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Pulp, festivais fracos e shows para ver ainda em 2012

Posted in Música, Shows e festivais by Tiago Lopes on novembro 29, 2012

Com raras exceções (Justice? Tv On The Radio?), nenhum dos melhores shows de 2012 aconteceu nos principais festivais de música de São Paulo. A apresentação dos britânicos do Pulp na noite de quarta-feira, dia 28, no Via Funchal, em São Paulo, só inflou o pacote de argumentos de que a curadoria desses eventos (Lollapalooza, Planeta Terra, Sónar) foi especialmente equivocada em 2012. E, se contarmos a partir dos excelentes shows da Feist (que aconteceram nos dias 22 e 23 de outubro em São Paulo, e no dia 24, no Rio de Janeiro), a programação desse último trimestre dá um line-up bem mais decente que os desses três festivais*.

Se, por um lado, ver um show da sua banda favorita num lugar onde ela é a única atração garante uma experiência ainda mais completa, por outro, sua conta bancária é quem mais sua nessa maratona. Com o preço do ingresso de um dia de festival na média de R$ 200, e cada apresentação de uma banda isolada cobrando cerca de R$ 150, se você sacrificasse seis shows ao longo do ano, conseguiria ir a ao menos um dia de três festivais diferentes, com a possibilidade de ver cinco bandas por dia, ao invés de apenas uma. E economizando um outro bocado em transporte e bebidas. Mas quem, de posse de ao menos 15% de saúde mental, deixaria de ver nem que fosse apenas a execução da música This Is Hardcore ao vivo por um dia do Lollapalooza Brasil 2012?

Esse momento do show do Pulp foi o ápice de uma apresentação que durou 2 horas e 20 minutos, nunca se alongou em pausas por mais de três minutos (nem durante os dois intervalos que precederam os bis) e mostrou um Jarvis Cocker com uma vontade de agradar o público bem superior a 90% dos vocalistas que apalparam mulatas no Brasil em 2012.

Foi além do “tudo bem?” em português (falou de “massa” a “sinistro”) e rebolou e desmunhecou o suficiente para ser a síntese perfeita de todos os tios bêbados em festas de casamento ao redor do mundo. A longo prazo, provou que, assim como os shows da turnê do Pavement em 2010, reuniões de bandas tão sensacionais como essas têm que acontecer ao menos de cinco em cinco anos, não importa que sejam motivadas especificamente pelo dinheiro (nada de material novo, músicas executadas no palco sem mudanças significativas das versões do disco). Quem cria álbuns como Different Class e Crooked Rain, Crooked Rain, tem moral para brincar com nossa memória afetiva sem culpa nenhuma, de ambos os lados.

Sublinhar a execução de This Is Hardcore como o melhor momento de um show do Pulp, que caprichou absurdamente na empolgação ao executar hits mais famosos e mais velozes, como Common People, Babies e Mis-Shapes, é fugir da redundância: esses hits provocariam pulos coreografados de 100% do público presente mesmo se fossem tocadas em versão “pau e lata”. Mas, tanto This Is Hardcore como outras músicas menos óbvias da banda, como Like A Friend, Sunrise e Bar Italia, pegaram de surpresa parte do público que, se não respondeu com a mesma empolgação, ao menos ficou quieto sustentando um olhar de reverência hipnótico em direção ao palco. Quem conhecia mesmo o Pulp, talvez nunca mais se esgoele tanto ao cantar junto com um vocalista numa apresentação ao vivo.

*Abaixo, uma lista com breves comentários dos ótimos shows que devem acontecer no Brasil ainda esse ano (devem né, taí a cadela doente da Fiona Apple para estraçalhar nossas expectativas):

Dirty Projectors

Os zé-doidinhos dessa ótima banda novaiorquina tocam daqui a pouco no Rio de Janeiro, no Circo Voador, com ingressos de R$ 70 a R$ 140. Amanhã, tocam em São Paulo, no Cine Joia. Os ingressos para essa apresentação já estão no segundo lote, de R$ 60 a R$ 120.

Supercordas

Nesse fim de semana, fazem em São Paulo o último show do ano. A Mágica Deriva dos Elefantes é tão bom que até sem a ajuda do “nacional”, continua entre os melhores discos de 2012.

01/12 – São Paulo
Studio SP
De R$ 15 a R$ 40.

Ben Kweller

Ah, Ben Kweller! Meu eu de 15 anos custa a acreditar que vou finalmente ver um show desse cara ao vivo (se Grandaddy e Eels se apresentarem por aqui nos próximos meses, volto a usar camisa básica da C&A diariamente, em memória a esses anos de outrora). E ele continua gravando boas músicas. Esse ano, lançou Go Fly A Kite: ótimo título, faixas meio automáticas (até para os padrões Ben Kweller), mas You Can Count On Me vale umas centenas de audições. RunSha Sha, aquela e outras tantas já fazem desse show um melhor que metade do line-up do último Terra.

04/12-São Paulo
Sesc Vila Mariana
De R$ 6 a R$ 24 (e ainda tem o custo/benefício mais alinhado com as diretrizes econômicas do Brasil)

06/12-Rio de Janeiro
Imperator
De R$ 40 a R$ 80

Norah Jones

Tem que ser um ser humano muito derrubado para não gostar de Norah Jones. Ainda mais depois da sua participação no filme Ted, onde prova que tem um senso de humor bem desprendido. E ela tem uma vontade constante de ampliar o escopo da sua música, como a excelente Sinkin’ Soon e o seu mais recente disco, Little Broken Hearts, provam. Os ingressos para os shows em São Paulo (15/12) e no Rio de Janeiro (16/12) já estão esgotados. Para a apresentação em Porto Alegre (12/12), os ingressos custam de R$ 170 a R$ 240. Clique aqui para mais informações.