação, com letra maiúscula, soa como uma auto-ofensa. A música é ruim como nenhuma outra já criada nos limites desse sistema solar, e tenho em mente, principalmente, a produção quantitativa da música criada em nossa região. Nem todos os 39 volumes de uma auspiciosa banda propagadora da “música regional” é tão prejudicial ao bom gosto quanto a criada pelo the smiths. E ver seus integrantes executando a manifestação sonora do adjetivo “degradante” é desgastante como atravessar a nado um mar de 165.454m³ de gelatina com pedaços de cereais gigantes no meio de todo o caminho. Tem um bar (que o fato de eu ainda, esporadicamente, frequentá-lo é prova incotestável de que a minha voz interior perdeu a moral faz tempo) que executa toda a videografia dessa banda em três telas diferentes quase sempre que vou lá. Se me sento numa posição que dificulte o alcance da minha curiosidade mórbida até o seu alvo favorito, ainda assim, escuto meio que em baixo volume a voz de garotinha-em-constante-trabalho-de-parto do morrissey. É como se eu tivesse atirado em trinta mil poodles e estivesse sendo devida e justamente punido. Para os que gostam, é chegada a hora de admitir a existência de um terceiro olho no lugar do umbigo. Só com esse extra de percepção para entender a competência de algo como the smiths.